| Resumo: | Países em desenvolvimento com orçamentos restritos, como é o caso do Brasil, necessitam de uma criteriosa destinação de seus recursos públicos. Contudo, Forças Armadas providas de equipamentos modernos exigem importações de produtos de alta tecnologia que consomem quantias substanciais de recursos financeiros. Nesse contexto, políticas públicas focalizadas em investimentos que potenciem o desenvolvimento econômico poderiam ajudar a amenizar esta questão. Esta pesquisa tem sua origem na motivação para explorar este assunto: se e como o investimento em alta tecnologia nas Forças Armadas pode potenciar o desenvolvimento económico do país. Seu principal objetivo foi verificar como os acordos de compensação comercial industrial e tecnológica podem influenciar no desenvolvimento da indústria de defesa do Brasil. A partir de uma significativa pesquisa bibliográfica e documental dos estudos publicados sobre o tema, foi possível estabelecer critérios para analisar os acordos de contrapartida em termos de produtividade, competitividade, inovação, transferência de tecnologia, dentre outros, no processo de desenvolvimento industrial. Para avaliar as percepções sobre esta temática, a coleta de dados foi realizada através de um inquérito aplicado a militares de departamentos que lidam com a importação de produtos de alta tecnologia para as Forças Armadas. Utilizando como suporte a ferramenta SPSS, os resultados foram qualificados e avaliados estatisticamente. Ao analisar a percepção dos respondentes da pesquisa, chegou-se à conclusão de que os acordos de compensação comercial, industrial e tecnológica podem auxiliar o processo de desenvolvimento da indústria de defesa do Brasil e, consequentemente, da indústria nacional como um todo. Apesar disso, o tema gera controvérsia sobre o que dificulta o beneficiamento de empresas pertencentes à indústria de defesa. Trata-se de um assunto de difícil apuração e mensuração apropriada para o qual este trabalho visa contribuir. |