Publicação
Estudo sobre perceções de grupos de profissionais de uma Unidade de Cuidados Intensivos Polivalente, Aspetos facilitadores e inibidores da adesão à higiene das mãos
| Resumo: | Durante o processo de prestação dos cuidados de saúde pode ocorrer a transmissão de infeções denominadas por infeções associadas aos cuidados de Saúde (IACS’s). Estas podem estar na base da diminuição da capacidade funcional do doente, afetando a sua qualidade de vida e a dos seus familiares/pessoas significativas, para além de estarem associadas a um aumento dos dias de internamento hospitalar e a custos económicos acrescidos. Em Portugal, em 2012, a prevalência de IACS’s era de 10,6%. Nas Unidades de Cuidados Intensivos (UCI’s), este tipo de infeções pode aumentar de forma considerável a morbimortalidade dos doentes críticos. Estima-se que, por ano, na Europa, a mortalidade atribuível por IACS’s, seja de 37 000 pessoas/ano. A higiene das mãos é considerada a medida mais custo-efetiva na redução das IACS’s. A WHO (World Health Organization) foi responsável pela estratégia dos “Cinco Momentos” que inclui cinco situações, as quais correspondem às indicações ou tempos em que é mandatória a higiene das mãos na prática clínica: “Antes do contacto com o doente”; “Antes de procedimentos assépticos”; “Após risco de exposição a fluidos orgânicos”; “Após contacto com o doente” e “Após contacto com o ambiente envolvente do doente”. A observação de práticas dos vários profissionais, processos de reflexão crítica e pesquisa bibliográfica sobre estudos realizados em populações idênticas, serviram de motivação à escolha do objeto de estudo definido. Recorrendo a uma abordagem do tipo quantitativo, procurou-se conhecer os aspetos facilitadores e inibidores da adesão à higiene das mãos percecionados por três grupos de profissionais de saúde de uma UCI Polivalente. O método seguido foi o estudo de caso utilizando-se, como instrumento de colheita de dados, o questionário aplicado à população em estudo - 35 profissionais de saúde (entre os quais, médicos, enfermeiros e assistentes operacionais). A análise dos dados foi realizada através da Estatística Descritiva. Constatou-se que, apesar de os profissionais terem conhecimentos sobre as IACS’s, sentem dificuldades em incorporar as medidas preventivas das mesmas, na prestação de cuidados, devido a crenças pessoais e à necessidade de proteção pessoal. Verificou-se também que médicos, enfermeiros e assistentes operacionais variam no que toca às perceções da importância e impacto das IACS's. Existe uma correta perceção por parte dos profissionais acerca dos “momentos” de higiene das mãos que previnem a transmissão de microrganismos para o doente, mas por outro lado existe, em alguns profissionais, um conhecimento incorreto sobre os que previnem a transmissão de microrganismos para o profissional. Os “momentos” de higiene das mãos considerados como mais e menos fáceis para a adesão à higiene das mãos variaram entre grupos profissionais. Os obstáculos a este procedimento mais apontados pelos três grupos foram: “esquecimento, turno com mais trabalho, situações de emergência”. Ficaram a conhecer-se as atividades que os profissionais consideram mais eficazes no aumento da adesão à higiene das mãos, que irão permitir a renovação de estratégias de melhoria a implementar no local do estudo, no sentido de uma maior segurança dos doentes internados em estado crítico. |
|---|---|
| Autores principais: | MORGADO, Marta Isabel Ferreira |
| Assunto: | Saúde pública Cuidados de saúde Infeções associadas Higiene das mãos |
| Ano: | 2013 |
| País: | Portugal |
| Tipo de documento: | dissertação de mestrado |
| Tipo de acesso: | acesso aberto |
| Instituição associada: | Universidade Nova de Lisboa |
| Idioma: | português |
| Origem: | Repositório Institucional da UNL |
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A WHO (World Health Organization) foi responsável pela estratégia dos “Cinco Momentos” que inclui cinco situações, as quais correspondem às indicações ou tempos em que é mandatória a higiene das mãos na prática clínica: “Antes do contacto com o doente”; “Antes de procedimentos assépticos”; “Após risco de exposição a fluidos orgânicos”; “Após contacto com o doente” e “Após contacto com o ambiente envolvente do doente”. A observação de práticas dos vários profissionais, processos de reflexão crítica e pesquisa bibliográfica sobre estudos realizados em populações idênticas, serviram de motivação à escolha do objeto de estudo