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Blinding the ear: rethinking the control for transcutaneous auricular vagus nerve stimulation

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Detalhes bibliográficos
Resumo:Resumo: A estimulação transcutânea auricular do nervo vago (taVNS) é uma técnica não invasiva de neuromodulação que aplica impulsos elétricos em regiões da orelha inervadas pelo ramo auricular do nervo vago, nomeadamente a concha cimba (CC). Dada a participação do nervo vago em múltiplas funções fisiológicas – regulação autonómica, comportamento alimentar, motivação e processamento de recompensa – a taVNS tem sido proposta como uma intervenção promissora em várias condições neurológicas e psiquiátricas. Contudo, a evidência tem revelado resultados inconsistentes ou até contraditórios, o que poderá resultar da variabilidade dos protocolos experimentais utilizados. No entanto, a maioria dos estudos publicados careceu de uma avaliação adequada do efeito placebo e de marcadores biológicos específicos, o que põe em causa a interpretabilidade dos resultados, o que poderá explicar a variabilidade de resultados observada na literatura. Para clarificar estas questões, realizámos uma sequência de experiências com o objetivo de testar a eficácia do efeito placebo de condições de controlo habitualmente utilizadas na investigação em taVNS, avaliando sistematicamente se os participantes conseguiam diferenciar taVNS real (estimulação ativa da CC) de várias condições controlo. As condições de controlo foram inicialmente aplicadas separadamente na escafa e no lóbulo da orelha, regiões não inervadas pelo nervo vago. Numa segunda experiência, não foi administrada estimulação na CC na condição de controlo. Numa terceira abordagem experimental, utilizou-se como controlo a diminuição gradual da intensidade de estimulação até cessar, na CC. Medidas fisiológicas foram recolhidas em todas as sessões. Os resultados indicam que os participantes conseguiram distinguir entre locais de estimulação e identificar de forma fiável a taVNS real em comparação com condições de controlo sem estimulação elétrica. A utilização da abordagem de diminuição gradual da intensidade contribuiu para um controlo do efeito placebo eficaz entre sujeitos, mas não intra-sujeitos. Nenhuma das medidas fisiológicas analisadas – nomeadamente frequência cardíaca, variabilidade da frequência cardíaca, e níveis salivares de amilase e cortisol – revelou diferenças significativas que refletissem manipulação da atividade vagal. Esta investigação representa um contributo relevante para o aperfeiçoamento dos protocolos de taVNS, aumentando a fiabilidade dos resultados e apoiando a utilização futura desta técnica sem enviesamentos decorrentes de expectativas.
Autores principais:Santos, Bruna Filipa
Assunto:Transcutaneous auricular vagus nerve stimulation (taVNS) Ear stimulation locations Bological effects Control stimulation
Ano:2025
País:Portugal
Tipo de documento:dissertação de mestrado
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade Nova de Lisboa
Idioma:inglês
Origem:Repositório Institucional da UNL
Descrição
Resumo:Resumo: A estimulação transcutânea auricular do nervo vago (taVNS) é uma técnica não invasiva de neuromodulação que aplica impulsos elétricos em regiões da orelha inervadas pelo ramo auricular do nervo vago, nomeadamente a concha cimba (CC). Dada a participação do nervo vago em múltiplas funções fisiológicas – regulação autonómica, comportamento alimentar, motivação e processamento de recompensa – a taVNS tem sido proposta como uma intervenção promissora em várias condições neurológicas e psiquiátricas. Contudo, a evidência tem revelado resultados inconsistentes ou até contraditórios, o que poderá resultar da variabilidade dos protocolos experimentais utilizados. No entanto, a maioria dos estudos publicados careceu de uma avaliação adequada do efeito placebo e de marcadores biológicos específicos, o que põe em causa a interpretabilidade dos resultados, o que poderá explicar a variabilidade de resultados observada na literatura. Para clarificar estas questões, realizámos uma sequência de experiências com o objetivo de testar a eficácia do efeito placebo de condições de controlo habitualmente utilizadas na investigação em taVNS, avaliando sistematicamente se os participantes conseguiam diferenciar taVNS real (estimulação ativa da CC) de várias condições controlo. As condições de controlo foram inicialmente aplicadas separadamente na escafa e no lóbulo da orelha, regiões não inervadas pelo nervo vago. Numa segunda experiência, não foi administrada estimulação na CC na condição de controlo. Numa terceira abordagem experimental, utilizou-se como controlo a diminuição gradual da intensidade de estimulação até cessar, na CC. Medidas fisiológicas foram recolhidas em todas as sessões. Os resultados indicam que os participantes conseguiram distinguir entre locais de estimulação e identificar de forma fiável a taVNS real em comparação com condições de controlo sem estimulação elétrica. A utilização da abordagem de diminuição gradual da intensidade contribuiu para um controlo do efeito placebo eficaz entre sujeitos, mas não intra-sujeitos. Nenhuma das medidas fisiológicas analisadas – nomeadamente frequência cardíaca, variabilidade da frequência cardíaca, e níveis salivares de amilase e cortisol – revelou diferenças significativas que refletissem manipulação da atividade vagal. Esta investigação representa um contributo relevante para o aperfeiçoamento dos protocolos de taVNS, aumentando a fiabilidade dos resultados e apoiando a utilização futura desta técnica sem enviesamentos decorrentes de expectativas.