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Representar a História: potencial e limites do documentário histórico na divulgação do passado

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Resumo:Este estudo pretende investigar as diversas modalidades que caracterizam o documentário histórico: quais as formas de representação da história através do documentário? De que forma o documentário histórico como género cinematográfico reproduz modelos narrativos associados à escrita da história? Qual o seu potencial e quais as suas limitações no que concerne à elaboração, pensamento e divulgação da história? Constituem, os filmes documentários, novos objectos de saber? Constituirão um real contributo para a historiografia? Enquanto na primeira parte se pretende determinar os principais parâmetros em que se baseia a teoria e a práxis do documentário, a segunda é inteiramente dedicada a uma análise sincrónica e diacrónica de um conjunto de documentários históricos produzidos em Portugal sobre a fase inicial da Guerra Colonial em Angola. Escolhemos este período chave da história contemporânea portuguesa devido à importância do evento não só para o regime político da altura como para toda a sociedade portuguesa. Da eclosão das hostilidades num teatro de guerra a cerca de 10.000 quilómetros de distância do continente, resulta para o governo uma tarefa principal: explicar à população portuguesa “por que nos batemos em Angola", como indica o título de uma exposição organizada em Agosto de 1961 pelo Secretariado Nacional de Informação. Deste problema base resultou uma enorme cobertura mediática não só nos diversos órgãos da imprensa, como também na rádio e na recém constituída Radiotelevisão Portuguesa. Constituímos para a nossa análise um corpo de cinco filmes documentais, dois dos quais produzidos no período anterior ao 25 de Abril e três no período posterior. Ambos os grupos estão, no entanto, ligados por um elo central: os documentários históricos produzidos na actualidade sobre o período em causa, por regra, fazem uso das imagens que integram estes dois filmes de propaganda colonial e militar, Angola — Decisão de Continuar e Nambuangongo — A Grande Arrancada. Este facto, permite-nos uma comparação diacrónica da reutilização destes imagens sob a perspectiva das mudanças que ocorrem no seu significado dentro de novos contextos. A determinação das continuidades e das fracturas na forma e no conteúdo que caracterizam os documentários será objecto da nossa análise. Partindo do postulado de que as formas cinematográficas são formas de pensamento tão válidas como as formas textuais, procura-se demonstrar com este estudo que o contributo do filme documentário para a construção da história pode ser tão válido como o instrumento tradicional da historiografia, o texto escrito. Considerando o seu papel na “divulgação do passado”, este estudo procura reflectir sobre a maneira como as formas audiovisuais da historiografia contribuem para moldar a memória histórica e quais os problemas que podem suscitar.
Autores principais:Schaefer, Ansgar
Assunto:Documentário histórico Teoria do Documentário Imagens de Arquivos Guerra Colonial Historiografia Propaganda Colonial
Ano:2014
País:Portugal
Tipo de documento:tese de doutoramento
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade Nova de Lisboa
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Origem:Repositório Institucional da UNL
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