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A relação dos media com o mundo - e designadamente a relação específica com a "máquina" televisiva - é, no seu complexo campo reticular de produção de saber e fazer, simultaneamente desestabilizadora e apaziguadora, na medida em que a prosa precária que a televisão induz, emerge ora como momento fundador de visibilidade, ora como instmmento de verdade do qual não devem ser iludidos os seus dispositivos, os seus poderes e os seus limites. A televisão é, por excelência, uma máquina produtora de redundância, recicla continuamente o seu dispositivo e organiza no seu fluxo discursivo um novo espaço-tempo, uma visão do mundo generalista e compósita. Existe, por assim dizer, uma acção socializante do imaginário televisivo que se configura nos modelos estabilizados das suas "grelhas" de programação e das suas formas de representação do mundo, as quais conduzem, grosso modo, ao espectáculo de ritualização da cultura e da informação. Sintoma, cujo princípio de realidade se manifesta sem se autodesignar, isto é, trabalha num registo de ilusão naturalista e de criação de efeitos de legitimação tendo por horizonte de conhecimento o seu contrato de visibilidade e de credibilidade com o telespectador, em suma, um horizonte de acontecimento.
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