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A proximidade nos pequenos autocarros da Covilhã
| Summary: | [Excerto] Na idade adulta, acontece-me com frequência que as experiências da infância regressem com maior intensidade. Certas situações quotidianas adquirem uma estranha capacidade de reativar uma dimensão afetiva. Foi o que aconteceu, numa manhã de fevereiro, na Covilhã. Chegara no dia 9, após uma viagem tranquila de autocarro Porto-Covilhã. Tinha uma atividade marcada quinze minutos depois da hora de chegada, e o GPS do telemóvel indicava que o destino se encontrava a exatamente quinze minutos de distância. Dirigi-me ao balcão para comprar um bilhete de transporte local e fui informada de que o autocarro apropriado ao meu percurso estava prestes a partir. Ao sair para a rua, deparei-me com ele: um veículo pequeno e quase discreto que, numa cidade como o Porto, passaria despercebido. Entrei. O motorista recebeu-me com um sorriso, antecipando a minha pergunta: “Este autocarro passa na Faculdade de Artes e Letras da UBI?” Confirmou que sim, embora tivesse de fazer primeiro um desvio de cerca de vinte minutos. Aceitei. O compromisso não exigia pontualidade absoluta. |
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| Main Authors: | Batista, Ana Raquel Ribeiro |
| Subject: | Passeio Cidade e Quotidiano Não-lugar Sobremodernidade Urbanidade Ciências Sociais::Ciências da Comunicação Reduzir as desigualdades |
| Year: | 2026 |
| Country: | Portugal |
| Document type: | other |
| Access type: | open access |
| Associated institution: | Universidade do Minho |
| Language: | Portuguese |
| Origin: | RepositóriUM - Universidade do Minho |
| Summary: | [Excerto] Na idade adulta, acontece-me com frequência que as experiências da infância regressem com maior intensidade. Certas situações quotidianas adquirem uma estranha capacidade de reativar uma dimensão afetiva. Foi o que aconteceu, numa manhã de fevereiro, na Covilhã. Chegara no dia 9, após uma viagem tranquila de autocarro Porto-Covilhã. Tinha uma atividade marcada quinze minutos depois da hora de chegada, e o GPS do telemóvel indicava que o destino se encontrava a exatamente quinze minutos de distância. Dirigi-me ao balcão para comprar um bilhete de transporte local e fui informada de que o autocarro apropriado ao meu percurso estava prestes a partir. Ao sair para a rua, deparei-me com ele: um veículo pequeno e quase discreto que, numa cidade como o Porto, passaria despercebido. Entrei. O motorista recebeu-me com um sorriso, antecipando a minha pergunta: “Este autocarro passa na Faculdade de Artes e Letras da UBI?” Confirmou que sim, embora tivesse de fazer primeiro um desvio de cerca de vinte minutos. Aceitei. O compromisso não exigia pontualidade absoluta. |
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