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O bem-estar de indivíduos com demência e a relação com o desempenho de ocupações significativas : um estudo a partir da aplicação do Dementia Care Mapping (DCM) a uma população institucionalizada

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Resumo:RESUMO: O envelhecimento populacional é uma realidade mundial e Portugal é um dos países mais envelhecidos, situação agravada pela baixa natalidade. O envelhecimento constitui o principal fator de risco para desenvolver demência. Segundo a ADI (2015) atualmente vivem cerca de 46 milhões de pessoas com demência em todo o mundo e em Portugal estima-se que cerca de 6% das pessoas com mais de 60 anos têm um diagnóstico de demência. Em 2012 a OMS, face aos números e à sobrecarga que a síndrome representa para todos (desde a própria pessoa, seus familiares e sistemas sociais e de saúde nacionais) reconheceu a demência como uma prioridade de saúde pública, recomendando que cada País desenvolvesse e implementasse Planos Estratégicos Nacionais para a demência, o que, até à data, não aconteceu em Portugal. A elevada prevalência de pessoas com demência também se reflete nas Instituições Residenciais para as Pessoas Idosas e a pressão para que se operem mudanças ao nível da prestação de cuidados nestas instituições é crescente, mas o estigma e a imagem negativa que lhes estão associadas ainda persistem. E as exigências específicas para a prestação de cuidados de qualidade às pessoas com demência ainda estão longe de ser cumpridas na totalidade. Globalmente a Abordagem centrada na pessoa com demência é aceite como sendo sinónimo de prestação de cuidados de qualidade às pessoas com demência, no entanto em Portugal ainda não está divulgada, nem amplamente implementada. O objetivo geral desta pesquisa consiste em analisar a influência de variáveis individuais e organizacionais nos níveis de bem-estar observados em pessoas com demência que residem em instituições de modo a elaborar um modelo preditivo de bem-estar de pessoas com demência em instituição e dessa forma contribuir para a melhoria dos cuidados prestados às pessoas com demência. Esta investigação é constituída por dois estudos: Estudo I – Construção de um Questionário de caracterização das Estruturas Residenciais para a Pessoa Idosa segundo a Abordagem centrada na pessoa com demência e Estudo II – Estudo transversal observacional para observação e análise do bem-estar de pessoa com demência em 8 Unidades residências de Lisboa e Vale do Tejo, através do Dementia Care Mapping (DCM). Resultados: Estudo I – 266 ERPI responderam ao estudo o que correspondeu a uma taxa de respostas de 13%.Em média cada ERPI tem 44 residentes e cerca de 28% da totalidade dos residentes apresenta alguma forma de demência. A grande maioria das ERPI não promove formação específica em demência, todas têm quartos individuais e a quase totalidade afirma realizar avaliação inicial. No que diz respeito às necessidades psicológicas das pessoas com demência, as Unidades de Cuidados Continuados apresentaram melhores scores nas necessidades de Identidade, Inclusão e Conforto. Estudo II – A média dos níveis de bem-estar dos participantes era de 0,6 (sendo que o valor 1 corresponde ao humor neutro).Encontrámos uma correlação significativa entre os níveis de burnout dos profissionais e os níveis de bem-estar as pessoas com demência, quanto maior o burnout, menor o bem-estar. Foi encontrado um Modelo ajustado à realidade a partir do programa AMOS, modelo este, preditor do bem-estar das pessoas com demência em Estruturas Residenciais para a Pessoa Idosa. Conclusões: As Estruturas Residenciais para a Pessoa Idosa ainda apresentam algumas características asilares (grandes dimensões, muitos residentes, cuidados pouco personalizados e gestão muito rígida) e isto influencia negativamente o bem-estar das pessoas com demência. Este estudo dá pistas sobre a importância de implementar cuidados centrados na pessoa com demência nas Estruturas Residenciais para a Pessoa Idosa, de forma a melhorar o bem-estar das pessoas, apesar da demência.
