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Literacia científica sobre sismos: um estudo com alunos açorianos no final do 1.º CEB e respetivos pais

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Resumo:Em Portugal, nos últimos anos, a promoção da literacia científica passou a assumir o estatuto de principal finalidade da educação em ciência. O sismo é um desastre natural, fruto de um processo geológico, que está entre os principais problemas de muitos países, sendo impossível evitá-lo, é possível dirimi-lo, pois, a extensão do dano deste desastre é inversamente proporcional ao nível de consciência das pessoas. O Arquipélago dos Açores, dado o seu enquadramento geodinâmico, é marcado por uma importante atividade sísmica e vulcânica, o que implica a necessidade da população deter determinados conhecimentos específicos sobre os sismos, as medidas de autoproteção e os comportamentos a adotar perante este evento natural. Neste sentido esta investigação pretendeu averiguar a literacia científica de alunos, no final do 1.º Ciclo do Ensino Básico e respetivos pais no que concerne aos sismos. A recolha de dados foi efetuada através de entrevistas semiestruturadas a 15 alunos e 15 pais, dos três agrupamentos da ilha de São Jorge, incidindo sobre as conceções, procedimentos e atitudes face aos sismos. Identificaram-se, ainda, as fontes de conhecimento, no que diz respeito aos alunos e caracterizou-se a transmissão de conhecimentos dos pais, no que à temática em estudo diz respeito. Os dados obtidos revelaram que a maioria dos participantes do estudo define os sismos como “a terra a tremer”, associando a esta conceção as suas consequências negativas em termos de danos materiais e humanos, em vez de apresentarem uma explicação científica. Existe na maioria dos inquiridos, a noção de que vivem em zona de maior risco sísmico. No entanto, tal perceção, não se traduz na adoção de um comportamento conducente com essa perceção. Reconhecem a importância de uma atitude calma, no entanto muitos dos pais admitem que esta não existirá. A grande diferença encontrada situa-se na eventual previsibilidade de um sismo, em que a maioria dos pais afirma que os animais os pressentem, enquanto que a maioria dos alunos afirma o contrário. Excecionando-se a conceção dos alunos quanto à previsibilidade dos sismos pelos animais, os resultados deste estudo são concordantes com estudos anteriores. Face a estes resultados, recomenda-se a promoção do nível de literacia funcional das populações e o incremento do seu nível de autoeficácia no que diz respeito aos sismos. Para a concretização de um comportamento de autoproteção é necessário um determinado nível de informação e a crença da eficácia da sua ação.
Autores principais:Tavares, Maria da Graça da Costa
Assunto:Literacia científica Literacia sobre sismos Medidas de autoproteção 1.º CEB Scientific literacy Earthquake literacy Self-protection measures 1st CEB
Ano:2018
País:Portugal
Tipo de documento:dissertação de mestrado
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade do Minho
Idioma:português
Origem:RepositóriUM - Universidade do Minho
Descrição
Resumo:Em Portugal, nos últimos anos, a promoção da literacia científica passou a assumir o estatuto de principal finalidade da educação em ciência. O sismo é um desastre natural, fruto de um processo geológico, que está entre os principais problemas de muitos países, sendo impossível evitá-lo, é possível dirimi-lo, pois, a extensão do dano deste desastre é inversamente proporcional ao nível de consciência das pessoas. O Arquipélago dos Açores, dado o seu enquadramento geodinâmico, é marcado por uma importante atividade sísmica e vulcânica, o que implica a necessidade da população deter determinados conhecimentos específicos sobre os sismos, as medidas de autoproteção e os comportamentos a adotar perante este evento natural. Neste sentido esta investigação pretendeu averiguar a literacia científica de alunos, no final do 1.º Ciclo do Ensino Básico e respetivos pais no que concerne aos sismos. A recolha de dados foi efetuada através de entrevistas semiestruturadas a 15 alunos e 15 pais, dos três agrupamentos da ilha de São Jorge, incidindo sobre as conceções, procedimentos e atitudes face aos sismos. Identificaram-se, ainda, as fontes de conhecimento, no que diz respeito aos alunos e caracterizou-se a transmissão de conhecimentos dos pais, no que à temática em estudo diz respeito. Os dados obtidos revelaram que a maioria dos participantes do estudo define os sismos como “a terra a tremer”, associando a esta conceção as suas consequências negativas em termos de danos materiais e humanos, em vez de apresentarem uma explicação científica. Existe na maioria dos inquiridos, a noção de que vivem em zona de maior risco sísmico. No entanto, tal perceção, não se traduz na adoção de um comportamento conducente com essa perceção. Reconhecem a importância de uma atitude calma, no entanto muitos dos pais admitem que esta não existirá. A grande diferença encontrada situa-se na eventual previsibilidade de um sismo, em que a maioria dos pais afirma que os animais os pressentem, enquanto que a maioria dos alunos afirma o contrário. Excecionando-se a conceção dos alunos quanto à previsibilidade dos sismos pelos animais, os resultados deste estudo são concordantes com estudos anteriores. Face a estes resultados, recomenda-se a promoção do nível de literacia funcional das populações e o incremento do seu nível de autoeficácia no que diz respeito aos sismos. Para a concretização de um comportamento de autoproteção é necessário um determinado nível de informação e a crença da eficácia da sua ação.