| Resumo: | A presente dissertação teve como principal eixo de investigação verificar o potencial dos Circuitos Curtos Agroalimentares como uma alternativa de abastecimento alimentar no meio urbano. Para tal, investigou-se duas iniciativas na cidade de Lisboa, a Cooperativa Fruta Feia e o PROVE. A investigação recolheu dados relativos à localização espacial dos núcleos de entrega e das áreas de produção, o perfil dos consumidores integrantes dos circuitos curtos pesquisados e às vantagens da adoção da prática para os territórios em estudo. Em termos metodológicos, a investigação conjuga uma abordagem quantitativa com uma abordagem qualitativa. A primeira abordagem procura quantificar o número de produtores, de consumidores e de cabazes entregues semanalmente, enquanto a segunda abordagem procura compreender o perfil dos consumidores, a sua motivação e a sua experiência. Neste sentido, foi selecionada uma amostra não-representativa dos consumidores, constituindo a mesma uma amostra exploratória, dentro da qual foram entrevistados 40 consumidores da Cooperativa Fruta Feia e 25 consumidores do PROVE. Após a recolha e análise dos dados verificou-se haver, em ambas as iniciativas, proximidade geográfica entre as áreas de produção, os núcleos de entrega e os locais de residências dos consumidores. Verificou-se também que o perfil dos participantes nas duas iniciativas, no que respeita ao rendimento mensal e à escolaridade, ainda representa um nicho de mercado, na medida em que não corresponde ao perfil mediano do consumidor lisboeta. Assim, pese embora as duas iniciativas em estudo abasteçam públicos e territórios específicos, considera-se que experiências semelhantes possam contribuir para novos modelos de abastecimento alimentar, com mudança das práticas de consumo e de valorização da agricultura local. Sendo certo que há um longo caminho para a sensibilização e definição de novas estratégias de abastecimento alimentar nas cidades, assim defende-se a criação de parcerias entre o setor público, privado e a sociedade civil para repensar o sistema alimentar dos territórios. |