Publicação
Carbapenem resistance in veterinary healthcare and in sick companion animals
| Resumo: | Os carbapenemos são antibióticos de última linha em medicina humana e o seu uso é proibido em medicina veterinária, para que a sua utilização terapêutica continue a ser possível. Contudo, os níveis de resistência estão a aumentar mundialmente e têm surgido descrições de resistência a esta classe em animais de companhia. Na primeira parte desta tese, foi feita uma avaliação da prevalência de Enterobacterales produtores de carbapenemases em Portugal, provenientes de estirpes clínicas de animais companhia, assim como uma caracterização dos seus elementos genéticos móveis. Dos 977 isolados clínicos de Enterobacterales originários de um laboratório de diagnóstico veterinário, 261 isolados resistentes foram estudados e a sequenciação do genoma completo foi feita para estirpes produtoras de carbapenemases. A frequência observada foi de 0,51% (n=5/977) e incluiu uma Klebsiella pneumoniae ST273 produtora de OXA-181, duas K. pneumoniae ST147 produtoras de KPC-3, uma K. pneumoniae ST392 produtora de KPC-3 e uma Escherichia coli ST127 produtora de OXA-48. O gene blaKPC-3 encontrava-se no transposão Tn4401d em plasmídeos do tipo IncFIA e IncN, enquanto o gene blaOXA-181 encontrava-se num plasmídeo do tipo IncX3. Todos os plasmídeos e transposões eram homólogos aos descritos em medicina humana. Estas descobertas sugerem a ocorrência de uma disseminação horizontal destas bactérias de humanos para animais de companhia, realçando a importância de realizar o rastreio de resistência aos carbapenemos em laboratórios de diagnóstico veterinário e a implementação de medidas de prevenção e controlo de infeção (PCI) para que se evite a disseminação destas bactérias na comunidade. Com o aumento do número de animais de companhia por família, acompanhado pela evolução dos níveis de cuidados prestados em centros de atendimento médico-veterinários (CAMV), é expectável que o número de infeções nosocomiais provocadas por bactérias multirresistentes venha a aumentar, à semelhança do que ocorre em hospitais humanos. Contudo, contrariamente ao que existe em medicina humana, onde protocolos de PCI monitorizam o surgimento de bactérias multirresistentes no ambiente, em medicina veterinária a implementação destes protocolos está aquém do expectável. Assim, a avaliação do nível de contaminação ambiental e colonização das equipas foi realizada em diferentes CAMV em Portugal. Catorze CAMV foram avaliados, com amostragem de superfícies críticas e colheita de amostras nasais, retais e de mãos da equipa. Para todas as amostras, foram rastreadas bactérias Gram-negativas produtoras de beta-lactamases de espetro alargado e/ou carbapenemases. As concentrações mínimas inibitórias de imipenemo e meropenemo foram calculadas para bactérias produtoras de carbapenemases. A sequenciação do genoma completo foi feita para bactérias resistentes aos carbapenemos. A avaliação ambiental demonstrou que 6,5% das superfícies testadas estava contaminada com bactérias Gram-negativas multirresistentes, nomeadamente: i) um CAMV tinha Acinetobacter spp. produtor de OXA-23 (n=5); ii) outro CAMV tinha Pseudomonas juntendi produtora de IMP-8; iii) isolados de Stenotrophomonas maltophilia (n=12) e Pseudomonas aeruginosa (n=3) foram encontrados em várias superfícies de múltiplos CAMV. Estirpes de P. aeruginosa resistentes aos carbapenemos, que apresentavam mutações na porina OprD, foram isoladas de duas amostras retais e uma amostra de mãos. Estirpes de S. maltophilia foram encontradas no total de quatro amostras (duas retais, duas de mãos). Uma amostra nasal testou positivo para K. pneumoniae ST11 resistente aos carbapenemos por truncatura da OmpK36. Estes resultados apontam para o papel que os CAMV poderão ter na disseminação de bactérias multirresistentes. Adicionalmente, torna-se claro que é fundamental implementar protocolos de PCI, auditados com regularidade, em conjunto com workshops educacionais para estudantes e profissionais de medicina veterinária. Em conclusão, bactérias resistentes aos carbapenemos estão presentes em animais de companhia doentes e no ambiente dos CAMVs, evidenciando o papel que estes setores têm na disseminação destas bactérias no contexto da Uma Só Saúde. |
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| Autores principais: | SILVA, Joana Cabral Moreira da |
| Assunto: | Biologia molecular Microbiologia Carbapenemos Animais de companhia Medicina veterinária Bactérias gram-negativas |
