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O entretecer da fragilidade

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Detalhes bibliográficos
Resumo:O gesto, aplicado ao fio e ao tecido pela mão que borda, escreve a história imaginária da obra sem data, sem nome nem destinatário. O gesto tem a justa medida do fio e a força necessária ao entretecer. Subtil, mas enérgico. A mão é o suporte da trama ou do bilro que movimentam os dedos que narram. A agulha dilacera. Os materiais imprimem delicadeza ao bordado. O processo parece evocar precariedade e vulnerabilidade, contudo confere-lhe a robustez necessária à manutenção de uma fragilidade perene. A coisa bordada ou rendada insere-se no quotidiano doméstico, íntimo. Ela escapa à lei das heranças e flui para o feminino e para o lar. Convive com a memória, como uma trama tecida, bordada, feita, desfeita e refeita pelo tempo. Deteriora-se, mancha-se, rompe-se. Mas lava-se, coze-se, repara-se. Só a consciência da fragilidade a liberta do efémero e da banalidade, dando-lhe consistência e permanência.
Autores principais:Rito, Maria Teresa Perdigão Santos Oliveira
Outros Autores:Brito, Thaís
Assunto:Arte têxtil Memória Fragilidade Trama
Ano:2022
País:Portugal
Tipo de documento:artigo
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade Nova de Lisboa
Idioma:português
Origem:Repositório Institucional da UNL
Descrição
Resumo:O gesto, aplicado ao fio e ao tecido pela mão que borda, escreve a história imaginária da obra sem data, sem nome nem destinatário. O gesto tem a justa medida do fio e a força necessária ao entretecer. Subtil, mas enérgico. A mão é o suporte da trama ou do bilro que movimentam os dedos que narram. A agulha dilacera. Os materiais imprimem delicadeza ao bordado. O processo parece evocar precariedade e vulnerabilidade, contudo confere-lhe a robustez necessária à manutenção de uma fragilidade perene. A coisa bordada ou rendada insere-se no quotidiano doméstico, íntimo. Ela escapa à lei das heranças e flui para o feminino e para o lar. Convive com a memória, como uma trama tecida, bordada, feita, desfeita e refeita pelo tempo. Deteriora-se, mancha-se, rompe-se. Mas lava-se, coze-se, repara-se. Só a consciência da fragilidade a liberta do efémero e da banalidade, dando-lhe consistência e permanência.