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Ciberespaço, Feminismos e Interseccionalidade: O Movimento 8M entre Portugal e Brasil

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Resumo:Embora existam estudos sobre os feminismos e comunicação nos média tradicionais, a compreensão de como os movimentos feministas articulam sua comunicação interna e se conectam com seus públicos no ambiente digital é limitada, em particular, falta uma exploração comparativa da dinâmica ciberfeminista em diferentes contextos culturais, o que buscamos aqui colmatar. Para além disto, intentamos preencher uma lacuna significativa na literatura acerca da quarta vaga do movimento feminista, especialmente no contexto das redes sociais digitais. Portanto, esta investigação analisa a relação entre a interseccionalidade e a quarta vaga dos feminismos a partir das redes sociais digitais em diferentes contextos lusófonos, nomeadamente Portugal e Brasil, com foco no movimento transnacional 8M, frente de greve feminista internacional que se caracteriza como um dos principais movimentos dos feminismos contemporâneos. Nosso principal objetivo é compreender como a interseccionalidade está presente na construção de um movimento feminista plural sob cognição do ciberfeminismo, através da análise comparativa netnográfica das páginas de Instagram dos coletivos que organizam o 8M em ambos os países, entre os anos de 2021 e 2022, também considerando a pandemia de Covid-19. Atentando aos conceitos de conhecimento situado e lugar de fala, realizamos entrevistas com ativistas feministas a fim, ainda, de garantir visibilidade às vozes marginalizadas. Destacam-se como resultados mais relevantes: a consolidação do Instagram como principal plataforma utilizada pelas feministas; o WhatsApp como ferramenta prática de comunicação em ambos os países, ainda que se identifique um baixo nível de engajamento digital; a falta de comunicação direta entre os coletivos dos dois países, embora Portugal destaque o movimento feminista brasileiro, possivelmente pela conexão migratória. Em termos de temáticas, ainda que o 8M seja central em ambos os países, na página brasileira as discussões giram mais em torno de questões políticas, enquanto em Portugal o transfeminismo ganha destaque. As mulheres brancas se revelaram a identidade mais representada, enquanto as mulheres lésbicas são quase invisíveis nos conteúdos analisados. Constatamos que há uma discrepância na aplicação prática da interseccionalidade que, mesmo mencionada frequentemente, é aplicada de forma limitada, destacando o impacto da branquitude como sistema de dominação dentro do próprio movimento feminista. Assim, a principal contribuição desta tese está na crítica à branquitude nos feminismos, na proposta de uma abordagem interseccional situada como base fundamental à quarta vaga no âmbito do ciberfeminismo e na revitalização da noção de subalternidade a partir das vozes menos representadas, conceito que intitulamos Feminismos Marginalizados.
Autores principais:Barbosa, Camila Lamartine Mariz
Assunto:Interseccionalidade Quarta Vaga Feminista Ciberfeminismo Feminismo Branco Branquitude Movimento 8M Greve Feminista Internacional Intersectionality Fourth Wave Feminism Cyberfeminism White Feminism Whiteness 8M Movement International Feminist Strike
Ano:2025
País:Portugal
Tipo de documento:tese de doutoramento
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade Nova de Lisboa
Idioma:português
Origem:Repositório Institucional da UNL
Descrição
Resumo:Embora existam estudos sobre os feminismos e comunicação nos média tradicionais, a compreensão de como os movimentos feministas articulam sua comunicação interna e se conectam com seus públicos no ambiente digital é limitada, em particular, falta uma exploração comparativa da dinâmica ciberfeminista em diferentes contextos culturais, o que buscamos aqui colmatar. Para além disto, intentamos preencher uma lacuna significativa na literatura acerca da quarta vaga do movimento feminista, especialmente no contexto das redes sociais digitais. Portanto, esta investigação analisa a relação entre a interseccionalidade e a quarta vaga dos feminismos a partir das redes sociais digitais em diferentes contextos lusófonos, nomeadamente Portugal e Brasil, com foco no movimento transnacional 8M, frente de greve feminista internacional que se caracteriza como um dos principais movimentos dos feminismos contemporâneos. Nosso principal objetivo é compreender como a interseccionalidade está presente na construção de um movimento feminista plural sob cognição do ciberfeminismo, através da análise comparativa netnográfica das páginas de Instagram dos coletivos que organizam o 8M em ambos os países, entre os anos de 2021 e 2022, também considerando a pandemia de Covid-19. Atentando aos conceitos de conhecimento situado e lugar de fala, realizamos entrevistas com ativistas feministas a fim, ainda, de garantir visibilidade às vozes marginalizadas. Destacam-se como resultados mais relevantes: a consolidação do Instagram como principal plataforma utilizada pelas feministas; o WhatsApp como ferramenta prática de comunicação em ambos os países, ainda que se identifique um baixo nível de engajamento digital; a falta de comunicação direta entre os coletivos dos dois países, embora Portugal destaque o movimento feminista brasileiro, possivelmente pela conexão migratória. Em termos de temáticas, ainda que o 8M seja central em ambos os países, na página brasileira as discussões giram mais em torno de questões políticas, enquanto em Portugal o transfeminismo ganha destaque. As mulheres brancas se revelaram a identidade mais representada, enquanto as mulheres lésbicas são quase invisíveis nos conteúdos analisados. Constatamos que há uma discrepância na aplicação prática da interseccionalidade que, mesmo mencionada frequentemente, é aplicada de forma limitada, destacando o impacto da branquitude como sistema de dominação dentro do próprio movimento feminista. Assim, a principal contribuição desta tese está na crítica à branquitude nos feminismos, na proposta de uma abordagem interseccional situada como base fundamental à quarta vaga no âmbito do ciberfeminismo e na revitalização da noção de subalternidade a partir das vozes menos representadas, conceito que intitulamos Feminismos Marginalizados.

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