Publicação

Experiência de violência numa população imigrante em Portugal: estudo dos fatores relacionados

Ver documento

Detalhes bibliográficos
Resumo:RESUMO - A violência constitui um problema global de Saúde Pública e uma ameaça aos Direitos Humanos com consequências na saúde das vítimas e sociedades. Origina-se na interação entre fatores individuais, relacionais, comunitários e sociais e compreender como se relacionam é essencial para preveni-la e apoiar as vítimas. Ser imigrante pode significar um risco adicional de exposição à violência. Num estudo observacional e transversal foi analisado o reporte de violência e determinantes sociais da saúde numa população imigrante residente em Portugal, através de um inquérito por questionário. Os critérios de inclusão foram: ≥ 18 anos de idade, origem na África Subsariana, residir em Portugal e ter iniciado vida sexual. Analisou-se a associação entre diversos fatores e a experiência de violência com cálculo de odds ratio (OR) e intervalos de confiança a 95% (IC 95%) através de regressão logística multivariada. Do total de 790 inquiridos, 25,3% reportou experiência de violência alguma vez na vida. Uma maior probabilidade de ter reportado violência foi associada a ser mulher (OR:3,044; IC95%:1,824-5,080), ter entre 26 e 45 anos (OR:2,051; IC95%:1,181-3,563), estar desempregado (OR:3,016; IC95%:1,276-7,125), percecionar rendimentos como insuficientes (OR:1,900; IC95%:1,090-3,313), viver em Portugal há 10-20 anos (OR:2,446; IC95%:1,238-4,830), não ter conseguido recusar práticas sexuais indesejadas sempre que quis (OR:5,677; IC95%:3,565-9,041) e ter mais de um parceiro sexual ocasional diferente nos últimos 12 meses (OR:1,933; IC95%:1,084; 3,447). Este estudo realça a importância de medidas de redução da vulnerabilidade à violência adequadas a imigrantes, em particular mulheres, pessoas jovens e de baixo nível económico, procurando também atuar na prevenção de IST.
Autores principais:Baginha, Ágata de Oliveira
Assunto:Imigrantes Violência Infeções sexualmente transmissíveis, Comportamentos sexuais Medidas preventivas Portugal Immigrants Violence Sexually transmitted infections Sexual behavior Preventive measures
Ano:2021
País:Portugal
Tipo de documento:dissertação de mestrado
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade Nova de Lisboa
Idioma:português
Origem:Repositório Institucional da UNL
Descrição
Resumo:RESUMO - A violência constitui um problema global de Saúde Pública e uma ameaça aos Direitos Humanos com consequências na saúde das vítimas e sociedades. Origina-se na interação entre fatores individuais, relacionais, comunitários e sociais e compreender como se relacionam é essencial para preveni-la e apoiar as vítimas. Ser imigrante pode significar um risco adicional de exposição à violência. Num estudo observacional e transversal foi analisado o reporte de violência e determinantes sociais da saúde numa população imigrante residente em Portugal, através de um inquérito por questionário. Os critérios de inclusão foram: ≥ 18 anos de idade, origem na África Subsariana, residir em Portugal e ter iniciado vida sexual. Analisou-se a associação entre diversos fatores e a experiência de violência com cálculo de odds ratio (OR) e intervalos de confiança a 95% (IC 95%) através de regressão logística multivariada. Do total de 790 inquiridos, 25,3% reportou experiência de violência alguma vez na vida. Uma maior probabilidade de ter reportado violência foi associada a ser mulher (OR:3,044; IC95%:1,824-5,080), ter entre 26 e 45 anos (OR:2,051; IC95%:1,181-3,563), estar desempregado (OR:3,016; IC95%:1,276-7,125), percecionar rendimentos como insuficientes (OR:1,900; IC95%:1,090-3,313), viver em Portugal há 10-20 anos (OR:2,446; IC95%:1,238-4,830), não ter conseguido recusar práticas sexuais indesejadas sempre que quis (OR:5,677; IC95%:3,565-9,041) e ter mais de um parceiro sexual ocasional diferente nos últimos 12 meses (OR:1,933; IC95%:1,084; 3,447). Este estudo realça a importância de medidas de redução da vulnerabilidade à violência adequadas a imigrantes, em particular mulheres, pessoas jovens e de baixo nível económico, procurando também atuar na prevenção de IST.