| Summary: | As organizações sociais de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Transexuais ou Transgêneros, Queer, Intersexo e Assexual + (LGBTQIA+) possuem um papel fundamental na conquista de direitos relacionados a esta população marginalizada em todo o mundo. Ao longo dos últimos anos, os espaços virtuais se tornaram um veículo de comunicação necessário para estas organizações promoverem discussões, debates, eventos e denúncias relacionadas à população LGBTQIA+. Este estudo busca analisar as estratégias de comunicação online de duas organizações pioneiras em seus países: a Intervenção Lésbica, Gay, Bissexual, Trans e Intersexo Portugal (ILGA Portugal) e a Himaya Lubnaniya lil Mithliyeen wal Mithliyat (Helem), primeira organização em defesa dos direitos LGBTQIA+ no mundo Árabe, estabelecida no Líbano. Neste sentido, buscamos identificar os principais eixos temáticos (Braun & Clark, 2006) que estas duas organizações compartilharam ao longo de um ano através de suas páginas do Facebook, de forma a compreender as intersecções de assuntos que ganham visibilidade no ativismo online. Esta investigação também pretende contribuir para uma teoria emergente chamada queer of color (Ferguson, 2004), que possui como principal característica a interdisciplinaridade, pois reúne estudos das teorias feministas, da teoria queer (Butler, 2003), dos estudos sobre às diásporas e migrações e vai de encontro com os conceitos de Interseccionalidade (Akotirene, 2018) ao dar prioridade aos estudos acadêmicos, experiências e histórias de pessoas queer não brancas. As conclusões nos permitem afirmar que mesmo em contextos socioculturais tão diferentes, as duas organizações partilham de muitas semelhanças na forma como praticam o ativismo digital. No que diz respeito à Interseccionalidade (Akotirene, 2018) e questões sobre raça, migrações ou capitalismo, temas centrais das teorias queer of color (Ferguson, 2005), observamos um esforço de ambas as organizações em levantarem assuntos com estas abordagens. A maior diferença que encontramos diz respeito à visibilidade e evidenciação dos membros e público que interage com estas organizações, pois enquanto podemos ter uma clara percepção destas pessoas na página da ILGA Portugal, o mesmo não acontece na página da Helem no Líbano, país onde a população LGBTQIA+ ainda sofre perseguição e abuso por parte do Estado. |