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Morbilidade Materna Severa em Portugal em 2017: principais causas e fatores de risco

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Resumo:RESUMO - Introdução: Atualmente a taxa de mortalidade materna, nos países desenvolvidos, já se encontra em valores muito baixos. Contudo, muitos autores apontam para o facto da mortalidade materna ser apenas a “ponta do iceberg”, revelando que por cada morte materna existem várias mulheres que sofreram complicações severas durante a gravidez, parto e/ou puerpério. Por esta razão, há um crescente interesse internacional em associar a morbilidade materna severa com a mortalidade materna de modo a otimizar a qualidade dos serviços de saúde prestados a estas mulheres. Metodologia: Inicialmente realizou-se um enquadramento teórico sobre morbilidade materna severa incluída no tema da qualidade dos cuidados prestados às grávidas/puérperas. Posteriormente realizou-se um estudo observacional transversal recorrendo-se aos dados armazenados na Base de Dados de Morbilidade Hospitalar do ano de 2017 dos indivíduos codificados no Grande Categoria de Diagnóstico 14 (Gravidez, Parto e Puerpério). As mulheres foram consideradas como tendo morbilidade materna severa segundo a grelha de avaliação definida por Waterstone et al. Resultados: Numa população de 90.683 mulheres, foram identificados 4765 casos de morbilidade materna severa, cerca 5.25% da população obstétrica. A razão de morbilidade materna severa foi de cerca de 64.5 casos de morbilidade materna severa por cada 1.000 nados-vivos e uma razão de morbilidade materna severa/mortalidade materna de 595.6 casos de morbilidade materna severa por cada morte materna. As perturbações hemorrágicas foram responsáveis por 62.4% dos casos de morbilidade materna severa (3.36% da população). As perturbações hipertensivas foram responsáveis por 34.6%, cerca de 1.87% da população. Verificou-se que a idade superior a 34 anos apresenta uma razão de prevalências de 1.297 com intervalo de confiança (IC) a 95% (1.225-1.374), o parto por cesariana 2.580 (2.418-2.752), o diagnóstico de Hipertensão Arterial 1.784 (1.521-2.092), o diagnóstico de Diabetes Mellitus 2.587 (2.024-3.305) e uma demora média superior ou igual a 4 dias 2.021 (1.970-2.074). Conclusão: Ao sinalizar principais causas e alguns dos fatores de risco da morbilidade materna severa, este estudo sinalizou possíveis pontos de melhoria dos serviços de saúde. Contudo, sabendo que muitos destes fatores são dificilmente modificáveis, este estudo pode ser útil na sinalização precoce de casos de risco com necessidade de vigilância mais apertada, contribuindo assim para um processo de melhoria contínua.
Autores principais:Pinelo, Mariana Ferreira
Assunto:Morbilidade Materna Severa Near Miss Materno Qualidade em Saúde Severe Maternal Morbidity Maternal Near Miss Health Care Quality
Ano:2023
País:Portugal
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Instituição associada:Universidade Nova de Lisboa
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