Publicação
Effects of the interactions between microplastics and mercury on Gammarus locusta
| Resumo: | Os ecossistemas aquáticos têm sido cada vez mais afetados pela contaminação antrópica e muitas vezes tornam-se reservatórios de contaminantes como microplásticos (MP) e metais pesados como o mercúrio (Hg). Estes contaminantes podem ser distribuídos pelos ecossistemas, onde o seu comportamento pode ser diferente, colocando os organismos em risco. O presente estudo teve como objetivo investigar as interações entre MP e Hg, nomeadamente, sobre a bioacumulação e efeitos toxicológicos do Hg em anfípodes (Gammarus locusta). Os anfípodes ocupam um nicho como elo energético em diversas cadeias tróficas e são um importante modelo em estudos de ecotoxicologia. Durante 14 dias foi realizado bioensaio com G.locusta. Os organismos foram expostos a Controlo (sem contaminantes adicionados), MP (1000 MP L-1), Hg (na forma de HgCl2 e MeHgCl2 a 40 e 0.2 μg g-1, respetivamente) e à sua mistura (MP-Hg). Após o período de exposição, foram analisadas as concentrações de MP e Hg em amostras biológicas, água e sedimento, e calculados os fatores de bioconcentração (BCF e BSAF). O comportamento e as respostas reprodutivas dos animais foram também analisados. A exposição a MP e Hg, isolados e em mistura não afetou significativamente a sobrevivência, o comportamento ou a reprodução de G.locusta (p>0,05) expostos aos diferentes tratamentos. As concentrações de Hg total foram maiores nos anfípodes expostos ao Hg (0,51±0,08 mg kg-1) do que à mistura de MP-Hg (0,38±0,03 mg kg-1). As concentrações de MP foram maiores nos anfípodes expostos à mistura MP-Hg (115,49±52,07 MP g-1 de amostra biológica) do que MP (33,71±4,88 MP g-1 de amostra biológica). O BCF do MP foi maior que o BSAF, indicando que G. locusta acumulou MP principalmente através da água e não do sedimento. Para o mercúrio, o BSAF foi menor na presença de MP, revelando que o MP pode ter diminuído a bioacumulação de Hg. Assim, os resultados indicam que a combinação de MP e Hg alterou a bioacumulação relativamente à exposição aos mesmos poluentes quando isolados, ficando assim evidenciada a necessidade de considerar as misturas na investigação, monitorização e avaliação de risco ambiental. |
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| Autores principais: | Cavaca, Miguel Nico |
| Assunto: | Gammarus locusta Mercury Microplastics Behavior Reproduction Bioconcentration |
| Ano: | 2025 |
| País: | Portugal |
| Tipo de documento: | dissertação de mestrado |
| Tipo de acesso: | acesso embargado |
| Instituição associada: | Universidade Nova de Lisboa |
| Idioma: | inglês |
| Origem: | Repositório Institucional da UNL |
| Resumo: | Os ecossistemas aquáticos têm sido cada vez mais afetados pela contaminação antrópica e muitas vezes tornam-se reservatórios de contaminantes como microplásticos (MP) e metais pesados como o mercúrio (Hg). Estes contaminantes podem ser distribuídos pelos ecossistemas, onde o seu comportamento pode ser diferente, colocando os organismos em risco. O presente estudo teve como objetivo investigar as interações entre MP e Hg, nomeadamente, sobre a bioacumulação e efeitos toxicológicos do Hg em anfípodes (Gammarus locusta). Os anfípodes ocupam um nicho como elo energético em diversas cadeias tróficas e são um importante modelo em estudos de ecotoxicologia. Durante 14 dias foi realizado bioensaio com G.locusta. Os organismos foram expostos a Controlo (sem contaminantes adicionados), MP (1000 MP L-1), Hg (na forma de HgCl2 e MeHgCl2 a 40 e 0.2 μg g-1, respetivamente) e à sua mistura (MP-Hg). Após o período de exposição, foram analisadas as concentrações de MP e Hg em amostras biológicas, água e sedimento, e calculados os fatores de bioconcentração (BCF e BSAF). O comportamento e as respostas reprodutivas dos animais foram também analisados. A exposição a MP e Hg, isolados e em mistura não afetou significativamente a sobrevivência, o comportamento ou a reprodução de G.locusta (p>0,05) expostos aos diferentes tratamentos. As concentrações de Hg total foram maiores nos anfípodes expostos ao Hg (0,51±0,08 mg kg-1) do que à mistura de MP-Hg (0,38±0,03 mg kg-1). As concentrações de MP foram maiores nos anfípodes expostos à mistura MP-Hg (115,49±52,07 MP g-1 de amostra biológica) do que MP (33,71±4,88 MP g-1 de amostra biológica). O BCF do MP foi maior que o BSAF, indicando que G. locusta acumulou MP principalmente através da água e não do sedimento. Para o mercúrio, o BSAF foi menor na presença de MP, revelando que o MP pode ter diminuído a bioacumulação de Hg. Assim, os resultados indicam que a combinação de MP e Hg alterou a bioacumulação relativamente à exposição aos mesmos poluentes quando isolados, ficando assim evidenciada a necessidade de considerar as misturas na investigação, monitorização e avaliação de risco ambiental. |
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