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Humanizar a arqueologia industrial - Desigualdade, identidade e conflito na fábrica e as inter-relações no património arqueológico industrial do século XX

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Detalhes bibliográficos
Resumo:Esta tese sugere uma abordagem algo diferente à disciplina da arqueologia industrial. Partindo da análise de um conjunto de casos de estudo no contexto português, tem como objectivo discutir de que forma os vestígios materiais e imateriais presentes em fábricas e complexos industriais abandonados revelam as experiências, vivências e identidades dos trabalhadores que os utilizaram. Partindo dos enquadramentos teóricos da arqueologia comportamental e da arqueologia simétrica, constrói-se um quadro problematizador que valoriza a agência das materialidades e das práticas quotidianas, pondo em causa leituras redutoras que privilegiam apenas o ponto de vista técnico ou patrimonial. Os casos de estudo compreendem os espaços industriais da Lisnave, Fábrica de Pólvora de Vale de Milhaços, Companhia de Fiação de Crestuma, Robinson, Central Termoeléctrica de Sines, Ferro, SPEL, Metalgrupo e Fábrica de Bolachas de Alcântara. Estes, são analisados a partir das inscrições gráficas, objectos deixados e tradições que permaneceram. Através destas evidências, surgem temáticas como política, misoginia, desporto, memória do local de trabalho, higiene e segurança, religião, racismo, entretenimento e poesia vernacular. Estas manifestações permitem observar as fábricas como espaços produtivos e como lugares relacionais, permeados por práticas simbólicas, lutas sociais, resistências e formas de expressão identitária. Um dos contributos centrais desta investigação é também a atenção dada à mobilidade de matérias-primas, produtos acabados, técnicas, mão-de-obra e tradições, assim como a dimensão estruturante da industrialização e das paisagens operárias. Ao articular esta leitura com os quadros teóricos referidos, defende-se que a arqueologia industrial deve ser entendida como uma disciplina acronológica, onde as materialidades dialogam com memórias, afectos e conflitos presentes tanto em sociedades provectas como na sociedade actual. Assim, este trabalho pretende não apenas aprofundar o conhecimento sobre o mundo do trabalho industrial em Portugal, mas também contribuir para uma arqueologia mais inclusiva, crítica e comprometida com as vozes e experiências humanas que muitas vezes permanecem invisíveis nos discursos patrimoniais dominantes.
Autores principais:Sequeira, João Luís
Assunto:Arqueologia Industrial Património Industrial Identidades Operárias Industrial Archaeology Industrial Heritage Worker’s Identities
Ano:2026
País:Portugal
Tipo de documento:tese de doutoramento
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade do Minho
Idioma:português
Origem:RepositóriUM - Universidade do Minho
Descrição
Resumo:Esta tese sugere uma abordagem algo diferente à disciplina da arqueologia industrial. Partindo da análise de um conjunto de casos de estudo no contexto português, tem como objectivo discutir de que forma os vestígios materiais e imateriais presentes em fábricas e complexos industriais abandonados revelam as experiências, vivências e identidades dos trabalhadores que os utilizaram. Partindo dos enquadramentos teóricos da arqueologia comportamental e da arqueologia simétrica, constrói-se um quadro problematizador que valoriza a agência das materialidades e das práticas quotidianas, pondo em causa leituras redutoras que privilegiam apenas o ponto de vista técnico ou patrimonial. Os casos de estudo compreendem os espaços industriais da Lisnave, Fábrica de Pólvora de Vale de Milhaços, Companhia de Fiação de Crestuma, Robinson, Central Termoeléctrica de Sines, Ferro, SPEL, Metalgrupo e Fábrica de Bolachas de Alcântara. Estes, são analisados a partir das inscrições gráficas, objectos deixados e tradições que permaneceram. Através destas evidências, surgem temáticas como política, misoginia, desporto, memória do local de trabalho, higiene e segurança, religião, racismo, entretenimento e poesia vernacular. Estas manifestações permitem observar as fábricas como espaços produtivos e como lugares relacionais, permeados por práticas simbólicas, lutas sociais, resistências e formas de expressão identitária. Um dos contributos centrais desta investigação é também a atenção dada à mobilidade de matérias-primas, produtos acabados, técnicas, mão-de-obra e tradições, assim como a dimensão estruturante da industrialização e das paisagens operárias. Ao articular esta leitura com os quadros teóricos referidos, defende-se que a arqueologia industrial deve ser entendida como uma disciplina acronológica, onde as materialidades dialogam com memórias, afectos e conflitos presentes tanto em sociedades provectas como na sociedade actual. Assim, este trabalho pretende não apenas aprofundar o conhecimento sobre o mundo do trabalho industrial em Portugal, mas também contribuir para uma arqueologia mais inclusiva, crítica e comprometida com as vozes e experiências humanas que muitas vezes permanecem invisíveis nos discursos patrimoniais dominantes.

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