| Resumo: | Em Maio de 2021, o Esquadrão 421 do Exército Zapatista de Libertação Nacional (EZLN) embarcou numa Viagem pela Vida (Journey for Life). Na sua “caravela” chamada La Montaña, os sete Zapatistas atravessaram o Oceano Atlântico de Isla Mujeres, no México, até Vigo, na Galiza, noroeste de Espanha, onde desembarcaram para depois viajar por diferentes territórios do continente europeu, rebaptizando-o simbolicamente com a expressão maia-tsotsil Slumil K'ajxemk'op, que significa “terra insubmissa”. O método zapatista nesta viagem “inversa” à dos Descobrimentos europeus retoma as crónicas e cartas marítimas dos navegadores e conquistadores do século XVI, a fim de transformar os paradigmas coloniais. Esta dissertação estuda os aspectos críticos de um cenário dos descobrimentos que evoca os acontecimentos espectrais de quinhentos anos de história, mas activa um espaço de significados “novos”. A viagem do Esquadrão enquadra-se num reenactment ou reinterpretação que especula sobre a história deste movimento indígena, camponês e anticapitalista “não conquistado” e produz uma utopia possível perante o paradigma estabelecido da alteridade, propriedade e hegemonia. Poderia o passado-presente-futuro ser diferente? As acções poéticas do movimento alertam para diferentes modos de existência uma vez que configuram uma mudança na bússola epistemológica de tal forma que se não se for Maomé à Montanha, a Montanha vai até si. |