| Resumo: | RESUMO - Enquadramento: As doenças respiratórias crónicas, nas quais se inclui a DPOC, apresentam elevada carga com custos substanciais para os sistemas de saúde pelo consumo de recursos que acarretam, e, pelo elevado peso para a sociedade resultante da soma dos custos diretos relacionados com a utilização dos serviços de saúde e dos seus custos indiretos relacionados com perda de produção e de qualidade de vida resultante da doença. Num contexto de escassez de recursos, os métodos de avaliação económica surgem como ferramentas fundamentais no processo de tomada de decisão em saúde pois fornecem uma base sólida e objetiva para uma alocação eficiente de recursos limitados. Considerando que a implementação de redes de espirometria tem surgido na literatura como uma abordagem promissora à avaliação objetiva da função pulmonar, diagnóstico, monitorização e estabilização da progressão da doença, o presente estudo propôs-se a avaliar se a existência de uma rede de espirometria de suporte ao percurso assistencial da pessoa com DPOC na Unidade Local de Saúde de São José, EPE. apresentaria uma relação custo-benefício mais vantajosa do que o modelo atual de prestação de cuidados. Metodologia: Foi realizado um estudo transversal, descritivo de carácter exploratório do tipo estudo de caso com recurso à metodologia de ACB na ULSSJ EPE com análise do impacto financeiro quer para a instituição quer para a sociedade na perspetiva dos utentes pela comparação dos custos e benefícios mediante dois cenários possíveis: o Cenário A que se refere ao modelo atual de prestação de cuidados e o Cenário B que inclui uma rede de espirometria descentralizada. Resultados: Utilizando a informação real disponível de 2023 e estimativas ajustadas para 2025 verificou-se que para a instituição ambos os cenários em análise apresentaram um benefício líquido negativo, respetivamente, -141479,8€ para o Cenário A e -155126,2€ para o B. Para os utentes o Cenário B apresentou um benefício líquido positivo de 8,1€ por exame realizado. Conclusões: Apesar dos seus resultados, o cenário B surge como o mais favorável em ambas as perspetivas pelas poupanças que parecem gerar. As limitações identificadas neste trabalho sugerem que se deva aprofundar outros benefícios como os indiretos relacionados com a perda de produtividade de utentes e cuidadores. |