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Expectativas de agentes policiais sobre Big Data no sistema de policiamento e investigação criminal em Portugal

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Detalhes bibliográficos
Resumo:Uma característica marcante das sociedades digitais, com a proliferação de bases de dados e a intensificação de circulação de informação a uma escala global, é a proeminência do chamado “Big Data” – conjuntos massivos de dados, gerados e processados a velocidades elevadas e provenientes de diversas fontes, que desafiam as capacidades tradicionais de processamento de dados. Na presente investigação o principal objetivo é compreender e interpretar as expectativas dos membros da Polícia de Segurança Pública (PSP) e da Polícia Judiciária (PJ) em Portugal sobre Big Data no sistema de policiamento e investigação criminal, perspetivando-as como posicionamentos interativos e complexos, que conjugam elementos simbólicos, organizacionais e sociais, passíveis de mudanças ao longo do tempo. O debate público sobre o tema de Big Data divide-se entre a ênfase laudatória no seu caráter revolucionário ao nível do processamento e análise de dados e potenciais ganhos de eficácia e eficiência; e os receios em torno de riscos para os direitos humanos e liberdades civis, a possibilidade de viés, e a reprodução de desigualdades sociais e discriminação. Nesta tese, mobilizam-se conceitos que emergem da sociologia das expectativas, dos estudos sociais da ciência e da tecnologia, dos estudos sociais do trabalho policial e dos estudos da vigilância, numa linha analítica e interpretativa de pendor construtivista. Adotou-se uma metodologia qualitativa com base em entrevistas, observação etnográfica não estruturada de eventos, de redes sociais referentes a Big Data, e análise da regulação sobre o tema. Os resultados ilustram expectativas heterogéneas e fluídas que, embora inclinadas para o lado do “controlo”, se articulam estrategicamente com a faceta de “proteção” da sociedade. Os membros da PSP e da PJ dividem-se entre atitudes de abertura e posicionamentos de resistência face a Big Data, num processo complexo de negociação do ethos profissional. Esta tese, além de representar um estudo pioneiro em Portugal, discute as implicações sociais e éticas de Big Data no sistema de policiamento e investigação criminal.
Autores principais:Neiva, Laura
Assunto:Big Data Crime Ética Expectativas Polícia Ethics Expectations Police
Ano:2024
País:Portugal
Tipo de documento:tese de doutoramento
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade do Minho
Idioma:português
Origem:RepositóriUM - Universidade do Minho
Descrição
Resumo:Uma característica marcante das sociedades digitais, com a proliferação de bases de dados e a intensificação de circulação de informação a uma escala global, é a proeminência do chamado “Big Data” – conjuntos massivos de dados, gerados e processados a velocidades elevadas e provenientes de diversas fontes, que desafiam as capacidades tradicionais de processamento de dados. Na presente investigação o principal objetivo é compreender e interpretar as expectativas dos membros da Polícia de Segurança Pública (PSP) e da Polícia Judiciária (PJ) em Portugal sobre Big Data no sistema de policiamento e investigação criminal, perspetivando-as como posicionamentos interativos e complexos, que conjugam elementos simbólicos, organizacionais e sociais, passíveis de mudanças ao longo do tempo. O debate público sobre o tema de Big Data divide-se entre a ênfase laudatória no seu caráter revolucionário ao nível do processamento e análise de dados e potenciais ganhos de eficácia e eficiência; e os receios em torno de riscos para os direitos humanos e liberdades civis, a possibilidade de viés, e a reprodução de desigualdades sociais e discriminação. Nesta tese, mobilizam-se conceitos que emergem da sociologia das expectativas, dos estudos sociais da ciência e da tecnologia, dos estudos sociais do trabalho policial e dos estudos da vigilância, numa linha analítica e interpretativa de pendor construtivista. Adotou-se uma metodologia qualitativa com base em entrevistas, observação etnográfica não estruturada de eventos, de redes sociais referentes a Big Data, e análise da regulação sobre o tema. Os resultados ilustram expectativas heterogéneas e fluídas que, embora inclinadas para o lado do “controlo”, se articulam estrategicamente com a faceta de “proteção” da sociedade. Os membros da PSP e da PJ dividem-se entre atitudes de abertura e posicionamentos de resistência face a Big Data, num processo complexo de negociação do ethos profissional. Esta tese, além de representar um estudo pioneiro em Portugal, discute as implicações sociais e éticas de Big Data no sistema de policiamento e investigação criminal.