Publicação
Modernidade, progresso e permanência: infraestruturas de arquitetura moderna na antiga província ultramarina de Moçambique
| Resumo: | O investimento dos governos central e provincial no desenvolvimento da antiga província ultramarina de Moçambique, conduziu, no período entre o segundo pós-guerra e o eclodir da guerra colonial / de libertação, a um acréscimo na programação e construção de edifícios de equipamento coletivo, destinados a colmatar as lacunas existentes e a acompanhar o constante crescimento populacional. Ao longo desta comunicação serão observados quatro casos de edifícios infraestruturais construídos em Moçambique durante o referido período histórico, com o objetivo de aferir a sua filiação na coetânea arquitetura do Movimento Moderno internacional e a sua proximidade com a moderna arquitetura brasileira: o Complexo Comercial, Turístico e Habitacional Montegiro, em Quelimane (1954-1966), projeto do escritório portuense de Arménio Taveira Losa (1908-1988) e Cassiano Barbosa (1911-1998); a Estação Central da Beira (1957-1966), edifício desenhado por Paulo de Melo Sampaio (1926-1968), João Afonso Garizo do Carmo (1917-1974) e Francisco José de Castro (n.1923), equipa de arquitetos à época residentes naquela cidade; o Palácio das Repartições de Vila Cabral, atual Lichinga (1959-1962), projeto de João José Tinoco (1924-1983) e Maria Carlota Quintanilha (n.1923), casal de arquitetos residente em Lourenço Marques; e a Escola Técnica Elementar Governador Joaquim de Araújo (1957-1966), síntese de anteriores experiências de arquitetura escolar desenhada por Fernando Mesquita (1916-c.2000) e José Cotta no gabinete técnico dos Serviços de Obras Públicas do governo provincial, em Lourenço Marques. O efetivo impacto que o projeto, construção e inauguração destes edifícios modernos obteve nas comunidades locais, demonstra a capacidade da sua arquitetura para responder às condicionantes programáticas, climáticas, económicas e tecnológicas do território. Revela igualmente a sua predisposição para se tornarem ex-libris no tecido urbano envolvente e símbolos dos valores de modernidade, progresso e permanência que integraram a utopia identitária do regime do Estado Novo. |
|---|---|
| Autores principais: | Miranda, Elisiário José Vital |
| Assunto: | Moçambique Movimento moderno Estado Novo Humanidades::Artes |
| Ano: | 2016 |
| País: | Portugal |
| Tipo de documento: | comunicação em conferência |
| Tipo de acesso: | acesso aberto |
| Instituição associada: | Universidade do Minho |
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