Publicação
Youth and identity transformation in divided Cyprus: conflict, memory, and reconciliation
| Resumo: | A presente dissertação analisa a construção da identidade nacional no Chipre, no meio de décadas de instabilidade política e violência. Com especial incidência nas perceções das gerações mais jovens, discute a forma como a segregação étnico-nacional a longo prazo, o trauma coletivo e os discursos históricos concorrentes moldaram as identidades turco cipriota e grego cipriota. O estudo assenta numa perspetiva construtivista como quadro teórico principal, sendo apoiada pela Teoria da Identidade Social. Conceitos como nacionalismo banal, pós-memória e pós-trauma são mobilizados como ferramentas analíticas que aprofundam a compreensão da formação identitária e das dinâmicas intergrupais. A identidade é, assim, concebida como uma construção social dinâmica, moldada pela interação, pela memória coletiva e pelo contexto político em constante transformação. O estudo revela novas identidades híbridas e cívicas, que resistem a uma categorização étnica rígida e expressam um sentimento crescente de “Cipriotismo” partilhado como evidenciado pelo questionário em aberto com jovens cipriotas. Apesar dos obstáculos persistentes sob a forma de educação nacionalista, impasses políticos e divisão estrutural, os jovens cipriotas estão cada vez mais inclinados para a reconciliação e a coexistência. Neste sentido, o fosso entre gerações põe em evidência o potencial dos processos de paz bottom-up e o significado absoluto da ação dos jovens na reconstrução da identidade coletiva e no estabelecimento do diálogo. A dissertação contribui para a literatura mais alargada sobre identidade e conflito através da integração de conhecimentos teóricos e empíricos, realçando a transferência psicossocial do trauma e o potencial de transformação da identidade na negociação. Argumenta-se que, apesar da contestação contínua da identidade no Chipre, a evolução das identidades dos jovens oferece o potencial para a reconciliação e um futuro mais unificado. O estudo sublinha os imperativos da educação inclusiva, do contacto intercomunitário e da capacitação dos jovens nos esforços de construção da paz. Por último, este estudo afirma que a identidade em contextos de conflito, independentemente do grau de enraizamento no passado, pode ser moldada numa base para a paz e não para o conflito. |
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| Autores principais: | Santos, Mafalda Pereira Gorito dos |
| Assunto: | Identidade Transformação Conflito Juventude Chipre Grego Cipriota Turco Cipriota Cipriotismo Identity Transformation Conflict Youth Cyprus Greek Cypriot Turkish Cypriot Cypriotism/Cypriotness |
| Ano: | 2025 |
| País: | Portugal |
| Tipo de documento: | dissertação de mestrado |
| Tipo de acesso: | acesso aberto |
| Instituição associada: | Universidade do Minho |
| Idioma: | português |
| Origem: | RepositóriUM - Universidade do Minho |
| Resumo: | A presente dissertação analisa a construção da identidade nacional no Chipre, no meio de décadas de instabilidade política e violência. Com especial incidência nas perceções das gerações mais jovens, discute a forma como a segregação étnico-nacional a longo prazo, o trauma coletivo e os discursos históricos concorrentes moldaram as identidades turco cipriota e grego cipriota. O estudo assenta numa perspetiva construtivista como quadro teórico principal, sendo apoiada pela Teoria da Identidade Social. Conceitos como nacionalismo banal, pós-memória e pós-trauma são mobilizados como ferramentas analíticas que aprofundam a compreensão da formação identitária e das dinâmicas intergrupais. A identidade é, assim, concebida como uma construção social dinâmica, moldada pela interação, pela memória coletiva e pelo contexto político em constante transformação. O estudo revela novas identidades híbridas e cívicas, que resistem a uma categorização étnica rígida e expressam um sentimento crescente de “Cipriotismo” partilhado como evidenciado pelo questionário em aberto com jovens cipriotas. Apesar dos obstáculos persistentes sob a forma de educação nacionalista, impasses políticos e divisão estrutural, os jovens cipriotas estão cada vez mais inclinados para a reconciliação e a coexistência. Neste sentido, o fosso entre gerações põe em evidência o potencial dos processos de paz bottom-up e o significado absoluto da ação dos jovens na reconstrução da identidade coletiva e no estabelecimento do diálogo. A dissertação contribui para a literatura mais alargada sobre identidade e conflito através da integração de conhecimentos teóricos e empíricos, realçando a transferência psicossocial do trauma e o potencial de transformação da identidade na negociação. Argumenta-se que, apesar da contestação contínua da identidade no Chipre, a evolução das identidades dos jovens oferece o potencial para a reconciliação e um futuro mais unificado. O estudo sublinha os imperativos da educação inclusiva, do contacto intercomunitário e da capacitação dos jovens nos esforços de construção da paz. Por último, este estudo afirma que a identidade em contextos de conflito, independentemente do grau de enraizamento no passado, pode ser moldada numa base para a paz e não para o conflito. |
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