Publicação
A formação inicial de professores e as analogias: um estudo centrado em universidades moçambicanas
| Resumo: | No contexto de ensino e da aprendizagem, uma analogia pode ser concetualizada como uma comparação entre dois domínios do conhecimento, um que é familiar aos alunos e outro que lhe é desconhecido, mas que ele precisa entender. Apesar de as analogias serem uma faca de dois gumes, se usadas apropriadamente, elas podem desempenhar um valioso papel na facilitação da compreensão de conceitos científicos. Isto é especialmente verdadeiro no caso da química, que lida com conceitos associados a entidades sub-microscópicas, não passiveis de serem visualizados pelos alunos. Um exemplo de tais conceitos é o conceito de átomo, um conceito-chave de química, de cuja compreensão depende a aprendizagem de outros conceitos. As analogias podem facilitar a aprendizagem do conceito de átomo. No entanto, não se conhecem estudos sobre a formação facultada a futuros professores de química, nomeadamente moçambicanos, para ensinarem sobre o átomo com recurso a analogias. O objetivo geral desta investigação é avaliar a formação de futuros professores de química, de universidades moçambicanas, para o uso didático de analogias sobre o átomo e a estrutura atómica. Para alcançar este objetivo foram realizados três estudos, complementares, envolvendo professores e estudantes de uma licenciatura em ensino de química, de quatro universidades moçambicanas. O primeiro estudo recorreu a observação de aulas de dois professores de química geral de duas universidades (C e D), seguida de uma entrevista aos mesmos. Constatou-se que os professores usaram diferentes números de analogias nas suas aulas, algumas destas tinham problemas formais e científicos, usavam as analogias espontaneamente e afirmaram que não as planificavam, mas antes as inventavam quando sentiam que os alunos tinham dificuldade em compreender os conceitos. No segundo estudo foram entrevistados 11 professores de didática de química de quatro universidades (A, B, C e D). Verificou-se que os professores não abordavam a temática das analogias nas suas aulas e apresentavam algumas dificuldades concetuais bem como algum desconhecimento da temática. No terceiro estudo foram entrevistados 17 estudantes finalistas da licenciatura em causa, de duas universidades (C e D). Constatou-se que os estudantes não foram capazes de fazer uma análise crítica de duas analogias sobre o átomo, com problemas diversos, inseridas em manuais escolares de química. Em conclusão, pode-se afirmar-se que: os professores de química não estavam preparados para ensinar sobre o átomo com base em analogias; os professores de didática de química não tinham formação nem programas para ensinar os seus estudantes a ensinar química nas escolas secundárias com base em analogias; os estudantes não estavam preparados para ensinar química com recurso a analogias. Parece, portanto, necessário facultar formação aos professores e alterar os programas de didática de química, a fim de que contemplem a temática das analogias e os futuros professores sejam bem formados neste assunto. |
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| Autores principais: | Arão, José |
| Assunto: | analogias átomo didática de química formação inicial de professores química analogies atom chemistry education initial teacher education chemistry |
| Ano: | 2020 |
| País: | Portugal |
| Tipo de documento: | tese de doutoramento |
| Tipo de acesso: | acesso aberto |
| Instituição associada: | Universidade do Minho |
| Idioma: | português |
| Origem: | RepositóriUM - Universidade do Minho |
| Resumo: | No contexto de ensino e da aprendizagem, uma analogia pode ser concetualizada como uma comparação entre dois domínios do conhecimento, um que é familiar aos alunos e outro que lhe é desconhecido, mas que ele precisa entender. Apesar de as analogias serem uma faca de dois gumes, se usadas apropriadamente, elas podem desempenhar um valioso papel na facilitação da compreensão de conceitos científicos. Isto é especialmente verdadeiro no caso da química, que lida com conceitos associados a entidades sub-microscópicas, não passiveis de serem visualizados pelos alunos. Um exemplo de tais conceitos é o conceito de átomo, um conceito-chave de química, de cuja compreensão depende a aprendizagem de outros conceitos. As analogias podem facilitar a aprendizagem do conceito de átomo. No entanto, não se conhecem estudos sobre a formação facultada a futuros professores de química, nomeadamente moçambicanos, para ensinarem sobre o átomo com recurso a analogias. O objetivo geral desta investigação é avaliar a formação de futuros professores de química, de universidades moçambicanas, para o uso didático de analogias sobre o átomo e a estrutura atómica. Para alcançar este objetivo foram realizados três estudos, complementares, envolvendo professores e estudantes de uma licenciatura em ensino de química, de quatro universidades moçambicanas. O primeiro estudo recorreu a observação de aulas de dois professores de química geral de duas universidades (C e D), seguida de uma entrevista aos mesmos. Constatou-se que os professores usaram diferentes números de analogias nas suas aulas, algumas destas tinham problemas formais e científicos, usavam as analogias espontaneamente e afirmaram que não as planificavam, mas antes as inventavam quando sentiam que os alunos tinham dificuldade em compreender os conceitos. No segundo estudo foram entrevistados 11 professores de didática de química de quatro universidades (A, B, C e D). Verificou-se que os professores não abordavam a temática das analogias nas suas aulas e apresentavam algumas dificuldades concetuais bem como algum desconhecimento da temática. No terceiro estudo foram entrevistados 17 estudantes finalistas da licenciatura em causa, de duas universidades (C e D). Constatou-se que os estudantes não foram capazes de fazer uma análise crítica de duas analogias sobre o átomo, com problemas diversos, inseridas em manuais escolares de química. Em conclusão, pode-se afirmar-se que: os professores de química não estavam preparados para ensinar sobre o átomo com base em analogias; os professores de didática de química não tinham formação nem programas para ensinar os seus estudantes a ensinar química nas escolas secundárias com base em analogias; os estudantes não estavam preparados para ensinar química com recurso a analogias. Parece, portanto, necessário facultar formação aos professores e alterar os programas de didática de química, a fim de que contemplem a temática das analogias e os futuros professores sejam bem formados neste assunto. |
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