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As narrativas transmediáticas no quotidiano dos jovens: estudo empírico com alunos do 3.º Ciclo e do Ensino Secundário

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Resumo:O conceito de cultura de convergência, cunhado por Henry Jenkins (2008), propõe uma redefinição dos papéis tradicionalmente desempenhados por media e públicos, mormente quando mediada pelas narrativas transmediáticas, que se afiguram como a manifestação estética da cultura de convergência. As narrativas transmediáticas são, por um lado, estratégias de exploração de propriedades intelectuais por vários meios, dando forma a histórias distribuídas entre media e procurando aumentar audiências em tempos de fragmentação da atenção disponível. Por outro lado, são sintomáticas de uma maior visibilidade e valor das práticas dos públicos, que incrementam a força destes face às indústrias culturais: não só são exemplares de um superior valor de atividades antes confinadas a nichos de fãs, esmorecendo o peso hegemónico dos grandes números de audiência, como acomodam a possibilidade de os públicos intervirem e criarem conteúdos que expandem os sentidos das narrativas transmediáticas. Aqui estudamos, pelo prisma da análise da receção, os sentidos de duas amostras de jovens portugueses, com idades entre os 12 e os 18 anos, sobre as narrativas transmediáticas. É, portanto, uma investigação centrada nos processos de significação que os públicos manifestam face às narrativas transmediáticas, mas também em relação àquilo que deles é esperado pela cultura de convergência. Para tal, emprega métodos quantitativos e qualitativos. No ano letivo 2019/2020, inquiriu, via inquérito por questionário, 248 jovens de dois estabelecimentos de ensino: a Escola Secundária Carlos Amarante e a Escola Básica e Secundária Dr. Bento da Cruz. No ano letivo seguinte, 169 alunos, das mesmas escolas, completaram um outro inquérito por questionário, tendo transitado para entrevistas individuais semidirigidas 21 jovens. Entre os principais resultados destacam-se a presença de vários meios e conteúdos nos repertórios mediáticos dos jovens, bem como uma predisposição tendencialmente concordante face à existência de práticas com narrativas transmediáticas ou estratégias comerciais a elas associadas. As entrevistas evidenciaram, ainda assim, que estas eram sobretudo equiparadas à sua encarnação mais simples: as adaptações entre meios. Apenas uma minoria – de fãs acérrimos – reconhecia, consumia e, sobretudo, discutia em profundidade as consequências da distribuição narrativa para a criação de sentido sobre histórias transmediáticas.
Autores principais:Moura, Pedro Filipe Ribeiro de
Assunto:Análise da receção cultura de convergência jovens narrativas transmediáticas públicos Reception analysis convergence culture young people transmedia storytelling audiences
Ano:2025
País:Portugal
Tipo de documento:tese de doutoramento
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade do Minho
Idioma:português
Origem:RepositóriUM - Universidade do Minho
Descrição
Resumo:O conceito de cultura de convergência, cunhado por Henry Jenkins (2008), propõe uma redefinição dos papéis tradicionalmente desempenhados por media e públicos, mormente quando mediada pelas narrativas transmediáticas, que se afiguram como a manifestação estética da cultura de convergência. As narrativas transmediáticas são, por um lado, estratégias de exploração de propriedades intelectuais por vários meios, dando forma a histórias distribuídas entre media e procurando aumentar audiências em tempos de fragmentação da atenção disponível. Por outro lado, são sintomáticas de uma maior visibilidade e valor das práticas dos públicos, que incrementam a força destes face às indústrias culturais: não só são exemplares de um superior valor de atividades antes confinadas a nichos de fãs, esmorecendo o peso hegemónico dos grandes números de audiência, como acomodam a possibilidade de os públicos intervirem e criarem conteúdos que expandem os sentidos das narrativas transmediáticas. Aqui estudamos, pelo prisma da análise da receção, os sentidos de duas amostras de jovens portugueses, com idades entre os 12 e os 18 anos, sobre as narrativas transmediáticas. É, portanto, uma investigação centrada nos processos de significação que os públicos manifestam face às narrativas transmediáticas, mas também em relação àquilo que deles é esperado pela cultura de convergência. Para tal, emprega métodos quantitativos e qualitativos. No ano letivo 2019/2020, inquiriu, via inquérito por questionário, 248 jovens de dois estabelecimentos de ensino: a Escola Secundária Carlos Amarante e a Escola Básica e Secundária Dr. Bento da Cruz. No ano letivo seguinte, 169 alunos, das mesmas escolas, completaram um outro inquérito por questionário, tendo transitado para entrevistas individuais semidirigidas 21 jovens. Entre os principais resultados destacam-se a presença de vários meios e conteúdos nos repertórios mediáticos dos jovens, bem como uma predisposição tendencialmente concordante face à existência de práticas com narrativas transmediáticas ou estratégias comerciais a elas associadas. As entrevistas evidenciaram, ainda assim, que estas eram sobretudo equiparadas à sua encarnação mais simples: as adaptações entre meios. Apenas uma minoria – de fãs acérrimos – reconhecia, consumia e, sobretudo, discutia em profundidade as consequências da distribuição narrativa para a criação de sentido sobre histórias transmediáticas.