Publicação
O currículo como cultura de reparação histórica
| Resumo: | [Excerto] Introdução: As Primeiras Nações são realidades bem evidentes em diversos países colonizados ao longo de vários séculos, com destaque para o Canadá e para a Austrália. O mesmo se passa com o Brasil e com tantos outros países que têm povos originários, cujos pontos de vista sobre questões sociais, culturais e históricas devem ser incluídos no currículo da escolaridade obrigatória. Trata-se da defesa dos direitos de autodeterminação e soberania de comunidades indígenas que estão na base da formação de uma nação, reconhecendo-se não só a sua legitimação cultural e política, mas também o modo como tem sido discutida a cultura de reparação, que não fica unicamente por pedidos de desculpa às gerações afetadas ou pela devolução de bens culturais. Não podendo ser o colonialismo um assunto tabu, do qual não é conveniente falar, é essencialmente através da educação escolar que parte dessa reparação pode ser feita, inserindo-se no currículo temáticas sobre a compreensão intercultural e o respeito pelos direitos humanos, para além de uma abordagem crítica ao nível do conhecimento escolar. Mesmo ao nível da História, não é crível ter uma posição absoluta ou desligada da conexão espácio-temporal, na medida em que não existe uma única visão paradigmática, nem tão-pouco um único discurso para lá da globalização, como evidencia Conrad (2019) através da noção de entrelaçamento, que promove uma integração de várias estruturas que dão origem a mobilidades, à circulação, a interconexões e a transferências, com efeitos profundos na sociedade, como são reconhecidos pelos estudos pós-coloniais, a partir da valorização dos contextos locais e suas identidades, ou pelos estudos decoloniais que contestam “as implicações da epistemologia ocidental/colonial, que se pretende única e universal” (Pavan & Tedeschi, 2024, p. 1). Deste modo, os estudos pós-coloniais, pela perspetiva de Conrad (2017), permitem a compreensão quer das complexidades das interações, quer das dinâmicas de intercâmbio cultural, quer ainda das estruturas de poder colonial desiguais. [...] |
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| Autores principais: | Pacheco, José Augusto |
| Outros Autores: | Sousa, Joana Raquel Faria |
| Assunto: | Ciências Sociais::Ciências da Educação Educação de qualidade |
| Ano: | 2025 |
| País: | Portugal |
| Tipo de documento: | capítulo de livro |
| Tipo de acesso: | acesso aberto |
| Instituição associada: | Universidade do Minho |
| Idioma: | português |
| Origem: | RepositóriUM - Universidade do Minho |
| Resumo: | [Excerto] Introdução: As Primeiras Nações são realidades bem evidentes em diversos países colonizados ao longo de vários séculos, com destaque para o Canadá e para a Austrália. O mesmo se passa com o Brasil e com tantos outros países que têm povos originários, cujos pontos de vista sobre questões sociais, culturais e históricas devem ser incluídos no currículo da escolaridade obrigatória. Trata-se da defesa dos direitos de autodeterminação e soberania de comunidades indígenas que estão na base da formação de uma nação, reconhecendo-se não só a sua legitimação cultural e política, mas também o modo como tem sido discutida a cultura de reparação, que não fica unicamente por pedidos de desculpa às gerações afetadas ou pela devolução de bens culturais. Não podendo ser o colonialismo um assunto tabu, do qual não é conveniente falar, é essencialmente através da educação escolar que parte dessa reparação pode ser feita, inserindo-se no currículo temáticas sobre a compreensão intercultural e o respeito pelos direitos humanos, para além de uma abordagem crítica ao nível do conhecimento escolar. Mesmo ao nível da História, não é crível ter uma posição absoluta ou desligada da conexão espácio-temporal, na medida em que não existe uma única visão paradigmática, nem tão-pouco um único discurso para lá da globalização, como evidencia Conrad (2019) através da noção de entrelaçamento, que promove uma integração de várias estruturas que dão origem a mobilidades, à circulação, a interconexões e a transferências, com efeitos profundos na sociedade, como são reconhecidos pelos estudos pós-coloniais, a partir da valorização dos contextos locais e suas identidades, ou pelos estudos decoloniais que contestam “as implicações da epistemologia ocidental/colonial, que se pretende única e universal” (Pavan & Tedeschi, 2024, p. 1). Deste modo, os estudos pós-coloniais, pela perspetiva de Conrad (2017), permitem a compreensão quer das complexidades das interações, quer das dinâmicas de intercâmbio cultural, quer ainda das estruturas de poder colonial desiguais. [...] |
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