| Resumo: | Partindo dos grupos ativistas brasileiros, esta dissertação procurou compreender como é utilizado o espaço público em momentos de contestação e a sua relação com uma esfera política transnacional. O foco no Coletivo Andorinha e noutros grupos ativistas deu-se através de uma investigação etnográfica entre novembro de 2018 e junho de 2019, que visou explorar o surgimento do grupo, os seus objetivos e as suas formas de atuação. Através da participação nas reuniões e manifestações, juntamente com a realização de entrevistas aos membros do Coletivo Andorinha, mas também de alguns membros do Núcleo do Partido de Trabalhadores (PT) de Lisboa, Juventude do PT e Contra o Ódio-Pela Democracia, foi possível desenvolver os tópicos presentes na dissertação. O acompanhamento próximo e a transcrição extensiva das conversas, serviram como base para as discussões centrais, a relação do grupo com a rua, com o Brasil e com a luta internacional. É abordada a ocupação do espaço público, neste caso, a Praça Luís de Camões, através da importância que demonstra ter para o grupo, o papel central na ideia de resistência e como se transforma num momento de conexão entre os participantes, ajudando a criar a sensação de pertença entre todos os que ocupam aquele espaço público. A relação entre Lisboa e o Brasil é exposta nas várias ações e discursos, principalmente seguindo o objetivo de colocar na agenda política portuguesa as questões do Brasil. Desta forma, foi possível compreender a utilização do espaço público como lugar de excelência para a contestação e a esfera política transnacional como campo necessário para a existência do grupo. A presente dissertação parte assim de um trabalho antropológico feito num contexto migratório, com base empírica no meio urbano, onde as discussões dos interlocutores não se centram apenas no processo migratório, mas também numa problemática geral; a pertença a uma cidadania global. Uma pertença que extrapola a rua e a luta individual para se posicionar num projeto internacional de defesa da democracia. |