| Resumo: | O presente trabalho consiste numa análise histórica e morfológica ao conjunto edificado da Quinta de São Miguel localizado na freguesia de São Clemente de Sande em Guimarães. Esta residência senhorial fez parte do inventário de um morgadio instituído em 1430 por um cavaleiro e sua mulher. Atualmente, encontra-se parcialmente abandonada e num estado de degradação que ameaça comprometer o seu valor arquitetónico. Tendo a sua fundação acontecido possivelmente ainda na Idade Média, ela foi assumindo diferentes configurações ao longo dos séculos. Com o objetivo de fazer uma interpretação evolucional deste conjunto arquitetónico, ou seja, enquadrar cada uma das suas fases construtivas num período histórico-artístico e reconstituir os seus respetivos estratos arquitetónicos, foi realizada uma exaustiva pesquisa bibliográfica. A escassez de informação disponível relativa ao objeto, nomeadamente ao seu desenho, tornou necessária a realização dos levantamentos arquitetónico e fotográfico, que permitiram fixar o seu estado atual. O cruzamento de todos os dados recolhidos com os levantamentos, juntamente com a comparação com outros casos de contextos semelhantes e a análise de estudos sobre esta temática, permitiram a criação de uma linha cronológica que sintetiza as possíveis fases construtivas do objeto, e a sua integração na historiografia da arquitetura portuguesa. Numa parte final é feita uma reflexão sobre o conceito de património e a evolução dos procedimentos de intervenção sobre ele bem como a importância do reconhecimento e valorização da Casa de São Miguel. Com vista a ser também uma ferramenta de auxílio a futuras intervenções, é aqui apresentada uma síntese da investigação realizada expondo a relevância e significado dos elementos, constituintes deste conjunto, que lhe conferem valor patrimonial. Cada elemento tem uma história, comprovando a existência deste objeto em diferentes épocas, o que o torna único e com valor histórico e arquitetónico, sendo por isso importante motivar a sua preservação. |