Publicação

A abordagem do vocativo em livros didáticos brasileiros dos anos finais do ensino fundamental

Ver documento

Detalhes bibliográficos
Resumo:Não obstante o proeminente uso do vocativo em situações interlocutivas diárias por parte de falantes e escritores, haja vista a seara de momentos comunicativos em que há demanda dos interlocutores em chamar ou destinar uma mensagem a outrem, esse recurso linguístico tem sido amiúde escanteado pela literatura linguística e pelos compêndios gramaticais. Na linguística brasileira, algumas pesquisas sobre o vocativo têm brotado no campo da Sociolinguística e da Semântica da Enunciação. Dessa feita, compete verificar como as coleções de livros didáticos de português que desembarcam nas escolas públicas brasileiras têm focalizado esse recurso linguístico e se têm incorporado contribuições científicas das áreas referidas. Nessa toada, o propósito geral da pesquisa é aventar inteligibilidades, embasado pelas proposições teórico-metodológicas da Pedagogia da Variação e da Semântica da Enunciação, sobre o tratamento conferido ao recurso linguístico vocativo nas seis coleções de livros didáticos de português destinados aos Anos Finais do Ensino Fundamental e aprovados pelo Programa Nacional do Livro Didático em 2020. Os subsídios teóricos em que se finca a pesquisa advêm de ponderações coetâneas para um ensino de língua portuguesa renovado, produtivo, qualificado (Antunes, 2014, 2015; Geraldi, 1984a, 1984b, 1991, 2009), da Sociolinguística brasileira e sua vertente pedagógica, a Pedagogia da Variação, (Bopp da Silva & Simioni, 2015; Bortoni-Ricardo, 2005; Faraco, 2015; Zilles & Faraco, 2015), da Semântica da Enunciação (Agustini, 2005; Dias & Zattar, 2017; Dias, 2020; Guimarães, 2011, 2016, 2018) e de estudos que focalizam a história e o estatuto contemporâneo do Livro Didático no Brasil (Batista, 2001, 2003; Bunzen, 2005; Rangel, 2002, 2003, 2015; Soares, 2012). Para tal, a pesquisa reveste-se metodologicamente de caráter qualitativo (Chizotti, 2006, Minayo, 2009), interpretativista (Moita Lopes, 1994) e documental (Sá-Silva, Almeida & Guindani, 2009; Silva et alii., 2009; Tílio, 2006). Procede-se à análise das seis coleções a partir do deslindamento do corpus por meio de doze perguntas categorizadoras, construídas a partir do arsenal teórico-epistemológico que subsidia a investigação. Tais perguntas contemplam se os livros didáticos, quando enfocam o recurso linguístico vocativo, são concernentes com as ponderações vigorantes no que tange ao Ensino de Língua Portuguesa, se estão em consonância com as prerrogativas da Pedagogia da Variação, e se estão em anuência com os preceitos da Semântica da Enunciação e suas ponderações para o ensino de português. Os resultados indicam que as seis coleções didáticas atenderam parcialmente ao que inquiriam as doze categorias de análise, estando relativamente em sintonia com os subterfúgios teóricos que arrimam a pesquisa. Assim, quando no tratamento do vocativo, notabilizaram-se aproximações e afastamentos das obras a um ensino produtivo e renovado de língua, que alia a formalidade à funcionalidade dos recursos linguísticos, que coloca o fenômeno da variabilidade como ponto de destaque e que não prescinde dos valores semântico-enunciativos dos elementos da língua. Cabe, portanto, que, em edições futuras, as coleções didáticas priorizem um aprimoramento do tratamento conferido ao vocativo, mais concatenado às disposições vigentes sobre ensino de português e sobre o vocativo em si, transpondo didaticamente a produção científica emergente sobre esse recurso linguístico.
Autores principais:Barbosa, Guilherme de Oliveira
Assunto:Ensino de Língua Portuguesa Livro Didático Pedagogia da Variação Semântica da Enunciação Vocativo Portuguese Language Teaching Textbook Pedagogy of Variation Semantics of Enunciation Vocative