| Ano: | 2025 |
| País: | Portugal |
| Tipo de documento: | tese de doutoramento |
| Tipo de acesso: | acesso aberto |
| Instituição associada: | Universidade Nova de Lisboa |
| Idioma: | inglês |
| Origem: | Repositório Institucional da UNL |
| Resumo: | Os carbapenemos são antibióticos de última linha em medicina humana e o seu uso é proibido em medicina veterinária, para que a sua utilização terapêutica continue a ser possível. Contudo, os níveis de resistência estão a aumentar mundialmente e têm surgido descrições de resistência a esta classe em animais de companhia. Na primeira parte desta tese, foi feita uma avaliação da prevalência de Enterobacterales produtores de carbapenemases em Portugal, provenientes de estirpes clínicas de animais companhia, assim como uma caracterização dos seus elementos genéticos móveis. Dos 977 isolados clínicos de Enterobacterales originários de um laboratório de diagnóstico veterinário, 261 isolados resistentes foram estudados e a sequenciação do genoma completo foi feita para estirpes produtoras de carbapenemases. A frequência observada foi de 0,51% (n=5/977) e incluiu uma Klebsiella pneumoniae ST273 produtora de OXA-181, duas K. pneumoniae ST147 produtoras de KPC-3, uma K. pneumoniae ST392 produtora de KPC-3 e uma Escherichia coli ST127 produtora de OXA-48. O gene blaKPC-3 encontrava-se no transposão Tn4401d em plasmídeos do tipo IncFIA e IncN, enquanto o gene blaOXA-181 encontrava-se num plasmídeo do tipo IncX3. Todos os plasmídeos e transposões eram homólogos aos descritos em medicina humana. Estas descobertas sugerem a ocorrência de uma disseminação horizontal destas bactérias de humanos para animais de companhia, realçando a importância de realizar o rastreio de resistência aos carbapenemos em laboratórios de diagnóstico veterinário e a implementação de medidas de prevenção e controlo de infeção (PCI) para que se evite a disseminação destas bactérias na comunidade. Com o aumento do número de animais de companhia por família, acompanhado pela evolução dos níveis de cuidados prestados em centros de atendimento médico-veterinários (CAMV), é expectável que o número de infeções nosocomiais provocadas por bactérias multirresistentes venha a aumentar, à semelhança do que ocorre em hospitais humanos. Contudo, contrariamente ao que existe em medicina humana, onde protocolos de PCI monitorizam o surgimento de bactérias multirresistentes no ambiente, em medicina veterinária a implementação destes protocolos está aquém do expectável. Assim, a avaliação do nível de contaminação ambiental e colonização das equipas foi realizada em diferentes CAMV em Portugal. Catorze CAMV foram avaliados, com amostragem de superfícies críticas e colheita de amostras nasais, retais e de mãos da equipa. Para todas as amostras, foram rastreadas bactérias Gram-negativas produtoras de beta-lactamases de espetro alargado e/ou carbapenemases. As concentrações mínimas inibitórias de imipenemo e meropenemo foram calculadas para bactérias produtoras de carbapenemases. A sequenciação do genoma completo foi feita para bactérias resistentes aos carbapenemos. A avaliação ambiental demonstrou que 6,5% das superfícies testadas estava contaminada com bactérias Gram-negativas multirresistentes, nomeadamente: i) um CAMV tinha Acinetobacter spp. produtor de OXA-23 (n=5); ii) outro CAMV tinha Pseudomonas juntendi produtora de IMP-8; iii) isolados de Stenotrophomonas maltophilia (n=12) e Pseudomonas aeruginosa (n=3) foram encontrados em várias superfícies de múltiplos CAMV. Estirpes de P. aeruginosa resistentes aos carbapenemos, que apresentavam mutações na porina OprD, foram isoladas de duas amostras retais e uma amostra de mãos. Estirpes de S. maltophilia foram encontradas no total de quatro amostras (duas retais, duas de mãos). Uma amostra nasal testou positivo para K. pneumoniae ST11 resistente aos carbapenemos por truncatura da OmpK36. Estes resultados apontam para o papel que os CAMV poderão ter na disseminação de bactérias multirresistentes. Adicionalmente, torna-se claro que é fundamental implementar protocolos de PCI, auditados com regularidade, em conjunto com workshops educacionais para estudantes e profissionais de medicina veterinária. Em conclusão, bactérias resistentes aos carbapenemos estão presentes em animais de companhia doentes e no ambiente dos CAMVs, evidenciando o papel que estes setores têm na disseminação destas bactérias no contexto da Uma Só Saúde. |
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