Publicação

Sensacionalismo no prime-time português

Ver documento

Detalhes bibliográficos
Resumo:Nos últimos anos muito se foi falado na comunicacão social portuguesa sobre o caráter mais sensacionalista dos canais generalistas, incrementado pela disputa de audiência com a CMTV. Este trabalho analisa o cenário das coberturas policiais nos telejornais do horário nobre dos principais canais generalistas de Por- tugal: RTP1, SIC e TVI, com o objetivo de compreender se houve um aumento deste tipo de abordagem. Partindo da discussão de conceitos como gatekeeping, valores-notícia, audiência, sensacionalismo e jornalismo policial, recorre-se às vertentes quantitativa e qualitativa da análise de conteúdo para proceder à investigação. Para formar um corpus consistente para a perceção das características evolutivas das coberturas policiais, estabeleceu-se o período de cinco anos. Assim, selecionou-se: a 1a segunda-feira do mês de Janeiro, a 1a terça-feira de Março, a 1a quarta-feira de Junho, a 1a quinta-feira de Setembro e a 1a sexta-feira de Novembro dos anos de 2012, 2013, 2014, 2015 e 2016, formando uma amostra com 25 edições de cada telejornal, totalizando 75 edições. São analisadas sete variáveis, que vão desde os principais temas cobertos, passando pelo destaque dado a cada um e pelo uso das fontes de informação na construção da narrativa. Nossos resultados mostram que RTP1, SIC e TVI mostram-se estabilizados quando se trata do número de notícias de “crime, lei e justiça” e “acidentes e desastres” presentes nos alinhamentos, com oscilações não significativas nos anos analisados. Em números absolutos, não se observa um aumento de cobertura policial nos alinhamentos dos jornais, mas nota-se um conjunto de estratégias para atrair o telespectador. A RTP1 aposta em formatos mais aprofundados de notícias, a SIC investe em destaques das pautas na abertura e ao longo da edição, e a TVI utiliza os discursos cheios de sentimentos de testemunhas como principal fonte de informação para a construção das narrativas.
Autores principais:Almeida, Caroline
Outros Autores:Alexandre, Ilo Aguiar Reginaldo
Assunto:Telejornal Crime Audiências Sensacionismo Portugal News show Audience Sensationalism SDG 16 - Peace, Justice and Strong Institutions
Ano:2021
País:Portugal
Tipo de documento:capítulo de livro
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade Nova de Lisboa
Idioma:português
Origem:Repositório Institucional da UNL
Descrição
Resumo:Nos últimos anos muito se foi falado na comunicacão social portuguesa sobre o caráter mais sensacionalista dos canais generalistas, incrementado pela disputa de audiência com a CMTV. Este trabalho analisa o cenário das coberturas policiais nos telejornais do horário nobre dos principais canais generalistas de Por- tugal: RTP1, SIC e TVI, com o objetivo de compreender se houve um aumento deste tipo de abordagem. Partindo da discussão de conceitos como gatekeeping, valores-notícia, audiência, sensacionalismo e jornalismo policial, recorre-se às vertentes quantitativa e qualitativa da análise de conteúdo para proceder à investigação. Para formar um corpus consistente para a perceção das características evolutivas das coberturas policiais, estabeleceu-se o período de cinco anos. Assim, selecionou-se: a 1a segunda-feira do mês de Janeiro, a 1a terça-feira de Março, a 1a quarta-feira de Junho, a 1a quinta-feira de Setembro e a 1a sexta-feira de Novembro dos anos de 2012, 2013, 2014, 2015 e 2016, formando uma amostra com 25 edições de cada telejornal, totalizando 75 edições. São analisadas sete variáveis, que vão desde os principais temas cobertos, passando pelo destaque dado a cada um e pelo uso das fontes de informação na construção da narrativa. Nossos resultados mostram que RTP1, SIC e TVI mostram-se estabilizados quando se trata do número de notícias de “crime, lei e justiça” e “acidentes e desastres” presentes nos alinhamentos, com oscilações não significativas nos anos analisados. Em números absolutos, não se observa um aumento de cobertura policial nos alinhamentos dos jornais, mas nota-se um conjunto de estratégias para atrair o telespectador. A RTP1 aposta em formatos mais aprofundados de notícias, a SIC investe em destaques das pautas na abertura e ao longo da edição, e a TVI utiliza os discursos cheios de sentimentos de testemunhas como principal fonte de informação para a construção das narrativas.