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O jornalismo televisivo enquanto construtor e difusor de representações sociais e estereótipos de género

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Resumo:Este relatório de estágio refere-se a um estágio de Jornalismo realizado na RTP Porto, nos estúdios do Monte da Virgem, em Vila Nova de Gaia, que decorreu de 3 de abril a 30 de junho de 2023. Neste estágio, para além do trabalho jornalístico, foi tomada a decisão de problematizar a questão da construção e disseminação de representações sociais e estereótipos de género pelo jornalismo televisivo, com foco nas mulheres, admitindo a possível existência de uma linguagem jornalística androcêntrica dominante nas redações, que se reflete nos conteúdos noticiosos, ao retratar, de forma defeituosa e prejudicial, a imagem das mulheres, imagem esta que poderá ser aceite como representação fiel da realidade feminina, por grande parte da sociedade. Dentro desta temática, abordou-se o tipo de linguagem que prevalece nas redações jornalísticas (mais feminina, mais masculina, até mesmo misógina, ou uma mistura de ambas), com um olhar especial sobre a da RTP Porto, o papel que as jornalistas desempenham na adoção de modos de atuação e de escrita misóginos (se tentam contrariá-los ou não e porque o fazem) e a eventual mudança de postura e comportamento das mesmas para se assemelharem aos seus colegas jornalistas homens, sendo mais facilmente aceites. Tratou-se, também, a presença da linguagem inclusiva de género nas peças jornalísticas e a importâncias da utilização de termos inclusivos e da flexão adequada para palavras que pertencem ao feminino e ao masculino, dando um fim ao uso exclusivo do masculino enquanto forma comum dos dois géneros e, consequentemente, ao machismo inerente à linguagem. Ainda, procurou-se saber que tipo de medidas relacionadas com a igualdade de género, da diversidade e da não discriminação já foram implementadas, ou se estas existem sequer, no sentido de se criarem redações jornalísticas plurais, inclusivas e abertas a diferentes realidades, assim como os agentes que devem estar envolvidos no processo. A abordagem implementada (revisão da literatura, observação participante e análise de conteúdo) permitiu concluir que as redações jornalísticas atuais são, ainda, movidas por valores e ideais androcêntricos, refletindo-se numa linguagem e conteúdos poucos inclusivos e muito fechados a alguns aspetos da sociedade e do mundo em geral. A grande maioria das mulheres que exercem a profissão são cúmplices da aplicação destas práticas misóginas, mesmo que inconscientemente, uma vez que absorvem o ambiente fortemente masculino das redações, independente de a sua presença, em termos numéricos, ser maior do que a dos homens.
Autores principais:Fernandes, Raquel Leonor Ricardo
Assunto:Estereótipos de género Jornalistas Linguagem inclusiva Mulheres Gender stereotypes Inclusive language Journalists Women
Ano:2024
País:Portugal
Tipo de documento:dissertação de mestrado
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade do Minho
Idioma:português
Origem:RepositóriUM - Universidade do Minho
Descrição
Resumo:Este relatório de estágio refere-se a um estágio de Jornalismo realizado na RTP Porto, nos estúdios do Monte da Virgem, em Vila Nova de Gaia, que decorreu de 3 de abril a 30 de junho de 2023. Neste estágio, para além do trabalho jornalístico, foi tomada a decisão de problematizar a questão da construção e disseminação de representações sociais e estereótipos de género pelo jornalismo televisivo, com foco nas mulheres, admitindo a possível existência de uma linguagem jornalística androcêntrica dominante nas redações, que se reflete nos conteúdos noticiosos, ao retratar, de forma defeituosa e prejudicial, a imagem das mulheres, imagem esta que poderá ser aceite como representação fiel da realidade feminina, por grande parte da sociedade. Dentro desta temática, abordou-se o tipo de linguagem que prevalece nas redações jornalísticas (mais feminina, mais masculina, até mesmo misógina, ou uma mistura de ambas), com um olhar especial sobre a da RTP Porto, o papel que as jornalistas desempenham na adoção de modos de atuação e de escrita misóginos (se tentam contrariá-los ou não e porque o fazem) e a eventual mudança de postura e comportamento das mesmas para se assemelharem aos seus colegas jornalistas homens, sendo mais facilmente aceites. Tratou-se, também, a presença da linguagem inclusiva de género nas peças jornalísticas e a importâncias da utilização de termos inclusivos e da flexão adequada para palavras que pertencem ao feminino e ao masculino, dando um fim ao uso exclusivo do masculino enquanto forma comum dos dois géneros e, consequentemente, ao machismo inerente à linguagem. Ainda, procurou-se saber que tipo de medidas relacionadas com a igualdade de género, da diversidade e da não discriminação já foram implementadas, ou se estas existem sequer, no sentido de se criarem redações jornalísticas plurais, inclusivas e abertas a diferentes realidades, assim como os agentes que devem estar envolvidos no processo. A abordagem implementada (revisão da literatura, observação participante e análise de conteúdo) permitiu concluir que as redações jornalísticas atuais são, ainda, movidas por valores e ideais androcêntricos, refletindo-se numa linguagem e conteúdos poucos inclusivos e muito fechados a alguns aspetos da sociedade e do mundo em geral. A grande maioria das mulheres que exercem a profissão são cúmplices da aplicação destas práticas misóginas, mesmo que inconscientemente, uma vez que absorvem o ambiente fortemente masculino das redações, independente de a sua presença, em termos numéricos, ser maior do que a dos homens.