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Experiências adversas na infância, resiliência e risco comportamental e escolar, numa amostra de alunos/as do 3.º ciclo do Ensino Básico

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Resumo:As experiências adversas na infância (ACEs) têm frequentemente um impacto negativo na saúde física e psicológica. No entanto, a resiliência pode funcionar como um fator de proteção relevante, mitigando os seus efeitos prejudiciais. No presente estudo, testámos esse pressuposto junto de uma amostra de adolescentes ao analisar o efeito da mediação dos processos de resiliência na relação entre as ACEs e os comportamentos de risco. A amostra aleatória e estratificada reuniu 1135 estudantes do 3º ciclo do ensino básico recrutados em 17 escolas localizadas na região Norte de Portugal Continental. Os dados foram recolhidos através da aplicação de um questionário que compilava informações relevantes sobre ACEs, comportamentos de risco e resiliência dos participantes. As raparigas relataram mais ACEs na maioria das categorias do que os rapazes. Além disso, mais de um terço dos participantes relataram ter experienciado pelo menos uma categoria de ACE, sendo o abuso psicológico e a separação dos pais as mais prevalentes. Examinamos também a prevalência do risco escolar e do risco comportamental, e as análises mostram uma taxa maior de adolescentes considerados em risco escolar do que em risco comportamental, e que os níveis mais elevados para ambos os riscos foram observados nos rapazes. Adicionalmente, a idade foi positivamente associada ao risco escolar e comportamental. A resiliência foi analisada a partir de quatro dimensões (individual, familiar, comunitária e rede de apoio) cujo somatório compõe a resiliência total. Os resultados mais baixos ocorreram na resiliência individual e os mais altos na resiliência comunitária, sendo em ambos os casos mais altos nas raparigas. As análises estatísticas também revelaram uma relação significativa entre a presença de ACEs e menor resiliência em todas as dimensões. Por último, uma exploração compreensiva dos dados permitiu estabelecer a resiliência como um fator de mitigação dos impactos negativos das ACEs, sendo observado que níveis mais altos de resiliência estão associados a menor risco comportamental e escolar na população estudada. Pelo exposto, o nosso estudo aponta para necessidade de se promoverem intervenções que fomentem a resiliência junto dos adolescentes, dado que este é um fator com elevado potencial de prevenção dos impactos negativos da adversidade na saúde física e mental.
Autores principais:Martins, Virgínia Alberta Meira Ferreira
Assunto:Resiliência Experiências adversas na infância Adolescência Risco escolar Risco comportamental Resilience Adverse childhood experiences Adolescence School risk Behavioral risk
Ano:2024
País:Portugal
Tipo de documento:dissertação de mestrado
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade do Minho
Idioma:português
Origem:RepositóriUM - Universidade do Minho
Descrição
Resumo:As experiências adversas na infância (ACEs) têm frequentemente um impacto negativo na saúde física e psicológica. No entanto, a resiliência pode funcionar como um fator de proteção relevante, mitigando os seus efeitos prejudiciais. No presente estudo, testámos esse pressuposto junto de uma amostra de adolescentes ao analisar o efeito da mediação dos processos de resiliência na relação entre as ACEs e os comportamentos de risco. A amostra aleatória e estratificada reuniu 1135 estudantes do 3º ciclo do ensino básico recrutados em 17 escolas localizadas na região Norte de Portugal Continental. Os dados foram recolhidos através da aplicação de um questionário que compilava informações relevantes sobre ACEs, comportamentos de risco e resiliência dos participantes. As raparigas relataram mais ACEs na maioria das categorias do que os rapazes. Além disso, mais de um terço dos participantes relataram ter experienciado pelo menos uma categoria de ACE, sendo o abuso psicológico e a separação dos pais as mais prevalentes. Examinamos também a prevalência do risco escolar e do risco comportamental, e as análises mostram uma taxa maior de adolescentes considerados em risco escolar do que em risco comportamental, e que os níveis mais elevados para ambos os riscos foram observados nos rapazes. Adicionalmente, a idade foi positivamente associada ao risco escolar e comportamental. A resiliência foi analisada a partir de quatro dimensões (individual, familiar, comunitária e rede de apoio) cujo somatório compõe a resiliência total. Os resultados mais baixos ocorreram na resiliência individual e os mais altos na resiliência comunitária, sendo em ambos os casos mais altos nas raparigas. As análises estatísticas também revelaram uma relação significativa entre a presença de ACEs e menor resiliência em todas as dimensões. Por último, uma exploração compreensiva dos dados permitiu estabelecer a resiliência como um fator de mitigação dos impactos negativos das ACEs, sendo observado que níveis mais altos de resiliência estão associados a menor risco comportamental e escolar na população estudada. Pelo exposto, o nosso estudo aponta para necessidade de se promoverem intervenções que fomentem a resiliência junto dos adolescentes, dado que este é um fator com elevado potencial de prevenção dos impactos negativos da adversidade na saúde física e mental.