| Resumo: | A necessidade de se praticar uma agricultura ambientalmente sustentável e geradora de alimentos seguros para o consumidor nunca foi tão elevada como na conjuntura atual das alterações climáticas. As estufas agrícolas devem ser dotadas de novas tecnologias que proporcionem uma utilização mais racional de recursos cada vez mais escassos e dispendiosos, garantindo níveis de produção crescentes. Desta forma, pretende-se desenvolver uma estufa energeticamente sustentável. Foi realizada uma análise crítica das estufas agrícolas existentes no mercado, foram identificados os problemas recorrentes e algumas oportunidades de melhoria. A seguir à análise, foram elaboradas algumas propostas de melhoria que foram conceptualizadas num novo modelo de estufa. O novo modelo visa a intensificação da produção biológica de uma forma sustentável e autónoma, dotada de uma adaptação automática às alterações dos parâmetros ambientais externos. Na análise dos problemas (contradições) e na conceção do sistema em estudo, recorreu-se à Teoria da Resolução Inventiva de Problemas, devido às suas potencialidades no auxílio da criação de sistemas inovadores. O novo modelo de estufa resolve o problema da sazonalidade das estufas convencionais, permitindo a produção contínua para o ano inteiro, a redução do tempo de cada ciclo de produção e, consequentemente, o aumento do número de ciclos de produção por ano. Os custos operacionais da estufa proposta são consideravelmente mais reduzidos que em estufas tecnologicamente mais avançadas existentes no mercado. O controlo e a monitorização dos parâmetros ambientais e do crescimento das culturas são garantidos por sistemas automatizados, sendo somente necessária a intervenção humana na plantação e na colheita das culturas. O modelo proposto pressupõe a adaptabilidade da estufa às condições de irrigação do local, proporcionando o consumo eficiente de água. A estufa em estudo concentra a energia solar gerada no controlo e na produção agrícola, potenciando o aumento do fotoperíodo das plantas. É esperada independência energética da estufa com a possibilidade de venda do excesso de produção de energia à rede de distribuição pública. No caso de estudo apresentado, foi possível estimar uma redução de cerca de 50% de consumo de energia elétrica relativamente às estufas tecnologicamente avançadas existentes no mercado e uma redução total do consumo elétrico para produções agrícolas mais simples. |