Publicação

Plantas medicinais tropicais e mediterrânicas compropriedades biocidas no controlo de insetos vetores de agentes patogénicos

Ver documento

Detalhes bibliográficos
Resumo:As parasitoses e as arboviroses têm um impacto social e económico considerável, em particular nos países tropicais e subtropicais. Problemas financeiros e de gestão, assim como as alterações ambientais, a resistência dos vetores aos inseticidas e dos agentes patogénicos aos fármacos, o aumento e respetiva mobilidade da população humana contribuíram não só para o incremento da prevalência de doenças transmitidas por vetores, como também para a sua emergência ou reemergência em novas regiões. O progressivo aumento de resistências nos insetos vetores tem levado à restrição progressiva da aplicação de inseticidas químicos e/ou à introdução de novos compostos sintéticos. O presente estudo surgiu da necessidade de desenvolver novas medidas de controlo vetorial, mais seguras para o ambiente, e consistiu na avaliação das propriedades biocidas de plantas medicinais tropicais e mediterrânicas, (Sambucus nigra, Melia azedarach, Azadirachta indica, Foeniculum vulgare e Mentha pulegium), bem como na avaliação da sua utilidade no controlo dos culicídeos vetores de agentes patogénicos da malária e arboviroses, nomeadamente, Anopheles arabiensis e Aedes aegypti, em Cabo Verde. Este trabalho englobou um conjunto de ações, nomeadamente a colheita, o processamento e o rastreio sobre alvos biológicos, de extratos vegetais e óleos essenciais (OE). Foram realizados extratos brutos de folhas de S. nigra, M. azedarach e A. indica com solventes de diferentes polaridades. Estes extratos foram posteriormente analisados por Cromatografia em Camada Fina e fracionados por Cromatografia em Coluna. Os OEs de M. pulegium e de F. vulgare, obtidos por hidrodestilação das partes aéreas ou por via comercial foram caraterizados qualitativamente e quantitativamente por Cromatografia Gasosa e Espetrometria de Massa e confirmada a identificação dos seus constituintes por Ressonância Magnética Nuclear. Os bioensaios inseticidas foram efetuados de acordo com os testes padronizados da Organização Mundial de Saúde. Os resultados foram analisados estatisticamente com recurso aos programas Microsoft Excel ® 2010 e SPSS® para Windows e aos testes estatísticos considerados relevantes. Quanto às três primeiras plantas referidas apenas o extrato de S. nigra revelou atividade em larvas do 3º estádio de Ae. aegypti. Estas são também mais suscetíveis ao OE de F. vulgare (amostras de Cabo Verde e Portugal respetivamente CL50= 23,3 e 28,2 μlL-1) comparativamente ao óleo de M. pulegium (amostras de Cabo Verde e Portugal respetivamente CL50= 136,1 e 107,3 μlL-1). Embora não se tenham registado diferenças altamente significativas entre as plantas em estudo, é de salientar que as concentrações necessárias para eliminar 50, 90 e 99% da população são menores quando se aplica o OE de F. vulgare. Quanto ao An. arabiensis optou-se por avaliar apenas o OE de F. vulgare, não tendo sido observadas diferenças significativas comparativamente a Ae. aegypti. Os resultados de bioensaios com os compostos ativos de ambas as espécies vegetais evidenciaram a existência de efeitos sinergistas. Os adultos demonstraram maior sensibilidade ao OE de F. vulgare de Cabo Verde. Este estudo permitiu uma caraterização química e avaliação de atividade de plantas de regiões geográficas que ainda não tinham sido estudadas com resultados bastante promissores.
Autores principais:ROCHA, Diara Kady Monteiro Vieira Lopes
Assunto:Aedes aegypti Plantas medicinais Ciências Biomédicas Parasitologia Médica Anopheles Controlo vetorial
Ano:2013
País:Portugal
Tipo de documento:tese de doutoramento
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade Nova de Lisboa
Idioma:português
Origem:Repositório Institucional da UNL
Descrição
Resumo:As parasitoses e as arboviroses têm um impacto social e económico considerável, em particular nos países tropicais e subtropicais. Problemas financeiros e de gestão, assim como as alterações ambientais, a resistência dos vetores aos inseticidas e dos agentes patogénicos aos fármacos, o aumento e respetiva mobilidade da população humana contribuíram não só para o incremento da prevalência de doenças transmitidas por vetores, como também para a sua emergência ou reemergência em novas regiões. O progressivo aumento de resistências nos insetos vetores tem levado à restrição progressiva da aplicação de inseticidas químicos e/ou à introdução de novos compostos sintéticos. O presente estudo surgiu da necessidade de desenvolver novas medidas de controlo vetorial, mais seguras para o ambiente, e consistiu na avaliação das propriedades biocidas de plantas medicinais tropicais e mediterrânicas, (Sambucus nigra, Melia azedarach, Azadirachta indica, Foeniculum vulgare e Mentha pulegium), bem como na avaliação da sua utilidade no controlo dos culicídeos vetores de agentes patogénicos da malária e arboviroses, nomeadamente, Anopheles arabiensis e Aedes aegypti, em Cabo Verde. Este trabalho englobou um conjunto de ações, nomeadamente a colheita, o processamento e o rastreio sobre alvos biológicos, de extratos vegetais e óleos essenciais (OE). Foram realizados extratos brutos de folhas de S. nigra, M. azedarach e A. indica com solventes de diferentes polaridades. Estes extratos foram posteriormente analisados por Cromatografia em Camada Fina e fracionados por Cromatografia em Coluna. Os OEs de M. pulegium e de F. vulgare, obtidos por hidrodestilação das partes aéreas ou por via comercial foram caraterizados qualitativamente e quantitativamente por Cromatografia Gasosa e Espetrometria de Massa e confirmada a identificação dos seus constituintes por Ressonância Magnética Nuclear. Os bioensaios inseticidas foram efetuados de acordo com os testes padronizados da Organização Mundial de Saúde. Os resultados foram analisados estatisticamente com recurso aos programas Microsoft Excel ® 2010 e SPSS® para Windows e aos testes estatísticos considerados relevantes. Quanto às três primeiras plantas referidas apenas o extrato de S. nigra revelou atividade em larvas do 3º estádio de Ae. aegypti. Estas são também mais suscetíveis ao OE de F. vulgare (amostras de Cabo Verde e Portugal respetivamente CL50= 23,3 e 28,2 μlL-1) comparativamente ao óleo de M. pulegium (amostras de Cabo Verde e Portugal respetivamente CL50= 136,1 e 107,3 μlL-1). Embora não se tenham registado diferenças altamente significativas entre as plantas em estudo, é de salientar que as concentrações necessárias para eliminar 50, 90 e 99% da população são menores quando se aplica o OE de F. vulgare. Quanto ao An. arabiensis optou-se por avaliar apenas o OE de F. vulgare, não tendo sido observadas diferenças significativas comparativamente a Ae. aegypti. Os resultados de bioensaios com os compostos ativos de ambas as espécies vegetais evidenciaram a existência de efeitos sinergistas. Os adultos demonstraram maior sensibilidade ao OE de F. vulgare de Cabo Verde. Este estudo permitiu uma caraterização química e avaliação de atividade de plantas de regiões geográficas que ainda não tinham sido estudadas com resultados bastante promissores.