Publicação
Perceções sobre a habitação social: retrato da realidade de Guimarães
| Resumo: | Nos últimos anos diversas questões têm vindo a ser discutidas no que diz respeito às condições de vida das pessoas residentes em Habitação Social. De forma geral, a habitação foi desde sempre considerada um elemento necessário para o melhoramento do nível de vida, para ocorrer uma série de mudanças positivas nos modos de vida, da perceção que cada um tem de si e da relação com os outros. O presente estudo visou, em primeira linha, aferir os sentimentos e perceções dos residentes em Habitação Social Municipal na cidade de Guimarães, tentando perceber qual o impacto que a obtenção de habitação teve nas suas vidas. Paralelamente, o presente estudo pretendeu também aferir a validade da Habitação Social como resposta social que visa gerar novas oportunidades para os seus residentes, quebrando ciclos de pobreza e exclusão social. Para a concretização deste estudo de caso foram utilizados os seguintes instrumentos: a observação e a aplicação de uma extensa entrevista estruturada a uma amostra de 94 indivíduos residentes em sete empreendimentos socias geridos pela CASFIG, E.M. na cidade de Guimarães. Os resultados permitem observar que a melhoria das condições de vida destas famílias interliga-se com diversos fatores, como a habitação, a saúde, o emprego e o desenvolvimento de competências pessoais, sociais e organizacionais. Porém, conforme resulta dos resultados, a modalidade de Habitação Social nem sempre é uma resposta eficaz às necessidades dos que a procuram no concelho de Guimarães nem a habitação contribui de modo isolado para a quebra dos ciclos de pobreza e exclusão social das famílias que a obtiveram. Não obstante, o estudo valida a premissa que a agregação de um elevado número de famílias com características comuns num mesmo espaço geográfico produz um efeito viral. Nessa medida, torna-se imprescindível alterar a cultura e as políticas habitacionais, urgindo integrar os indivíduos em ambientes mais neutros, que não conduzam à estigmatização social e ao agravamento da sua exclusão social. O estudo conclui, por último, que a Habitação Social, enquanto resposta habitacional para os estratos mais desfavorecidos, encontra-se ultrapassada, dado não cumprir com os objetivos de inclusão social. Nesse sentido, sugere-se, em alternativa ao realojamento convencional em habitação social, medidas mais dinâmicas e acessíveis à comunidade como por exemplo o Porta´65, o Subsídio Municipal ao Arrendamento e o Mercado Social ao Arrendamento, medidas que são fundamentais e que contribuem para a promoção do arrendamento no mercado particular por via dos apoios do governo central e dos municípios, sendo certo que quer estas medidas, quer outras com os mesmos fins, deverão ser reestruturadas de forma a poderem ser mais abrangentes e permitirem que um número mais alargado de cidadãos carenciados a elas possam recorrer. |
|---|---|
| Autores principais: | Balinha, Ana Alexandra Macedo |
| Assunto: | Habitação social Perceções e condições de vida Politicas de habitação social Alternativas à habitação social Council housing Perceptions and ways of living Council housing policies Alternatives to council housing |
| Ano: | 2015 |
| País: | Portugal |
| Tipo de documento: | dissertação de mestrado |
| Tipo de acesso: | acesso aberto |
| Instituição associada: | Universidade do Minho |
| Idioma: | português |
| Origem: | RepositóriUM - Universidade do Minho |
| Resumo: | Nos últimos anos diversas questões têm vindo a ser discutidas no que diz respeito às condições de vida das pessoas residentes em Habitação Social. De forma geral, a habitação foi desde sempre considerada um elemento necessário para o melhoramento do nível de vida, para ocorrer uma série de mudanças positivas nos modos de vida, da perceção que cada um tem de si e da relação com os outros. O presente estudo visou, em primeira linha, aferir os sentimentos e perceções dos residentes em Habitação Social Municipal na cidade de Guimarães, tentando perceber qual o impacto que a obtenção de habitação teve nas suas vidas. Paralelamente, o presente estudo pretendeu também aferir a validade da Habitação Social como resposta social que visa gerar novas oportunidades para os seus residentes, quebrando ciclos de pobreza e exclusão social. Para a concretização deste estudo de caso foram utilizados os seguintes instrumentos: a observação e a aplicação de uma extensa entrevista estruturada a uma amostra de 94 indivíduos residentes em sete empreendimentos socias geridos pela CASFIG, E.M. na cidade de Guimarães. Os resultados permitem observar que a melhoria das condições de vida destas famílias interliga-se com diversos fatores, como a habitação, a saúde, o emprego e o desenvolvimento de competências pessoais, sociais e organizacionais. Porém, conforme resulta dos resultados, a modalidade de Habitação Social nem sempre é uma resposta eficaz às necessidades dos que a procuram no concelho de Guimarães nem a habitação contribui de modo isolado para a quebra dos ciclos de pobreza e exclusão social das famílias que a obtiveram. Não obstante, o estudo valida a premissa que a agregação de um elevado número de famílias com características comuns num mesmo espaço geográfico produz um efeito viral. Nessa medida, torna-se imprescindível alterar a cultura e as políticas habitacionais, urgindo integrar os indivíduos em ambientes mais neutros, que não conduzam à estigmatização social e ao agravamento da sua exclusão social. O estudo conclui, por último, que a Habitação Social, enquanto resposta habitacional para os estratos mais desfavorecidos, encontra-se ultrapassada, dado não cumprir com os objetivos de inclusão social. Nesse sentido, sugere-se, em alternativa ao realojamento convencional em habitação social, medidas mais dinâmicas e acessíveis à comunidade como por exemplo o Porta´65, o Subsídio Municipal ao Arrendamento e o Mercado Social ao Arrendamento, medidas que são fundamentais e que contribuem para a promoção do arrendamento no mercado particular por via dos apoios do governo central e dos municípios, sendo certo que quer estas medidas, quer outras com os mesmos fins, deverão ser reestruturadas de forma a poderem ser mais abrangentes e permitirem que um número mais alargado de cidadãos carenciados a elas possam recorrer. |
|---|