Ano:2023
País:Portugal
Tipo de documento:dissertação de mestrado
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade Nova de Lisboa
Idioma:português
Origem:Repositório Institucional da UNL
Descrição
Resumo:Não obstante o proeminente uso do vocativo em situações interlocutivas diárias por parte de falantes e escritores, haja vista a seara de momentos comunicativos em que há demanda dos interlocutores em chamar ou destinar uma mensagem a outrem, esse recurso linguístico tem sido amiúde escanteado pela literatura linguística e pelos compêndios gramaticais. Na linguística brasileira, algumas pesquisas sobre o vocativo têm brotado no campo da Sociolinguística e da Semântica da Enunciação. Dessa feita, compete verificar como as coleções de livros didáticos de português que desembarcam nas escolas públicas brasileiras têm focalizado esse recurso linguístico e se têm incorporado contribuições científicas das áreas referidas. Nessa toada, o propósito geral da pesquisa é aventar inteligibilidades, embasado pelas proposições teórico-metodológicas da Pedagogia da Variação e da Semântica da Enunciação, sobre o tratamento conferido ao recurso linguístico vocativo nas seis coleções de livros didáticos de português destinados aos Anos Finais do Ensino Fundamental e aprovados pelo Programa Nacional do Livro Didático em 2020. Os subsídios teóricos em que se finca a pesquisa advêm de ponderações coetâneas para um ensino de língua portuguesa renovado, produtivo, qualificado (Antunes, 2014, 2015; Geraldi, 1984a, 1984b, 1991, 2009), da Sociolinguística brasileira e sua vertente pedagógica, a Pedagogia da Variação, (Bopp da Silva & Simioni, 2015; Bortoni-Ricardo, 2005; Faraco, 2015; Zilles & Faraco, 2015), da Semântica da Enunciação (Agustini, 2005; Dias & Zattar, 2017; Dias, 2020; Guimarães, 2011, 2016, 2018) e de estudos que focalizam a história e o estatuto contemporâneo do Livro Didático no Brasil (Batista, 2001, 2003; Bunzen, 2005; Rangel, 2002, 2003, 2015; Soares, 2012). Para tal, a pesquisa reveste-se metodologicamente de caráter qualitativo (Chizotti, 2006, Minayo, 2009), interpretativista (Moita Lopes, 1994) e documental (Sá-Silva, Almeida & Guindani, 2009; Silva et alii., 2009; Tílio, 2006). Procede-se à análise das seis coleções a partir do deslindamento do corpus por meio de doze perguntas categorizadoras, construídas a partir do arsenal teórico-epistemológico que subsidia a investigação. Tais perguntas contemplam se os livros didáticos, quando enfocam o recurso linguístico vocativo, são concernentes com as ponderações vigorantes no que tange ao Ensino de Língua Portuguesa, se estão em consonância com as prerrogativas da Pedagogia da Variação, e se estão em anuência com os preceitos da Semântica da Enunciação e suas ponderações para o ensino de português. Os resultados indicam que as seis coleções didáticas atenderam parcialmente ao que inquiriam as doze categorias de análise, estando relativamente em sintonia com os subterfúgios teóricos que arrimam a pesquisa. Assim, quando no tratamento do vocativo, notabilizaram-se aproximações e afastamentos das obras a um ensino produtivo e renovado de língua, que alia a formalidade à funcionalidade dos recursos linguísticos, que coloca o fenômeno da variabilidade como ponto de destaque e que não prescinde dos valores semântico-enunciativos dos elementos da língua. Cabe, portanto, que, em edições futuras, as coleções didáticas priorizem um aprimoramento do tratamento conferido ao vocativo, mais concatenado às disposições vigentes sobre ensino de português e sobre o vocativo em si, transpondo didaticamente a produção científica emergente sobre esse recurso linguístico.