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O daytime televisivo em Portugal: uma análise ao papel do riso nos principais talk shows matinais

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Resumo:O uso das emoções como gratificação não é algo novo no daytime televisivo, nem tampouco nos estudos sobre essa realidade. Mas e o que dizer do caso específico de Portugal? Neste estudo, centrado nos talk shows matinais, foi possível contabilizar vários episódios com centenas de risos, sugerindo que essa é uma expressão emocional relevante para a realidade em análise. Partindo do pressuposto de que a televisão é mais do que um mero objeto, um vínculo social, no qual existe uma dinâmica de “dar e receber”, que papel se acredita que o riso tenha tido e continue a ter nesse já longo e razoavelmente estável “relacionamento” entre os conteúdos televisivos e as pessoas que os observam no período da manhã, em Portugal? (1) Num Ocidente profundamente influenciado pelo platonismo – onde o riso é visto como um sinal externo de uma fraqueza interna – poderão esses programas ter contribuído para uma espécie de “democratização” do ato de rir em solo nacional? (2) De que forma esse considerável número de risos aparenta estar hoje a ser usado e quão consciente mostra ser o seu uso, por parte dos principais intervenientes? (3) Em que medida o riso, nesses programas e não só, pode colocar problemas que suscitem a atenção por parte de quem o estuda? Com tais questões, de forma mais ou menos direta, como base, este estudo foi dividido em três partes fundamentais. A primeira parte, dividida em dois capítulos, procurou: (1) compreender a construção do conceito do riso de acordo com o modelo platónico e evolucionista; e (2) analisar o fenómeno do riso “de fora para dentro”, tendo em conta distintas alteraçõessociais e tecnológicas. A segunda parte, igualmente dividida em dois capítulos, visou: (1) uma ampla compreensão do fenómeno televisivo e das suas respetivas audiências; e (2) uma descodificação daquilo que é realmente o daytime, com um foco nos programas que nas últimas décadas ocuparam as manhãs da televisão portuguesa. A terceira parte, dividida em quatro capítulos, examinou: (1) o número de risos dos programas selecionados e dos seus principais intervenientes; (2) a diferença entre a realidade observável no televisor (muito riso) e aquela que não o é, no local das emissões; (3) o parecer dos entrevistados, distribuído por oito temáticas específicas associadas à realidade em análise; e, por fim, (4) a própria investigação, como um todo, tendo como base uma apreciação global dos três principais tópicos: o riso, o daytime televisivo e o papel do riso na primeira parte do daytime televisivo em contexto nacional.
Autores principais:Almeida, Abílio Renato Gomes
Assunto:Daytime televisivo Manhãs Riso Talk shows Laughter Mornings Daytime television
Ano:2022
País:Portugal
Tipo de documento:tese de doutoramento
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade do Minho
Idioma:português
Origem:RepositóriUM - Universidade do Minho
Descrição
Resumo:O uso das emoções como gratificação não é algo novo no daytime televisivo, nem tampouco nos estudos sobre essa realidade. Mas e o que dizer do caso específico de Portugal? Neste estudo, centrado nos talk shows matinais, foi possível contabilizar vários episódios com centenas de risos, sugerindo que essa é uma expressão emocional relevante para a realidade em análise. Partindo do pressuposto de que a televisão é mais do que um mero objeto, um vínculo social, no qual existe uma dinâmica de “dar e receber”, que papel se acredita que o riso tenha tido e continue a ter nesse já longo e razoavelmente estável “relacionamento” entre os conteúdos televisivos e as pessoas que os observam no período da manhã, em Portugal? (1) Num Ocidente profundamente influenciado pelo platonismo – onde o riso é visto como um sinal externo de uma fraqueza interna – poderão esses programas ter contribuído para uma espécie de “democratização” do ato de rir em solo nacional? (2) De que forma esse considerável número de risos aparenta estar hoje a ser usado e quão consciente mostra ser o seu uso, por parte dos principais intervenientes? (3) Em que medida o riso, nesses programas e não só, pode colocar problemas que suscitem a atenção por parte de quem o estuda? Com tais questões, de forma mais ou menos direta, como base, este estudo foi dividido em três partes fundamentais. A primeira parte, dividida em dois capítulos, procurou: (1) compreender a construção do conceito do riso de acordo com o modelo platónico e evolucionista; e (2) analisar o fenómeno do riso “de fora para dentro”, tendo em conta distintas alteraçõessociais e tecnológicas. A segunda parte, igualmente dividida em dois capítulos, visou: (1) uma ampla compreensão do fenómeno televisivo e das suas respetivas audiências; e (2) uma descodificação daquilo que é realmente o daytime, com um foco nos programas que nas últimas décadas ocuparam as manhãs da televisão portuguesa. A terceira parte, dividida em quatro capítulos, examinou: (1) o número de risos dos programas selecionados e dos seus principais intervenientes; (2) a diferença entre a realidade observável no televisor (muito riso) e aquela que não o é, no local das emissões; (3) o parecer dos entrevistados, distribuído por oito temáticas específicas associadas à realidade em análise; e, por fim, (4) a própria investigação, como um todo, tendo como base uma apreciação global dos três principais tópicos: o riso, o daytime televisivo e o papel do riso na primeira parte do daytime televisivo em contexto nacional.