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Conhecimentos, opiniões e atitudes face ao uso de mosquitos geneticamente modificados: estudo transversal em adultos residentes na cidade do Funchal, Madeira

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Resumo:A reintrodução do vírus da dengue na Madeira ou a emergência de outros agentes patogénicos com potencial epidémico como o vírus chikungunya, vírus do zika e outros serotipos do vírus da dengue podem ter impactos socioeconómicos e de saúde catastróficos para toda a Europa, pelo que existe uma necessidade urgente de novas estratégias de controlo vetorial que atuem de forma preventiva. As abordagens de modificação de mosquitos surgem como uma perspetiva inovadora, contudo, é necessário um maior investimento em termos de investigação que contribua para a construção de uma base científica sólida e ainda nas metodologias de envolvimento comunitário que constitui um requisito ético para a realização de ensaios de campo. O presente estudo tem como objetivo principal explorar numa perspetiva quantitativa os conhecimento, opiniões e atitudes da população madeirense no que concerne a uma hipotética utilização de mosquitos geneticamente modificados (MGM), de modo a identificar os principais desafios e grupos-alvo em termos de ações de sensibilização e de envolvimento comunitário. Foi realizado um estudo transversal que consistiu na aplicação de um questionário a adultos residentes em cinco freguesias, abaixo da cota dos 200 metros, na cidade do Funchal, Madeira. Após a análise estatística de uma amostra estratificada de 1270 indivíduos, observou-se que os inquiridos demonstram um nível de desconhecimento elevado no que diz respeito aos MGM (apenas 151 (11,9% IC a 95% [10,2; 13,8]) afirmam já ter ouvido falar de mosquitos geneticamente modificados), uma opinião tendencialmente negativa (cerca de 33 % dos inquiridos apresenta uma opinião moderadamente negativa) e uma atitude Anti-MGM (442, 37% dos participantes) , particularmente nas faixas etárias mais elevadas e nos indivíduos com um nível de escolaridade mais reduzido. Na eventualidade de se vir a realizar ensaios de campo que envolvam a libertação de MGM na Madeira, quer em contexto de investigação ou como medida preventiva de controlo vetorial, os investigadores e outras entidades com poder de decisão, deverão realizar um trabalho prévio de envolvimento comunitário que previna o insurgimento de oposição por parte das comunidades locais.
Autores principais:MARQUES, Bernardo Jorge Rodrigues
Assunto:Doenças tropicais Saúde tropical Mosquitos geneticamente modificados Ilha da Madeira
Ano:2022
País:Portugal
Tipo de documento:dissertação de mestrado
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade Nova de Lisboa
Idioma:português
Origem:Repositório Institucional da UNL
Descrição
Resumo:A reintrodução do vírus da dengue na Madeira ou a emergência de outros agentes patogénicos com potencial epidémico como o vírus chikungunya, vírus do zika e outros serotipos do vírus da dengue podem ter impactos socioeconómicos e de saúde catastróficos para toda a Europa, pelo que existe uma necessidade urgente de novas estratégias de controlo vetorial que atuem de forma preventiva. As abordagens de modificação de mosquitos surgem como uma perspetiva inovadora, contudo, é necessário um maior investimento em termos de investigação que contribua para a construção de uma base científica sólida e ainda nas metodologias de envolvimento comunitário que constitui um requisito ético para a realização de ensaios de campo. O presente estudo tem como objetivo principal explorar numa perspetiva quantitativa os conhecimento, opiniões e atitudes da população madeirense no que concerne a uma hipotética utilização de mosquitos geneticamente modificados (MGM), de modo a identificar os principais desafios e grupos-alvo em termos de ações de sensibilização e de envolvimento comunitário. Foi realizado um estudo transversal que consistiu na aplicação de um questionário a adultos residentes em cinco freguesias, abaixo da cota dos 200 metros, na cidade do Funchal, Madeira. Após a análise estatística de uma amostra estratificada de 1270 indivíduos, observou-se que os inquiridos demonstram um nível de desconhecimento elevado no que diz respeito aos MGM (apenas 151 (11,9% IC a 95% [10,2; 13,8]) afirmam já ter ouvido falar de mosquitos geneticamente modificados), uma opinião tendencialmente negativa (cerca de 33 % dos inquiridos apresenta uma opinião moderadamente negativa) e uma atitude Anti-MGM (442, 37% dos participantes) , particularmente nas faixas etárias mais elevadas e nos indivíduos com um nível de escolaridade mais reduzido. Na eventualidade de se vir a realizar ensaios de campo que envolvam a libertação de MGM na Madeira, quer em contexto de investigação ou como medida preventiva de controlo vetorial, os investigadores e outras entidades com poder de decisão, deverão realizar um trabalho prévio de envolvimento comunitário que previna o insurgimento de oposição por parte das comunidades locais.