Autores principais:Paquete, Patrícia Maria da Cunha Soares
Assunto:Demência Abordagem centrada na pessoa com demência Bem-estar Dementia Care Mapping (DCM) Personhood Dementia Person centered dementia care Wellbeing
Ano:2016
País:Portugal
Tipo de documento:tese de doutoramento
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade Nova de Lisboa
Idioma:português
Origem:Repositório Institucional da UNL
Descrição
Resumo:RESUMO: O envelhecimento populacional é uma realidade mundial e Portugal é um dos países mais envelhecidos, situação agravada pela baixa natalidade. O envelhecimento constitui o principal fator de risco para desenvolver demência. Segundo a ADI (2015) atualmente vivem cerca de 46 milhões de pessoas com demência em todo o mundo e em Portugal estima-se que cerca de 6% das pessoas com mais de 60 anos têm um diagnóstico de demência. Em 2012 a OMS, face aos números e à sobrecarga que a síndrome representa para todos (desde a própria pessoa, seus familiares e sistemas sociais e de saúde nacionais) reconheceu a demência como uma prioridade de saúde pública, recomendando que cada País desenvolvesse e implementasse Planos Estratégicos Nacionais para a demência, o que, até à data, não aconteceu em Portugal. A elevada prevalência de pessoas com demência também se reflete nas Instituições Residenciais para as Pessoas Idosas e a pressão para que se operem mudanças ao nível da prestação de cuidados nestas instituições é crescente, mas o estigma e a imagem negativa que lhes estão associadas ainda persistem. E as exigências específicas para a prestação de cuidados de qualidade às pessoas com demência ainda estão longe de ser cumpridas na totalidade. Globalmente a Abordagem centrada na pessoa com demência é aceite como sendo sinónimo de prestação de cuidados de qualidade às pessoas com demência, no entanto em Portugal ainda não está divulgada, nem amplamente implementada. O objetivo geral desta pesquisa consiste em analisar a influência de variáveis individuais e organizacionais nos níveis de bem-estar observados em pessoas com demência que residem em instituições de modo a elaborar um modelo preditivo de bem-estar de pessoas com demência em instituição e dessa forma contribuir para a melhoria dos cuidados prestados às pessoas com demência. Esta investigação é constituída por dois estudos: Estudo I – Construção de um Questionário de caracterização das Estruturas Residenciais para a Pessoa Idosa segundo a Abordagem centrada na pessoa com demência e Estudo II – Estudo transversal observacional para observação e análise do bem-estar de pessoa com demência em 8 Unidades residências de Lisboa e Vale do Tejo, através do Dementia Care Mapping (DCM). Resultados: Estudo I – 266 ERPI responderam ao estudo o que correspondeu a uma taxa de respostas de 13%.Em média cada ERPI tem 44 residentes e cerca de 28% da totalidade dos residentes apresenta alguma forma de demência. A grande maioria das ERPI não promove formação específica em demência, todas têm quartos individuais e a quase totalidade afirma realizar avaliação inicial. No que diz respeito às necessidades psicológicas das pessoas com demência, as Unidades de Cuidados Continuados apresentaram melhores scores nas necessidades de Identidade, Inclusão e Conforto. Estudo II – A média dos níveis de bem-estar dos participantes era de 0,6 (sendo que o valor 1 corresponde ao humor neutro).Encontrámos uma correlação significativa entre os níveis de burnout dos profissionais e os níveis de bem-estar as pessoas com demência, quanto maior o burnout, menor o bem-estar. Foi encontrado um Modelo ajustado à realidade a partir do programa AMOS, modelo este, preditor do bem-estar das pessoas com demência em Estruturas Residenciais para a Pessoa Idosa. Conclusões: As Estruturas Residenciais para a Pessoa Idosa ainda apresentam algumas características asilares (grandes dimensões, muitos residentes, cuidados pouco personalizados e gestão muito rígida) e isto influencia negativamente o bem-estar das pessoas com demência. Este estudo dá pistas sobre a importância de implementar cuidados centrados na pessoa com demência nas Estruturas Residenciais para a Pessoa Idosa, de forma a melhorar o bem-estar das pessoas, apesar da demência.