Publicação
Pandemia no Brasil: desinformação, ideologias e crenças. Uma análise das perceções sobre desordem informacional durante a pandemia de COVID-19 no Brasil e a relação com a conduta política do presidente Jair Bolsonaro
| Resumo: | O primeiro ano de pandemia de COVID-19 trouxe mudanças não só na área da saúde, economia e políticas públicas como também na área da Comunicação. A preocupação em torno do vírus de efeitos ainda desconhecidos e o isolamento social fomentaram a busca por notícias. A pandemia mundial tomou conta dos noticiários e mobilizou agências de verificação de factos em torno do mesmo tema. Na esteira do excesso de informações, a desinformação ganhou espaço e o trabalho dos media tradicionais não só mostrou-se insuficiente, como passou a ser visto com desconfiança por parte do público. As informações, científicas ou não, estão inseridas num contexto polarizado politicamente no Brasil e, por mais que os conteúdos possam ser facilmente acessados por muitos brasileiros, alguns grupos tomam um lado do que acreditam ser a verdade, a despeito do trabalho dos jornalistas profissionais e até da Ciência. Esta dissertação tem o objetivo de entender os processos pelos quais as notícias sobre a COVID-19 são recebidas e validadas por eleitores do presidente Jair Bolsonaro. Neste sentido, a pesquisa busca responder a dois questionamentos: por que determinadas pessoas acreditam e validam desinformação sobre a COVID-19 mesmo com acesso a tantos meios de comunicação ou fontes sérias como a Organização Mundial da Saúde? E ainda: o discurso político do presidente Jair Bolsonaro pode promover a desinformação acerca da disseminação e tratamento da COVID-19? Os conceitos destacados no enquadramento teórico serviram como base para o estudo empírico que analisou quatro depoimentos de pessoas de 39 a 69 anos, brasileiras e declaradamente apoiadoras do presidente brasileiro. A estratégia metodológica escolhida foi a pesquisa qualitativa e posterior análise temática com o intuito de compreender os processos individuais de crenças e validação das informações acerca de COVID-19 e quais as influências são relevantes neste mecanismo. O estudo concluiu que o grupo analisado mudou hábitos de consumo durante a pandemia, de forma a contemplar suas crenças pré-existentes relacionadas às suas ideologias e ao próprio presidente Bolsonaro. Por mais que todas tenham fácil acesso à informação, as redes sociais, através dos “filtros bolha” e as “câmaras de eco” (D’Ancona, 2017 e Ireton, 2019) promovem a escassez de conteúdos variados o que contribui para a confirmar convicções. O estudo ainda mostrou que as principais declarações do presidente Bolsonaro no ano de 2020 influenciaram a forma de pensar e a escolha em quais conteúdos validar acerca da COVID-19 no Brasil. |
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| Autores principais: | Rodrigues, Dayanne |
| Assunto: | Brasil Covid-19 Jair Bolsonaro Desinformação Pandemic Disinformation Bolsonaro Information disorder Pandemia Desordem informacional |
| Ano: | 2022 |
| País: | Portugal |
| Tipo de documento: | dissertação de mestrado |
| Tipo de acesso: | acesso aberto |
| Instituição associada: | Universidade Nova de Lisboa |
| Idioma: | português |
| Origem: | Repositório Institucional da UNL |
| Resumo: | O primeiro ano de pandemia de COVID-19 trouxe mudanças não só na área da saúde, economia e políticas públicas como também na área da Comunicação. A preocupação em torno do vírus de efeitos ainda desconhecidos e o isolamento social fomentaram a busca por notícias. A pandemia mundial tomou conta dos noticiários e mobilizou agências de verificação de factos em torno do mesmo tema. Na esteira do excesso de informações, a desinformação ganhou espaço e o trabalho dos media tradicionais não só mostrou-se insuficiente, como passou a ser visto com desconfiança por parte do público. As informações, científicas ou não, estão inseridas num contexto polarizado politicamente no Brasil e, por mais que os conteúdos possam ser facilmente acessados por muitos brasileiros, alguns grupos tomam um lado do que acreditam ser a verdade, a despeito do trabalho dos jornalistas profissionais e até da Ciência. Esta dissertação tem o objetivo de entender os processos pelos quais as notícias sobre a COVID-19 são recebidas e validadas por eleitores do presidente Jair Bolsonaro. Neste sentido, a pesquisa busca responder a dois questionamentos: por que determinadas pessoas acreditam e validam desinformação sobre a COVID-19 mesmo com acesso a tantos meios de comunicação ou fontes sérias como a Organização Mundial da Saúde? E ainda: o discurso político do presidente Jair Bolsonaro pode promover a desinformação acerca da disseminação e tratamento da COVID-19? Os conceitos destacados no enquadramento teórico serviram como base para o estudo empírico que analisou quatro depoimentos de pessoas de 39 a 69 anos, brasileiras e declaradamente apoiadoras do presidente brasileiro. A estratégia metodológica escolhida foi a pesquisa qualitativa e posterior análise temática com o intuito de compreender os processos individuais de crenças e validação das informações acerca de COVID-19 e quais as influências são relevantes neste mecanismo. O estudo concluiu que o grupo analisado mudou hábitos de consumo durante a pandemia, de forma a contemplar suas crenças pré-existentes relacionadas às suas ideologias e ao próprio presidente Bolsonaro. Por mais que todas tenham fácil acesso à informação, as redes sociais, através dos “filtros bolha” e as “câmaras de eco” (D’Ancona, 2017 e Ireton, 2019) promovem a escassez de conteúdos variados o que contribui para a confirmar convicções. O estudo ainda mostrou que as principais declarações do presidente Bolsonaro no ano de 2020 influenciaram a forma de pensar e a escolha em quais conteúdos validar acerca da COVID-19 no Brasil. |
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