| Resumo: | Os estudos têm revelado, com frequência, a manifestação de comportamentos perturbados de vinculação por crianças institucionalizadas. Ao mesmo tempo, têm apontado diversos riscos associados a estas crianças que justificam a procura sistemática de entendimento deste fenómeno. Neste âmbito, há variáveis que carecem de estudo e outras que despoletam controvérsia no que concerne ao seu papel na explicação das formas atípicas de vinculação. Assim, definiu-se como objetivo principal desta investigação a procura de fatores etiológicos dos comportamentos perturbados de vinculação, com destaque para a contribuição das caraterísticas da crianças e dos cuidados. Para tal, recorreu-se a uma amostra de 60 crianças portuguesas, em idade pré-escolar, que vivem em meio institucional e respetivas cuidadoras. Para classificação da qualidade do vínculo entre ambas, os técnicos institucionais responderam ao Questionário de Identificação do Cuidador, sendo esta informação averiguada e validada, de seguida, pelos investigadores com base em observações naturalísticas. Utilizou-se, também, a Disturbances of Attachment Interview (Smyke & Zeanah, 1999) para a exploração da presença de sinais de comportamentos perturbados de vinculação na criança. As cuidadoras, para além de responderem a esta entrevista, preenchiam o Children’s Behavior Questionnaire (Rothbart, 2000) para avaliação do temperamento da criança e o Questionário ao Prestador de Cuidados que permitiu conhecer caraterísticas relativas aos cuidados e crenças das cuidadoras. Uma tarefa semi-estruturada (Soares et al., 2010) permitiu averiguar a qualidade da interação da cuidadora com a criança. Os resultados revelaram que as crianças que têm cuidador preferido apresentam menos comportamentos inibidos. Estes comportamentos também se associaram negativa e marginalmente à sensibilidade da cuidadora e à dimensão do temperamento controlo por esforço. Os comportamentos desinibidos encontraram-se negativamente associados à sensibilidade e negativa e marginalmente correlacionados com o número de dias de trabalho por semana da cuidadora. Ademais, menor afetividade negativa e maior extroversão associaram-se a menos comportamentos do tipo desinibido. Verificou-se, ainda, que as crianças do sexo masculino manifestavam mais distorções de base segura do que as do sexo feminino. Estas formas atípicas de vinculação encontraram-se marginalmente correlacionadas com a idade das crianças na avaliação, e significativamente relacionadas com o rácio e negativamente associadas à sensibilidade da cuidadora. A sensibilidade da cuidadora mostrou-se correlacionada com algumas das suas crenças, mas não com o temperamento da criança. Os resultados sugerem que os comportamentos perturbados de vinculação têm diferentes fatores etiológicos que envolvem caraterísticas dos cuidados e da criança. |