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Lyme borreliosis in Portugal: study on vector(s), agent(s) and risk factor(s)

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Summary:A situação da Borreliose de Lyme (BL) em Portugal foi avaliada com base na identificação dos principais vectores (carraças) e sua distribuição, taxas de infecção com os agentes do complexo Borrelia burgdorferi sensu lato (s.l.) e os casos humanos com confirmação laboratorial. Ixodes ricinus, o principal vector desta doença, foi estudado durante um período de 5 anos na Tapada Nacional de Mafra (área protegida), durante o qual foi observado um ciclo unimodal para todos os estados de desenvolvimento, por um período de 1 a 1,5 anos. Confirmou-se uma correlação significativa entre a variação sazonal da abundância de carraças e algumas variáveis climáticas, nomeadamente, a temperatura, humidade e precipitação. Além de I. ricinus, foram colhidas outras espécies de carraças tais como Dermacentor marginatus, Haemaphysalis punctata, Rhipicephalus sanguineus e Ixodes hexagonus. As taxas de infecção atingiram valores globais de 11,8% para I. ricinus e de 5,2% para as restantes espécies, com identificação de vários agentes do complexo B. burgdorferi s.l., provavelmente relacionada com a acentuada diversidade de hospedeiros presentes na área investigada. Num estudo a nível nacional, durante 4 anos, foram amostrados 55 pontos para colheita de vectores, tendo-se obtido um total de 2801 carraças distribuídas pelos seguintes géneros/espécies Rhipicephalus spp, D. marginatus, I. ricinus, Hy. marginatum, H. punctata e Ixodes spp, com diferentes taxas de colheita. Todos estes ixodídeos foram encontrados infectados por B. lusitaniae, a principal espécie genómica detectada no vector (até ao momento). Em Portugal, para além da Tapada Nacional de Mafra, foram apenas identificadas estirpes patogénicas de B. garinii, num local perto de Coimbra (Soure). A confirmação laboratorial de casos humanos foi obtida com base no diagnóstico de rotina desta doença, realizado no Instituto de Higiene e Medicina Tropical, quer ao nível serológico por Western-Blot (15.5%), quer por amplificação do espaço intergénico de rRNA 5S-23S (rrf-rrl) de B. burgdorferi s.l. (28%). Neste último caso, foram identificadas duas espécies genómicas patogénicas (B. garinii e B. afzelii), além de B. lusitaniae. A principal proveniência dos doentes com Borreliose de Lyme foi Lisboa, Coimbra, Tomar, Viseu e Almada.Os principais factores envolvidos na distribuição das carraças e consequentemente no ciclo epidemiológico da Borreliose de Lyme em Portugal encontram-se associados com o clima (temperatura, humidade e precpitação) e composição do habitat (áreas expostas, florestas mistas e de caducas). A estrutura da paisagem (ex. fragmentação) foi igualmente considerada como um factor essencial para a presença de carraças numa determinada área. Com base nestas variáveis, mapas de risco foram criados para os três ixodídeos (I. ricinus, D. marginatus, Rhipicephalus spp) potencialmente mais implicados na transmissão dos agentes de BL em Portugal Em conclusão, a Borreliose de Lyme existe em Portugal e apresenta uma epidemiologia complexa, como a seguir se demonstra: i) além do vector Europeu, registaram-se outros potenciais vectores, susceptíveis de estarem associados a uma maior diversidade de hospedeiros reservatórios (ainda por investigar) e biótopos específicos, ii) uma elevada diversidade de espécies genómicas do complexo B. burgdorferi sensu lato, decorrente deste espectro alargado de vectores-reservatórios, iii) e uma distribuição generalizada de doentes de BL, com importantes taxas de infecção, resultante da referida diversidade de agentes patogénicos, não só das duas espécies genómicas mais reconhecidas na Europa (B. garinii e B. afzelii), como da recentemente isolada B. lusitaniae, indutora de um quadro clínico aparentemente diferente e restricto à zona do Mediterrâneo.
Main Authors:BAPTISTA, Susana Simões Sales Gonçalves
Subject:Microbiologia médica Biologia molecular Borreliose de Lyme Ixodes ricinus Vectores Diagnóstico Agentes
Year:2006
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