Publicação
Conhecimentos, atitudes e práticas de prevenção sobre Zika da população embarcada em navios da Marinha portuguesa
| Resumo: | INTRODUÇÃO: O vírus Zika (ZIKV) foi isolado pela primeira vez em humanos em 1952, no Uganda e Tanzânia. A doença manteve baixa incidência até 2007, quando ocorreu o primeiro surto em humanos na Micronésia. Em 2016, face ao aumento significativo do número de casos confirmados de Zika no Brasil e à associação de microcefalia e distúrbios neurológicos à infeção, a Organização Mundial de Saúde declarou a Zika como Emergência de Saúde Pública de Importância Internacional. Em Portugal há registo de 19 casos, todos importados, com associação de microcefalia no último caso. O ZIKV é transmitido principalmente por picada do mosquito Aedes aegypti (estabelecido na Ilha da Madeira, Portugal), podendo também ser transmitido por via sexual e por transmissão vertical. A infeção provoca quadro clínico inespecífico com febre baixa (37,8-38,5°C), conjuntivite não purulenta, exantema maculopapular, cefaleias e artralgias; com cerca de 80% dos casos são assintomáticos. Face ao grande empenhamento operacional da Marinha Portuguesa em múltiplas missões internacionais e ao constante fluxo intercontinental dos militares embarcados, esta população pode estar em risco para aquisição da infeção com possibilidade de transmissão posterior no país de origem. Esta dissertação teve como objetivo a caracterização dos conhecimentos dos militares embarcados da Marinha Portuguesa sobre conhecimentos, atitudes e práticas acerca da infeção por ZIKV. MÉTODOS: Foi aplicado, de Setembro a Dezembro 2018, um questionário autopreenchido, com questões de resposta aberta ou fechada, aos militares da Marinha Portuguesa antes de partirem em missão para zonas endémicas de Zika e após o seu regresso. RESULTADOS: Participaram no estudo 256 indivíduos, idade média 31 anos, 83.9% do género masculino, 63.1% com 12º ano escolaridade, 69,1% refere já ter ouvido falar de Zika. Fonte de informação preferida: 88% TV, rádio, jornais e posters. Transmissão: 95% indica a picada de mosquito, 31.9% a transmissão sexual, 33% a transmissão vertical. Prevenção: 90.4% indicam o uso de repelente, 75.3% desconhece a ocorrência de transmissão em relações sexuais desprotegidas com pessoa infetada assintomática e apenas 43.7% considera a utilização de preservativo como forma de evitar a infeção. Quadro clínico: 86.1% e 78,9 desconhecem conjuntivite e eritema maculopapular como um sintoma da doença, respetivamente. Complicações: 64% reconhecem microcefalia, mas apenas 12.8% associa Síndrome de Guillain-Barré à infeção. Atitudes: Participantes demonstram baixa atitude para a possibilidade de infeção durante as missões. Género masculino apresenta atitude mais positiva quando comparado com o feminino, relativamente à utilização de preservativo durante a gravidez, aquando o regresso de missão. CONCLUSÃO: Os resultados indicam conhecimento geral incompleto sobre a infeção por ZIKV, atitude média e fraca implementação de práticas preventivas. É fulcral a intervenção precoce e a mudança de paradigma por parte dos profissionais de saúde da Marinha Portuguesa, no sentido de promoverem a aquisição de conhecimentos e a adesão a boas práticas preventivas no decurso das missões, ajustados às atuais tendências de comunicação e que avance no sentido da Saúde ir ao encontro do indivíduo. |
|---|---|
| Autores principais: | FARIA, João Paulo Fernandes |
| Assunto: | Saúde tropical Zika Surto de Zika OMS Saúde pública Marinha portuguesa Pré-missão Pós-missão Portugal |
| Ano: | 2019 |
| País: | Portugal |
| Tipo de documento: | dissertação de mestrado |
| Tipo de acesso: | acesso aberto |
| Instituição associada: | Universidade Nova de Lisboa |
| Idioma: | português |
| Origem: | Repositório Institucional da UNL |
| Resumo: | INTRODUÇÃO: O vírus Zika (ZIKV) foi isolado pela primeira vez em humanos em 1952, no Uganda e Tanzânia. A doença manteve baixa incidência até 2007, quando ocorreu o primeiro surto em humanos na Micronésia. Em 2016, face ao aumento significativo do número de casos confirmados de Zika no Brasil e à associação de microcefalia e distúrbios neurológicos à infeção, a Organização Mundial de Saúde declarou a Zika como Emergência de Saúde Pública de Importância Internacional. Em Portugal há registo de 19 casos, todos importados, com associação de microcefalia no último caso. O ZIKV é transmitido principalmente por picada do mosquito Aedes aegypti (estabelecido na Ilha da Madeira, Portugal), podendo também ser transmitido por via sexual e por transmissão vertical. A infeção provoca quadro clínico inespecífico com febre baixa (37,8-38,5°C), conjuntivite não purulenta, exantema maculopapular, cefaleias e artralgias; com cerca de 80% dos casos são assintomáticos. Face ao grande empenhamento operacional da Marinha Portuguesa em múltiplas missões internacionais e ao constante fluxo intercontinental dos militares embarcados, esta população pode estar em risco para aquisição da infeção com possibilidade de transmissão posterior no país de origem. Esta dissertação teve como objetivo a caracterização dos conhecimentos dos militares embarcados da Marinha Portuguesa sobre conhecimentos, atitudes e práticas acerca da infeção por ZIKV. MÉTODOS: Foi aplicado, de Setembro a Dezembro 2018, um questionário autopreenchido, com questões de resposta aberta ou fechada, aos militares da Marinha Portuguesa antes de partirem em missão para zonas endémicas de Zika e após o seu regresso. RESULTADOS: Participaram no estudo 256 indivíduos, idade média 31 anos, 83.9% do género masculino, 63.1% com 12º ano escolaridade, 69,1% refere já ter ouvido falar de Zika. Fonte de informação preferida: 88% TV, rádio, jornais e posters. Transmissão: 95% indica a picada de mosquito, 31.9% a transmissão sexual, 33% a transmissão vertical. Prevenção: 90.4% indicam o uso de repelente, 75.3% desconhece a ocorrência de transmissão em relações sexuais desprotegidas com pessoa infetada assintomática e apenas 43.7% considera a utilização de preservativo como forma de evitar a infeção. Quadro clínico: 86.1% e 78,9 desconhecem conjuntivite e eritema maculopapular como um sintoma da doença, respetivamente. Complicações: 64% reconhecem microcefalia, mas apenas 12.8% associa Síndrome de Guillain-Barré à infeção. Atitudes: Participantes demonstram baixa atitude para a possibilidade de infeção durante as missões. Género masculino apresenta atitude mais positiva quando comparado com o feminino, relativamente à utilização de preservativo durante a gravidez, aquando o regresso de missão. CONCLUSÃO: Os resultados indicam conhecimento geral incompleto sobre a infeção por ZIKV, atitude média e fraca implementação de práticas preventivas. É fulcral a intervenção precoce e a mudança de paradigma por parte dos profissionais de saúde da Marinha Portuguesa, no sentido de promoverem a aquisição de conhecimentos e a adesão a boas práticas preventivas no decurso das missões, ajustados às atuais tendências de comunicação e que avance no sentido da Saúde ir ao encontro do indivíduo. |
|---|