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Aplicação de uma grade enunciativa : leitura da ode : "a nada imploram tuas mãos já coisas" de Ricardo Reis

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Detalhes bibliográficos
Resumo:Na constituição de uma lingüística do discurso, em que se concretiza a lingüística da parole prevista por Saussure nos seus cursos de Genève, surge um novo campo de grande fecundidade com a introdução da teoria da enunciação. A consideração dos parâmetros definidores da situação de enunciação vai permitir ultrapassar os limites da lingüística da língua que, fechada sobre o signo, avessa por preocupação metodológica a todo o elemento exterior ao sistema, bloqueava qualquer tentativa de construção duma teoria do discurso. Mas este ir além dos limites da língua não implica abandono do rigor científico que acompanhou a ruptura epístemológica saussuriana e guindou os estudos da linguagem ao lugar de ciência de pleno direito. Não há, como receia KUENTZ (1972), recuperação de um sujeito privilegiado por uma análise intuitiva e impressionista. A teoria da enunciação tem como objecto, não a parole saussuriana definida como «acto individual de vontade e inteligência» (CLG, p. 30) mas o conjunto das regras da enunciação, tão sociais na sua essência e independentes do indivíduo (CLG, p. 37), tão «produto de forças sociais» (CLG, p. 108), como a instituição social que ê a langue saussuriana e, como ela, existindo «em virtude de uma espécie de contrato passado entre os membros da comunidade » (CLG, p. 31).
Autores principais:Campos, Maria Henriqueta Costa
Assunto:Ricardo Reis
Ano:1980
País:Portugal
Tipo de documento:artigo
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade Nova de Lisboa
Idioma:português
Origem:Repositório Institucional da UNL
Descrição
Resumo:Na constituição de uma lingüística do discurso, em que se concretiza a lingüística da parole prevista por Saussure nos seus cursos de Genève, surge um novo campo de grande fecundidade com a introdução da teoria da enunciação. A consideração dos parâmetros definidores da situação de enunciação vai permitir ultrapassar os limites da lingüística da língua que, fechada sobre o signo, avessa por preocupação metodológica a todo o elemento exterior ao sistema, bloqueava qualquer tentativa de construção duma teoria do discurso. Mas este ir além dos limites da língua não implica abandono do rigor científico que acompanhou a ruptura epístemológica saussuriana e guindou os estudos da linguagem ao lugar de ciência de pleno direito. Não há, como receia KUENTZ (1972), recuperação de um sujeito privilegiado por uma análise intuitiva e impressionista. A teoria da enunciação tem como objecto, não a parole saussuriana definida como «acto individual de vontade e inteligência» (CLG, p. 30) mas o conjunto das regras da enunciação, tão sociais na sua essência e independentes do indivíduo (CLG, p. 37), tão «produto de forças sociais» (CLG, p. 108), como a instituição social que ê a langue saussuriana e, como ela, existindo «em virtude de uma espécie de contrato passado entre os membros da comunidade » (CLG, p. 31).