| Resumo: | Introdução: As parasitoses intestinais são consideradas um grave problema de saúde pública, sobretudo nos países em desenvolvimento, onde o clima é favorável e as condições de higiene e saneamento são precárias. Pretendeu-se com este estudo avaliar a prevalência das parasitoses intestinais e sua associação com determinantes socioeconómicos, comportamentais e demográficos em crianças dos 5 aos 12 anos a frequentar a escola primária numa zona rural e numa zona urbana da província de Cabinda, Angola. Material e Métodos: Foi realizado um estudo transversal, exploratório, observacional, analítico e comparativo. A colheita de dados realizou-se entre Setembro e Outubro de 2010. A amostra foi constituída por 231 crianças, sendo 77 da zona rural e 154 da zona urbana. Realizou-se a detecção microscópica de parasitas intestinais. Para a avaliação dos determinantes socioeconómicos, comportamentais e demográficos utilizou-se um questionário específico para este estudo e o mesmo foi testado numa população com as mesmas características. Resultados: A prevalência de parasitas intestinais patogénicos foi de 84,4% (65/77) nas crianças da zona rural e de 44,8% (69/154) nas crianças da zona urbana. A ordem das prevalências na zona rural e urbana foi: G. lamblia (26,0% vs 31,2%), T. trichiura (54,5% vs 9,7%), Ancilostomídeos (39,0% vs 0,6%), A. lumbricoides (27,3% vs 8,4%), S. stercoralis (11,7% vs 0,6%) e H. nana (5,2% vs 1,9). Na zona rural observou-se que as crianças cujos cuidadores não lavam as mãos com água e sabão antes de preparar as refeições têm uma maior probabilidade de ter infecção com parasitas intestinais patogénicos (OR:28,568; IC95%: 2,275-58,798). Na zona urbana, verificou-se que o comportamento do cuidador de não lavar as mãos com água e sabão quando sai da casa de banho aumenta a probabilidade das crianças ter infecção com parasitas intestinais patogénicos (OR:10,260; IC95%: 1,968-53,493). Nesta zona verificou-se ainda que consumir água sem tratar com lixívia aumenta a probabilidade das crianças ter infecção com parasitas intestinais patogénicos (OR: 3,155; IC95%:1,054-9,445). Conclusão: Neste estudo verificamos que em zonas diferentes a prevalência de parasitas intestinais pode ser explicada pelos hábitos de higiene, nomeadamente os comportamentos do cuidador em não lavar as mãos antes de preparar as refeições e depois de sair da casa de banho, bem como o consumo de água canalizada sem tratamento com lixívia. Diante destes resultados, sugerem-se estudos que avaliem também a prevalência destes parasitas nos cuidadores e incluam dados sobre a avaliação antropométrica e nutricional das crianças com vista a estudar de que forma estas são afectadas. Sugere-se igualmente uma reelaboração dos tradicionais programas de prevenção habitualmente utilizados. |