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Geografia, transição para a sustentabilidade e culturas de mobilidade

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Resumo:A pesquisa sobre transições, após um processo de evolução, que contou com a identificação das suas principais lacunas, tornou-se numa área de pesquisa autónoma fundamental, inter e transdisciplinar. Ao longo de décadas, corpos teóricos como a Perspetiva Multinível, os Sistemas de Inovação Tecnológica, a Gestão de Transição e a Gestão Estratégica de Nicho foram desenvolvidos para integrar esta área de estudo. Com a emergência da ciência da sustentabilidade, desvendou-se a necessidade profunda de aproximar a ciência das pessoas, de colocar a sustentabilidade como temática basilar na pesquisa científica, de aplicar os corpos teóricos desenvolvidos ao serviço deste objetivo e de integrar práticas políticas e de governança na gestão das transições - para a sustentabilidade. A mudança de paradigma que converte as pesquisas sobre transições em Estudos de Transição para a Sustentabilidade permite uma maior incidência no conceito de espaço (que as pesquisas sobre transições clássicas vinham negligenciando) e uma visão diferente da ciência geográfica (que, até aqui, se via como ciência estática). A integração do spatial turn e a crescente consciencialização da Geografia para questões de sustentabilidade foram contributos indispensáveis à transformação da pesquisa sobre transições. Assim, deixam de se analisar apenas as macro-políticas oficiais próprias da pesquisa sobre transições, para dar lugar a mesopolíticas institucionais, que direcionam a lente para o indivíduo e o seu quotidiano (análise sustentada pela Teoria da Prática), relacionando-o com instituições sociais e infraestruturas materiais. Em todo este processo, o papel das Ciências Sociais e do paradigma das novas mobilidades é crucial. A automobilidade, enquanto instituição sociotécnica central, moldada pela cultura vigente e a car culture, como cultura hegemónica, potencia o reconhecimento da dinâmica espacial gerada por esta forma de deslocação, a reflexão em torno dos sentimentos e emoções que justificam a sua escolha e a apresentação de culturas alternativas de mobilidade e nichos socioespaciais e socioculturais de sustentabilidade. A presente dissertação reflete uma aproximação entre a Geografia e os Estudos de Transição para a Sustentabilidade, com o objetivo de compreender, sustentar e incentivar o papel da ciência geográfica na sua formação e desenvolvimento.
Autores principais:Castro, Tiago Oliveira de
Assunto:Cultura Estudos de transição para a sustentabilidade Geografia Mobilidade Culture Studies of transition for sustainability Geography Mobility
Ano:2020
País:Portugal
Tipo de documento:dissertação de mestrado
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade do Minho
Idioma:português
Origem:RepositóriUM - Universidade do Minho
Descrição
Resumo:A pesquisa sobre transições, após um processo de evolução, que contou com a identificação das suas principais lacunas, tornou-se numa área de pesquisa autónoma fundamental, inter e transdisciplinar. Ao longo de décadas, corpos teóricos como a Perspetiva Multinível, os Sistemas de Inovação Tecnológica, a Gestão de Transição e a Gestão Estratégica de Nicho foram desenvolvidos para integrar esta área de estudo. Com a emergência da ciência da sustentabilidade, desvendou-se a necessidade profunda de aproximar a ciência das pessoas, de colocar a sustentabilidade como temática basilar na pesquisa científica, de aplicar os corpos teóricos desenvolvidos ao serviço deste objetivo e de integrar práticas políticas e de governança na gestão das transições - para a sustentabilidade. A mudança de paradigma que converte as pesquisas sobre transições em Estudos de Transição para a Sustentabilidade permite uma maior incidência no conceito de espaço (que as pesquisas sobre transições clássicas vinham negligenciando) e uma visão diferente da ciência geográfica (que, até aqui, se via como ciência estática). A integração do spatial turn e a crescente consciencialização da Geografia para questões de sustentabilidade foram contributos indispensáveis à transformação da pesquisa sobre transições. Assim, deixam de se analisar apenas as macro-políticas oficiais próprias da pesquisa sobre transições, para dar lugar a mesopolíticas institucionais, que direcionam a lente para o indivíduo e o seu quotidiano (análise sustentada pela Teoria da Prática), relacionando-o com instituições sociais e infraestruturas materiais. Em todo este processo, o papel das Ciências Sociais e do paradigma das novas mobilidades é crucial. A automobilidade, enquanto instituição sociotécnica central, moldada pela cultura vigente e a car culture, como cultura hegemónica, potencia o reconhecimento da dinâmica espacial gerada por esta forma de deslocação, a reflexão em torno dos sentimentos e emoções que justificam a sua escolha e a apresentação de culturas alternativas de mobilidade e nichos socioespaciais e socioculturais de sustentabilidade. A presente dissertação reflete uma aproximação entre a Geografia e os Estudos de Transição para a Sustentabilidade, com o objetivo de compreender, sustentar e incentivar o papel da ciência geográfica na sua formação e desenvolvimento.