Publicação

Preparação académica, estatuto sociocultural, abordagens à aprendizagem e envolvimento académico : fatores de um modelo explicativo do rendimento académico no primeiro ano da universidade

Ver documento

Detalhes bibliográficos
Resumo:Os estudos que almejam identificar os fatores explicativos do (in)sucesso no ensino superior têm vindo a despertar um interesse crescente por parte de investigadores, docentes, estudantes, instituições de ensino superior, entidades governamentais e público em geral. Num contexto em mudança, com a criação de um Espaço Europeu do Ensino Superior e a implementação do Processo de Bolonha e com a crescente diversificação da população estudantil, torna-se importante compreender os fatores que influenciam os resultados académicos dos estudantes, no sentido de identificar caminhos que permitam promover a melhoria da qualidade das aprendizagens e maximizar o sucesso dos estudantes. Este estudo teve como principal objetivo analisar a viabilidade e estabilidade de um modelo explicativo do rendimento académico no primeiro ano do ensino superior, em dois momentos diferentes: no início e no final do primeiro semestre. Participaram nesta investigação duas amostras de estudantes do primeiro ano do ensino superior de uma universidade do grande Porto: 549 estudantes na Amostra 1 – início do semestre e 472 estudantes na Amostra 2 – final do semestre. Os dados foram analisados com recurso a modelos de equações estruturais, nos quais foram consideradas como variáveis latentes independentes ou de input a preparação académica dos estudantes (observada através da nota de candidatura e das competências linguísticas) e o seu estatuto sociocultural (observado através do capital cultural parental e do estatuto de estudante de primeira geração), como variáveis latentes mediadoras as abordagens à aprendizagem (observadas através das motivações e estratégias superficial e profunda) e o envolvimento académico (observado através do tempo de estudo e da assiduidade às aulas), e como variável dependente ou de output o rendimento académico no final do semestre. A análise de equações estruturais indicou que o modelo proposto obteve índices de ajustamento muito bons em ambos os momentos de recolha de dados, mostrando que constitui uma representação plausível da relação entre os construtos observados, apesar de se terem verificado diferenças nos coeficientes de regressão e na variância explicada do rendimento académico dos estudantes (61% no início e 44% no final do semestre). A preparação académica revelou-se importante na opção por uma abordagem profunda em detrimento da adoção de uma abordagem superficial, sobretudo no início do semestre. O estatuto sociocultural apresentou um papel irrelevante no início do semestre, no entanto, no final do semestre apresentou um impacto negativo na opção por uma abordagem superficial e positivo na opção por uma abordagem profunda. Verificou-se um impacto significativo das abordagens à aprendizagem no envolvimento académico e deste no rendimento académico, de acordo com dados disponíveis na literatura. Os resultados corroboram a ideia de que a primeira parte do primeiro semestre do primeiro ano constitui um período crítico para os estudantes e para a sua integração. São apresentadas e discutidas implicações para a prática educativa, assim como sugestões para investigações futuras.
Autores principais:Trigo, Maria Luísa da Mota Teixeira Ribeiro
Assunto:Preparação académica Estatuto sociocultural Abordagens à aprendizagem Envolvimento académico Rendimento académico Estudantes do primeiro ano Modelos de equações estruturais Academic preparation Sociocultural status Approaches to learning Academic involvement Academic achievement First-year students Structural equation modeling
Ano:2012
País:Portugal
Tipo de documento:tese de doutoramento
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade do Minho
Idioma:português
Origem:RepositóriUM - Universidade do Minho
Descrição
Resumo:Os estudos que almejam identificar os fatores explicativos do (in)sucesso no ensino superior têm vindo a despertar um interesse crescente por parte de investigadores, docentes, estudantes, instituições de ensino superior, entidades governamentais e público em geral. Num contexto em mudança, com a criação de um Espaço Europeu do Ensino Superior e a implementação do Processo de Bolonha e com a crescente diversificação da população estudantil, torna-se importante compreender os fatores que influenciam os resultados académicos dos estudantes, no sentido de identificar caminhos que permitam promover a melhoria da qualidade das aprendizagens e maximizar o sucesso dos estudantes. Este estudo teve como principal objetivo analisar a viabilidade e estabilidade de um modelo explicativo do rendimento académico no primeiro ano do ensino superior, em dois momentos diferentes: no início e no final do primeiro semestre. Participaram nesta investigação duas amostras de estudantes do primeiro ano do ensino superior de uma universidade do grande Porto: 549 estudantes na Amostra 1 – início do semestre e 472 estudantes na Amostra 2 – final do semestre. Os dados foram analisados com recurso a modelos de equações estruturais, nos quais foram consideradas como variáveis latentes independentes ou de input a preparação académica dos estudantes (observada através da nota de candidatura e das competências linguísticas) e o seu estatuto sociocultural (observado através do capital cultural parental e do estatuto de estudante de primeira geração), como variáveis latentes mediadoras as abordagens à aprendizagem (observadas através das motivações e estratégias superficial e profunda) e o envolvimento académico (observado através do tempo de estudo e da assiduidade às aulas), e como variável dependente ou de output o rendimento académico no final do semestre. A análise de equações estruturais indicou que o modelo proposto obteve índices de ajustamento muito bons em ambos os momentos de recolha de dados, mostrando que constitui uma representação plausível da relação entre os construtos observados, apesar de se terem verificado diferenças nos coeficientes de regressão e na variância explicada do rendimento académico dos estudantes (61% no início e 44% no final do semestre). A preparação académica revelou-se importante na opção por uma abordagem profunda em detrimento da adoção de uma abordagem superficial, sobretudo no início do semestre. O estatuto sociocultural apresentou um papel irrelevante no início do semestre, no entanto, no final do semestre apresentou um impacto negativo na opção por uma abordagem superficial e positivo na opção por uma abordagem profunda. Verificou-se um impacto significativo das abordagens à aprendizagem no envolvimento académico e deste no rendimento académico, de acordo com dados disponíveis na literatura. Os resultados corroboram a ideia de que a primeira parte do primeiro semestre do primeiro ano constitui um período crítico para os estudantes e para a sua integração. São apresentadas e discutidas implicações para a prática educativa, assim como sugestões para investigações futuras.