Publicação
Variação na mortalidade e na demora média do internamento por dia de admissão e de alta
| Resumo: | RESUMO - Não existem indicadores de rotina ou mesmo relatórios/ estudos sobre a organização do processo produtivo hospitalar, neste caso particular sobre o internamento, mas academicamente é admissível que existam diferenças no número de profissionais de saúde durante as 24 horas do dia, ou entre os diferentes dias da semana. As alterações esperadas a este nível durante o fim-de-semana tornam imperativa a necessidade de estudar o seu impacte sobre os resultados da prestação quer ao nível da saúde dos doentes, quer ao nível da sua eficiência. Este artigo visa ser um estudo exploratório acerca da produção e de dois resultados em saúde relevantes para os doentes, a mortalidade e a duração de internamento, em função dos dias de admissão ou de alta, embora a distribuição e a intensidade do trabalho não sejam analisadas e discutidas. Foram analisados todos os episódios de internamento nos hospitais públicos do Continente em 2006. Apurou-se o número de admissões em cada dia da semana, bem como a taxa de mortalidade e a demora média observadas para esses doentes. Os valores observados foram comparados com os esperados, estimados com base na probabilidade de morte ou duração do internamento previstas pelo Disease Staging e recalibradas aos dados portugueses. Para a análise do dia de alta procedeu-se da mesma forma. Os resultados indicam que se registou um excesso de 483 óbitos face ao esperado para os doentes admitidos entre 6ª feira e domingo. Na análise do dia da alta, constatou-se que 6712 óbitos que ocorreram ao sábado e domingo não eram esperados. No que se refere à demora média, os doentes com alta à segunda-feira registaram um excesso de 57 160 dias de internamento. O mais interessante de evidenciar é que o principal efeito do «período fim-de-semana» é encontrado na mortalidade e, neste particular, com especial intensidade na alta dos doentes, mesmo após o ajustamento pelo risco. A importância da mortalidade e da demora média para os diversos agentes envolvidos na prestação de cuidados e, em certos casos, a magnitude das diferenças encontradas tornam premente o aprofundamento do estudo da variação da actividade hospitalar ao longo da semana. |
|---|---|
| Autores principais: | Lopes, Sílvia |
| Outros Autores: | Costa, Carlos; Boto, Paulo |
| Assunto: | Mortalidade Demora média Dia de admissão Dia de alta Mortality Length of stay Admission day Discharge day |
| Ano: | 2008 |
| País: | Portugal |
| Tipo de documento: | artigo |
| Tipo de acesso: | acesso aberto |
| Instituição associada: | Universidade Nova de Lisboa |
| Idioma: | português |
| Origem: | Repositório Institucional da UNL |
| Resumo: | RESUMO - Não existem indicadores de rotina ou mesmo relatórios/ estudos sobre a organização do processo produtivo hospitalar, neste caso particular sobre o internamento, mas academicamente é admissível que existam diferenças no número de profissionais de saúde durante as 24 horas do dia, ou entre os diferentes dias da semana. As alterações esperadas a este nível durante o fim-de-semana tornam imperativa a necessidade de estudar o seu impacte sobre os resultados da prestação quer ao nível da saúde dos doentes, quer ao nível da sua eficiência. Este artigo visa ser um estudo exploratório acerca da produção e de dois resultados em saúde relevantes para os doentes, a mortalidade e a duração de internamento, em função dos dias de admissão ou de alta, embora a distribuição e a intensidade do trabalho não sejam analisadas e discutidas. Foram analisados todos os episódios de internamento nos hospitais públicos do Continente em 2006. Apurou-se o número de admissões em cada dia da semana, bem como a taxa de mortalidade e a demora média observadas para esses doentes. Os valores observados foram comparados com os esperados, estimados com base na probabilidade de morte ou duração do internamento previstas pelo Disease Staging e recalibradas aos dados portugueses. Para a análise do dia de alta procedeu-se da mesma forma. Os resultados indicam que se registou um excesso de 483 óbitos face ao esperado para os doentes admitidos entre 6ª feira e domingo. Na análise do dia da alta, constatou-se que 6712 óbitos que ocorreram ao sábado e domingo não eram esperados. No que se refere à demora média, os doentes com alta à segunda-feira registaram um excesso de 57 160 dias de internamento. O mais interessante de evidenciar é que o principal efeito do «período fim-de-semana» é encontrado na mortalidade e, neste particular, com especial intensidade na alta dos doentes, mesmo após o ajustamento pelo risco. A importância da mortalidade e da demora média para os diversos agentes envolvidos na prestação de cuidados e, em certos casos, a magnitude das diferenças encontradas tornam premente o aprofundamento do estudo da variação da actividade hospitalar ao longo da semana. |
|---|