definido. Recorrendo a uma abordagem do tipo quantitativo, procurou-se conhecer os aspetos facilitadores e inibidores da adesão à higiene das mãos percecionados por três grupos de profissionais de saúde de uma UCI Polivalente. O método seguido foi o estudo de caso utilizando-se, como instrumento de colheita de dados, o questionário aplicado à população em estudo - 35 profissionais de saúde (entre os quais, médicos, enfermeiros e assistentes operacionais). A análise dos dados foi realizada através da Estatística Descritiva. Constatou-se que, apesar de os profissionais terem conhecimentos sobre as IACS’s, sentem dificuldades em incorporar as medidas preventivas das mesmas, na prestação de cuidados, devido a crenças pessoais e à necessidade de proteção pessoal. Verificou-se também que médicos, enfermeiros e assistentes operacionais variam no que toca às perceções da importância e impacto das IACS's. Existe uma correta perceção por parte dos profissionais acerca dos “momentos” de higiene das mãos que previnem a transmissão de microrganismos para o doente, mas por outro lado existe, em alguns profissionais, um conhecimento incorreto sobre os que previnem a transmissão de microrganismos para o profissional. Os “momentos” de higiene das mãos considerados como mais e menos fáceis para a adesão à higiene das mãos variaram entre grupos profissionais. Os obstáculos a este procedimento mais apontados pelos três grupos foram: “esquecimento, turno com mais trabalho, situações de emergência”. Ficaram a conhecer-se as atividades que os profissionais consideram mais eficazes no aumento da adesão à higiene das mãos, que irão permitir a renovação de estratégias de melhoria a implementar no local do estudo, no sentido de uma maior segurança dos doentes internados em estado crítico.engDuring the process of providing health care, transmission of health care associated infections (HCAI's) can occur. These can be the basis of the reduced functional capacity of the patient, affecting their quality of life and their families/ significant others, in addition to being associated with an increase in hospital days and increased economic costs. In Portugal, in 2012, the prevalence of HCAI's was 10,6%. In Intensive Care Units (ICU's), such infections can increase considerably the morbidity and mortality of critically ill patients. It is estimated that, each year, in Europe, mortality attributable to HCAI's, is 37 000 persons / year. Hand hygiene is considered the most cost-effective measure in reducing HCAI's. The WHO (World Health Organization) was responsible for the strategy of "Five Moments" which includes five situations, which correspond to the information or time in which is mandatory hand hygiene in clinical practice: "Before contact with the patient"; "Before aseptic procedures"; "After risk of exposure to body fluids"; "After contact with the patient" and "after contact with the environment of the patient". The observation of various professional practices, processes of critical reflection and literature on studies conducted in similar populations, provided the motivation for choosing the object defined study. Using a quantitative approach, tried to meet up the facilitators and inhibitors aspects of adherence to hand hygiene of three groups of health professionals of a polyvalent ICU. The method used was the case study using, as an instrument of data collection, the questionnaire used in a population - 35 health professionals (including, physicians, nurses and operating assistants). Data analysis was performed using descriptive statistics. It was found that, although professionals have knowledge about HCAIs's, have difficulty in incorporating preventive measures thereof, in care due to personal beliefs and the need for personal protection. It was also found that doctors, nurses and operating assistants range with regard to the significance and impact perceptions of HAI's. There is a correct perception among professionals about the "moments" of hand hygiene to prevent the transmission of microorganisms to the patient, but on the other hand there exists, in some professionals, an incorrect knowledge about those that prevent the transmission of microorganisms to professional. The “moments” of hand hygiene regarded as more or less easy for hand hygiene adherence varied between professional groups. The obstacles to this procedure most reported by the three groups were: "Oblivion, shift more work, emergency situations". 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