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Modelo in vitro para o estudo da isquemia e reperfusão cardíacas

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Resumo:As doenças cardiovasculares são uma das principais causas de morte em todo o mundo, sendo a isquemia cardíaca a mais preocupante. A isquemia pode ser definida como a redução do fluxo sanguíneo, que dá origem a um deficiente aporte de oxigénio ao coração. Para evitar lesões no tecido isquémico é necessário restabelecer o fluxo sanguíneo, processo designado por reperfusão. Embora a reperfusão seja crucial para restabelecer a oxigenação esta pode culminar em danos irreversíveis no miocárdio. O objectivo do presente trabalho foi a implementação de um modelo in vitro para o estudo da isquemia e reperfusão cardíacas, utilizando os cardiomiócitos H9c2, baseado na actividade de duas enzimas GOX/CAT que geram uma atmosfera de hipóxia. Esta metodologia foi comparada com a que utiliza um agente químico indutor de hipóxia, o cloreto de cobalto (CoCl₂). Foi também testado o efeito de um antioxidante de referência. Os resultados mostraram que a indução de hipóxia pelo sistema GOX/CAT foi mais rápida, levando a uma redução de 40% na proliferação celular em 16h comparativamente a uma redução de 30% observada com o CoCl₂ (200μM) após 48h, avaliada por SRB. Este decréscimo na proliferação celular correlaciona-se com a morte celular que se mostrou ser maioritariamente apoptótica em ambas as condições, conforme avaliado por marcação com Hoechst/PI e condensação nuclear. Após indução de hipóxia realizou-se uma renovação do meio de cultura por mais 24h, de modo a mimetizar a situação de reperfusão. Verificou-se que a recuperação obtida com o sistema enzimático foi muito mais pronunciada que a recuperação pouco exuberante observada com o agente CoCl₂. Posto isto, o sistema GOX/CAT mostrou-se uma excelente metodologia, pela sua eficácia e reprodutibilidade, para mimetizar o estudo in vitro a isquemia e reperfusão. Foi também testado o efeito de um antioxidante de referência, o Trolox, na situação de isquemia. Este mostrou proteger os cardiomiócitos da hipóxia induzida pelo sistema GOX/CAT, revertendo o decréscimo observado na proliferação celular e concordantemente o número de núcleos apoptóticos. Na sua globalidade, os resultados obtidos demonstraram que o sistema enzimático utilizado é adequado ao estudo da isquemia e reperfusão cardíacas em cultura celular, abrindo caminho a explorar os benefícios de novos antioxidantes capazes de ultrapassar a insuficiência cardíaca e aumentar a sobrevivência dos pacientes após enfarte do miocárdio.
Autores principais:Felizardo, Tatiana Raquel Lopes Esteves Rafael
Assunto:Ciências Médicas::Medicina Clínica Ciências Naturais::Ciências Biológicas
Ano:2015
País:Portugal
Tipo de documento:dissertação de mestrado
Tipo de acesso:acesso restrito
Instituição associada:Universidade do Minho
Idioma:português
Origem:RepositóriUM - Universidade do Minho
Descrição
Resumo:As doenças cardiovasculares são uma das principais causas de morte em todo o mundo, sendo a isquemia cardíaca a mais preocupante. A isquemia pode ser definida como a redução do fluxo sanguíneo, que dá origem a um deficiente aporte de oxigénio ao coração. Para evitar lesões no tecido isquémico é necessário restabelecer o fluxo sanguíneo, processo designado por reperfusão. Embora a reperfusão seja crucial para restabelecer a oxigenação esta pode culminar em danos irreversíveis no miocárdio. O objectivo do presente trabalho foi a implementação de um modelo in vitro para o estudo da isquemia e reperfusão cardíacas, utilizando os cardiomiócitos H9c2, baseado na actividade de duas enzimas GOX/CAT que geram uma atmosfera de hipóxia. Esta metodologia foi comparada com a que utiliza um agente químico indutor de hipóxia, o cloreto de cobalto (CoCl₂). Foi também testado o efeito de um antioxidante de referência. Os resultados mostraram que a indução de hipóxia pelo sistema GOX/CAT foi mais rápida, levando a uma redução de 40% na proliferação celular em 16h comparativamente a uma redução de 30% observada com o CoCl₂ (200μM) após 48h, avaliada por SRB. Este decréscimo na proliferação celular correlaciona-se com a morte celular que se mostrou ser maioritariamente apoptótica em ambas as condições, conforme avaliado por marcação com Hoechst/PI e condensação nuclear. Após indução de hipóxia realizou-se uma renovação do meio de cultura por mais 24h, de modo a mimetizar a situação de reperfusão. Verificou-se que a recuperação obtida com o sistema enzimático foi muito mais pronunciada que a recuperação pouco exuberante observada com o agente CoCl₂. Posto isto, o sistema GOX/CAT mostrou-se uma excelente metodologia, pela sua eficácia e reprodutibilidade, para mimetizar o estudo in vitro a isquemia e reperfusão. Foi também testado o efeito de um antioxidante de referência, o Trolox, na situação de isquemia. Este mostrou proteger os cardiomiócitos da hipóxia induzida pelo sistema GOX/CAT, revertendo o decréscimo observado na proliferação celular e concordantemente o número de núcleos apoptóticos. Na sua globalidade, os resultados obtidos demonstraram que o sistema enzimático utilizado é adequado ao estudo da isquemia e reperfusão cardíacas em cultura celular, abrindo caminho a explorar os benefícios de novos antioxidantes capazes de ultrapassar a insuficiência cardíaca e aumentar a sobrevivência dos pacientes após enfarte do miocárdio.