Publicação
Refração e comprimento axiais e fora-de-eixo na miopia estável e progressiva
| Resumo: | Objetivo: O objetivo deste estudo foi comparar o comprimento axial e a refração periférica relativa, decomposta nas suas focais astigmáticas (tangencial e sagital), entre um grupo de míopes progressivos e outro com a refração estável há mais de dois anos. Métodos: Avaliaram-se 62 olhos com miopia entre -0.50 e -7.00 D de equivalente esférico (média -2.83±1.46 D) e com uma média de idades de 22.02±1.75 anos. Destes, 32 eram pacientes com miopia estável há pelo menos 2 anos e 30 com miopia ainda em progressão. Não se verificaram diferenças estatisticamente significativas entre a idade e o erro refrativo de ambos os grupos. Após o exame preliminar foi determinada a refração central e periférica ao longo do meridiano horizontal até aos 35º de excentricidade, nasal e temporal, em passos de 5º. O comprimento axial foi medido até aos 30º de excentricidade, nasal e temporal, em passos de 10º. Resultados: Foram encontradas diferenças estatisticamente significativas (p <0.001) entre as componentes astigmáticas da refração periférica dos dois grupos na parte nasal da retina. O grupo de míopes progressivos tem uma focal sagital relativa mais hipermetrópica (média 35ºN = +1,00±0,83 D) que o grupo dos não progressivos (média 35ºN = -0,10±0,98 D). Relativamente às diferenças morfológicas entre o pólo posterior dos olhos de ambos os grupos, os resultados mostram uma forma mais prolata na região nasal (Test-T; p=0.03) no grupo progressivo, apesar do comprimento axial médio entre ambos os grupos não apresentar diferenças estatisticamente significativas (24,58±0,83 mm nos não progressivos contra 24,63±0,87 mm nos progressivos, p=0.821). A morfologia do pólo posterior nasal (ΔCA_N) apresenta uma forte correlação com a refração periférica (r2=0.523 nos progressivos e r2=0.646 nos não progressivos), o que sugere que os olhos mais prolatos apresentam uma refração periférica relativa mais hipermetrópica. Conclusões: Estes resultados são consistentes com os trabalhos anteriores que sugerem que uma refração periférica hipermetrópica pode atuar, no olho, como um mecanismo de regulação do comprimento axial, estimulando o seu crescimento. A refração periférica relativa depende essencialmente da morfologia da retina e do astigmatismo oblíquo. A sua avaliação não deve ser realizada com base nos valores dos componentes M, J0 e J45 de uma forma isolada, pois desse modo perde-se parte da informação que aqui manifestamos. Se de facto existe um mecanismo retiniano de regulação do comprimento axial visualmente guiado, o seu feedback poderá estar baseado na posição das focais, tangencial e sagital, da imagem astigmática periférica. |
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| Autores principais: | Ribeiro, Miguel António Faria |
| Ano: | 2011 |
| País: | Portugal |
| Tipo de documento: | dissertação de mestrado |
| Tipo de acesso: | acesso aberto |
| Instituição associada: | Universidade do Minho |
| Idioma: | português |
| Origem: | RepositóriUM - Universidade do Minho |
| Resumo: | Objetivo: O objetivo deste estudo foi comparar o comprimento axial e a refração periférica relativa, decomposta nas suas focais astigmáticas (tangencial e sagital), entre um grupo de míopes progressivos e outro com a refração estável há mais de dois anos. Métodos: Avaliaram-se 62 olhos com miopia entre -0.50 e -7.00 D de equivalente esférico (média -2.83±1.46 D) e com uma média de idades de 22.02±1.75 anos. Destes, 32 eram pacientes com miopia estável há pelo menos 2 anos e 30 com miopia ainda em progressão. Não se verificaram diferenças estatisticamente significativas entre a idade e o erro refrativo de ambos os grupos. Após o exame preliminar foi determinada a refração central e periférica ao longo do meridiano horizontal até aos 35º de excentricidade, nasal e temporal, em passos de 5º. O comprimento axial foi medido até aos 30º de excentricidade, nasal e temporal, em passos de 10º. Resultados: Foram encontradas diferenças estatisticamente significativas (p <0.001) entre as componentes astigmáticas da refração periférica dos dois grupos na parte nasal da retina. O grupo de míopes progressivos tem uma focal sagital relativa mais hipermetrópica (média 35ºN = +1,00±0,83 D) que o grupo dos não progressivos (média 35ºN = -0,10±0,98 D). Relativamente às diferenças morfológicas entre o pólo posterior dos olhos de ambos os grupos, os resultados mostram uma forma mais prolata na região nasal (Test-T; p=0.03) no grupo progressivo, apesar do comprimento axial médio entre ambos os grupos não apresentar diferenças estatisticamente significativas (24,58±0,83 mm nos não progressivos contra 24,63±0,87 mm nos progressivos, p=0.821). A morfologia do pólo posterior nasal (ΔCA_N) apresenta uma forte correlação com a refração periférica (r2=0.523 nos progressivos e r2=0.646 nos não progressivos), o que sugere que os olhos mais prolatos apresentam uma refração periférica relativa mais hipermetrópica. Conclusões: Estes resultados são consistentes com os trabalhos anteriores que sugerem que uma refração periférica hipermetrópica pode atuar, no olho, como um mecanismo de regulação do comprimento axial, estimulando o seu crescimento. A refração periférica relativa depende essencialmente da morfologia da retina e do astigmatismo oblíquo. A sua avaliação não deve ser realizada com base nos valores dos componentes M, J0 e J45 de uma forma isolada, pois desse modo perde-se parte da informação que aqui manifestamos. Se de facto existe um mecanismo retiniano de regulação do comprimento axial visualmente guiado, o seu feedback poderá estar baseado na posição das focais, tangencial e sagital, da imagem astigmática periférica. |
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