Publicação
Para todos saber(em) : um caso particular de concordância variável em português europeu
| Resumo: | A concordância verbal enquanto regra variável tem sido objeto de estudo no quadro da Sociolinguística Variacionista especialmente no português do Brasil (PB) (Scherre, l994; Scherre & Naro, l998; Rodrigues, 2004). No caso do português europeu (PE), estudos recentes (Mota & Vieira, 2008; Cardoso, Carrilho & Pereira, 2012) centraram-se na alternância entre a terceira pessoa do plural e do singular em coocorrência com um sujeito plural. Partindo desta noção de regra variável e dos estudos já realizados tanto em PB como em PE, na presente dissertação, investiga-se um caso de variação na concordância verbal em PE que tem uma distribuição e propriedades particulares e, tanto quanto se sabe, não foi descrita anteriormente: os falantes omitem os traços da concordância verbal em contextos de infinitivo flexionado e de futuro do conjuntivo, na presença de sujeito lexical. Este tipo de concordância não padrão é atestado em falantes da zona do Vale do Sousa e do Vale do Ave. Aplicou-se aos falantes do grupo em estudo, numa primeira fase, dois tipos de testes, um offline e um online, respetivamente, um teste de juízos de gramaticalidade com base numa escala de Likert bipolar e um teste de leitura automonitorizada. Posteriormente, aplicaram-se mais dois testes de juízos de gramaticalidade para aferir as tendências dos falantes na segunda pessoa do singular e em contextos de sujeito nulo. Os resultados desta bateria de testes permitem concluir que o fenómeno de concordância variável em discussão possui duas propriedades distintivas: i) não afeta a segunda pessoa do singular e ii) ocorre apenas nas formas infinitivas e no futuro do conjuntivo. Apresenta-se uma análise dos resultados que é fruto da combinação da Teoria da Morfologia Distribuída (Halle & Marantz l993) com a noção de ‗regra variável‘ da Sociolinguística Variacionista (Labov l969), tal como proposto em Nevins e Parrott (2009). Em particular, sugere-se que o fenómeno em causa se deve à aplicação de uma regra de Empobrecimento no nível pós-sintático da gramática. Adotando a sugestão de Nevins e Parrott (2009), esta é uma regra variável, ou seja, uma regra que opera de forma probabilística e não categórica. |
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| Autores principais: | Oliveira, Telma Raquel Freire |
| Assunto: | Sociolinguística variacionista Variação Regra variável Morfologia distribuída Variationist sociolinguistics Variation Variable rule Distributed morphology |
| Ano: | 2014 |
| País: | Portugal |
| Tipo de documento: | dissertação de mestrado |
| Tipo de acesso: | acesso aberto |
| Instituição associada: | Universidade do Minho |
| Idioma: | português |
| Origem: | RepositóriUM - Universidade do Minho |
| Resumo: | A concordância verbal enquanto regra variável tem sido objeto de estudo no quadro da Sociolinguística Variacionista especialmente no português do Brasil (PB) (Scherre, l994; Scherre & Naro, l998; Rodrigues, 2004). No caso do português europeu (PE), estudos recentes (Mota & Vieira, 2008; Cardoso, Carrilho & Pereira, 2012) centraram-se na alternância entre a terceira pessoa do plural e do singular em coocorrência com um sujeito plural. Partindo desta noção de regra variável e dos estudos já realizados tanto em PB como em PE, na presente dissertação, investiga-se um caso de variação na concordância verbal em PE que tem uma distribuição e propriedades particulares e, tanto quanto se sabe, não foi descrita anteriormente: os falantes omitem os traços da concordância verbal em contextos de infinitivo flexionado e de futuro do conjuntivo, na presença de sujeito lexical. Este tipo de concordância não padrão é atestado em falantes da zona do Vale do Sousa e do Vale do Ave. Aplicou-se aos falantes do grupo em estudo, numa primeira fase, dois tipos de testes, um offline e um online, respetivamente, um teste de juízos de gramaticalidade com base numa escala de Likert bipolar e um teste de leitura automonitorizada. Posteriormente, aplicaram-se mais dois testes de juízos de gramaticalidade para aferir as tendências dos falantes na segunda pessoa do singular e em contextos de sujeito nulo. Os resultados desta bateria de testes permitem concluir que o fenómeno de concordância variável em discussão possui duas propriedades distintivas: i) não afeta a segunda pessoa do singular e ii) ocorre apenas nas formas infinitivas e no futuro do conjuntivo. Apresenta-se uma análise dos resultados que é fruto da combinação da Teoria da Morfologia Distribuída (Halle & Marantz l993) com a noção de ‗regra variável‘ da Sociolinguística Variacionista (Labov l969), tal como proposto em Nevins e Parrott (2009). Em particular, sugere-se que o fenómeno em causa se deve à aplicação de uma regra de Empobrecimento no nível pós-sintático da gramática. Adotando a sugestão de Nevins e Parrott (2009), esta é uma regra variável, ou seja, uma regra que opera de forma probabilística e não categórica. |
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