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As metáforas guerreiras na crise da COVID-19

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Resumo:As metáforas guerreiras que se insinuaram nos discursos sobre a crise da Covid requerem uma explicação sociológica, tanto mais que a presente epidemia, contrariamente às do passado, é pouco mortífera, seviciando num mundo relativamente pacificado, socialmente e economicamente "securizado". O recurso a um léxico bélico muito variado serve de mote aos poderes político-sanitários para legitimar o estado de emergência e as medidas de contenção que este implica, sufocando assim o instinto gregário do homem e o seu incomprimível desejo de socialização. Ao alvejar prioritariamente os fins de semana e as noites, o confinamento, o distanciamento social e o recolher obrigatório penalizam todas a formas de socialização e de jubilação dionisíaca que lhes são inerentes. Ao salvaguardar a todo o custo o valor-trabalho, o produtivismo dos poderes político-sanitários faz-nos pensar num slogan de antiga e má memória: "o trabalho liberta".
Autores principais:Rabot, Jean-Martin
Assunto:Coronavírus Crise Metáfora Guerra Noite Socialização COVID-19
Ano:2020
País:Portugal
Tipo de documento:capítulo de livro
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade do Minho
Idioma:português
Origem:RepositóriUM - Universidade do Minho
Descrição
Resumo:As metáforas guerreiras que se insinuaram nos discursos sobre a crise da Covid requerem uma explicação sociológica, tanto mais que a presente epidemia, contrariamente às do passado, é pouco mortífera, seviciando num mundo relativamente pacificado, socialmente e economicamente "securizado". O recurso a um léxico bélico muito variado serve de mote aos poderes político-sanitários para legitimar o estado de emergência e as medidas de contenção que este implica, sufocando assim o instinto gregário do homem e o seu incomprimível desejo de socialização. Ao alvejar prioritariamente os fins de semana e as noites, o confinamento, o distanciamento social e o recolher obrigatório penalizam todas a formas de socialização e de jubilação dionisíaca que lhes são inerentes. Ao salvaguardar a todo o custo o valor-trabalho, o produtivismo dos poderes político-sanitários faz-nos pensar num slogan de antiga e má memória: "o trabalho liberta".