| Resumo: | Resumo Introdução: Estima-se que 37,7 milhões de pessoas vivam com o vírus da imunodeficiência humana (VIH), e embora muitos esforços tenham sido tomados este continua a ser um problema de saúde pública. Grande parte dos diagnósticos realizados na Europa são de migrantes oriundos de países com epidemia generalizada, como países da África Subsaariana e da América Latina. Em Portugal, dos diagnósticos que apresentam a informação do país de origem 40,4% são migrantes. O VIH apresenta diversos subtipos que diferem de acordo com a distribuição geográfica. A fim de identificar indivíduos em grupos de transmissão relacionados (clusters), métodos filogenéticos como as redes de transmissão são utilizados e proporcionam avaliação da propagação de vírus como o VIH, revelando epidemias que possuem origem em outros países. A elaboração de redes de transmissão do VIH-1 em migrantes de países de língua portuguesa – do Brasil ou de Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa (PALOPs) – pode auxiliar a melhor compreender a origem da infeção nesta população. Objetivo: Explorar a ligação epidemiológica do VIH-1 a fim de avaliar as características da dinâmica de clusters de transmissão filogenéticos, bem como identificar a possível origem da infeção do VIH-1 na população imigrante de Países de Língua Portuguesa acompanhada em Portugal. Materiais e métodos: Estudo transversal e descritivo. Foram coletadas sequências genómicas, dados sociodemográficos e clínicos de 772 imigrantes VIH-1 positivos acompanhados em Portugal entre 2001 e 2017. A construção dos clusters de transmissão do VIH-1 foi realizada com a aplicação de inferência filogenética de 772 sequências de imigrantes, além de 12.709 sequências de controlo de fundo global e 2.973 sequências controlo portuguesas, totalizando 16.454 indivíduos que foram cruzados com dados demográficos e clínicos. Os clusters de transmissão foram definidos com suporte de ramo >90% (SH-test), distância genética <3,5%, e a origem da infeção dos clusters foi determinada quando mais de 66% das amostras pertenciam a uma mesma origem geográfica. Modelos de regressão logística foram utilizados para avaliar os fatores associados às redes de transmissão na população do estudo. Resultados: Houve 306 (39,6%) imigrantes incluídos em clusters de transmissão. A proporção diferiu significativamente por região de origem: do total de imigrantes do Brasil 54% estavam em clusters contra 36% dos PALOPs (p<0.0001); o subtipo B correspondeu a 52% das infeções, seguido pelo G (43%) e CRF02_AG (32%) (p<0.001). Outros fatores relacionados a pertencer a um cluster de transmissão incluíram a contagem de linfócitos TCD4+ >500 células/mm3, ser originário do Brasil e o ano da amostra. Os imigrantes brasileiros representaram a maioria dos clusters do subtipo B, cujas infeções (40,6%) foram provenientes de portugueses. Imigrantes PALOPs representaram a maioria das infeções dos subtipos G e CRF02_AG, com a origem das transmissões ocorrendo na comunidade de imigrantes (53% e 80%), respetivamente. Conclusão: De acordo com o país de origem dos imigrantes a viver em Portugal a aquisição da infeção do VIH-1 é divergente. Os resultados podem contribuir na construção da rede de transmissão do VIH-1 em imigrantes de Portugal e auxiliar na monitorização da epidemia de VIH-1 e prevenir novas infeções deste vírus em migrantes. |